BRITEIROS: Abril 2005 <$BlogRSDUrl$>








sexta-feira, abril 29, 2005

Constituição Europeia - Sim ou Não ?



Há cerca de três anos, mais ou menos no final dos trabalhos da Convenção sobre o Futuro da Europa, uma funcionária/quadro superior da União Europeia (UE) perguntava-me o que é que eu pensava da Constituição Europeia. Disse-lhe a verdade : que tinha ouvido falar vagamente do projecto; que sabia que algumas pessoas se reuniam em Bruxelas para fazer uma Constituição; que sabia ser o Sr. Valérie Giscard d’Estaing que presidia às reuniões – aproveitando a ocasião para dizer todo o mal que pensava, e penso, do Sr. D’Estaing -; que a imprensa não dizia grande coisa sobre o assunto; e que não era assim que se fazia uma Constituição. Fui imediatamente apelidado de eurocéptico, de ser contra a Europa (!?) e americanista (!?). Carimbado e enviado para o caixote dos casos desesperados. Tive logo o pressentimento de que a minha cotação junto do funcionalismo UE tinha baixado drasticamente (paciência) mas, por delicadeza, guardei para mim a resposta que a senhora merecia.
Este episódio veio-me à memória agora que a discussão sobre a ratificação começa (felizmente) a interessar-nos. E recordei-me porque o que pensava ser um episódio isolado de “snobismo” do euro-funcionalismo – que, ao fim e ao cabo, defendem os seus interesses - se veio a revelar uma posição mais geral da classe política, estupefacta perante o facto de os imbecis a que chamam “povo” não compreendem o “bem” que lhe querem fazer e em que a argumentação a favor mais escutada, gira à volta de conceitos tão precisos como “não tenham medo” ou “será uma desgraça”. Aliás, nem se percebe bem porque é que nos fazem a pergunta, se o Sim é a única resposta autorizada.

Não me considero propriamente um eurocéptico. Não sou um descrente em tudo o que vem da UE e muito menos sou contra a sua existência. Uma certa garantia de tranquilidade na Europa, o Euro, a livre circulação, são factos de que beneficio todos os dias e que penso se devem manter. Isto não significa, evidentemente, que tenha que aceitar passiva e acríticamente tudo o que venha da UE, por muito que nos seja apresentado como um enorme avanço no processo de integração europeia e mesmo que o clima seja de unanimismo por parte da classe política.
Pode ser que esta discussão nem sequer seja necessária. Basta que os franceses acabem já com a Constituição no dia 29 de Maio, votando “Não” no referendo. Entretanto, a Hungria, a Letónia, Eslovénia e a Grécia já a aprovaram nos respectivos parlamentos, perante indiferença geral dos cidadãos. A Espanha aprovou-a em referendo com 60% de abstenção. Em Portugal, em linha com o habitual desprezo com que tratamos estes assuntos da Europa (afinal de contas o que nos interessa mesmo é só o dinheiro da UE), ainda não se sabe quando será o referendo e se irá à boleia de outra eleição.
Todavia, como nestas coisas da Europa, a tendência é para repetir votações até que o resultado seja aquele que já tinha sido decidido, desconfio que o “Não” de um só país não signifique o fim do debate e que ainda vamos ouvir falar desta Constituição durante algum tempo.

Embora não me pareça que seja importante, neste momento, ter ou não ter uma Constituição Europeia, a forma como foi elaborada e a maneira como nos querem impô-la leva-me a desconfiar da bondade da dádiva. Por isso resolvi perder algum do meu tempo e ler o documento que é suposto aprovarmos sem refilar e que tanto de bom virá trazer à Europa. Podem encontrar aqui as minhas conclusões. Dado o gigantismo da coisa (465 páginas, mais os anexos – que não li na totalidade) serão publicadas por capítulos, a começar pela génese.
Para quem não tenha essa paciência, eu resumo: esta Constituição é má, um texto incrivelmente complexo e de difícil interpretação, direitos fundamentais que não o são, o mercado como o valor mais sagrado a defender e uma obsessão quase doentia pelo detalhe (Aliás percebo agora porque é que Deus não está na Constituição. Não é necessário. Tal como Ele, a Constituição está em toda a parte) .

Pessoalmente, até considero que a Europa necessitará um dia de uma Constituição. Mas uma Constituição decidida de forma democrática pelos cidadãos da União, com representantes eleitos para o efeito a nível europeu, por partidos políticos europeus e organizações sociais europeias. A integração europeia e a consequente transferência de soberania só terá sentido e só será possível se for democrática. Como não nos é perguntado se concordamos com uma Constituição Europeia em abstracto, mas se estamos de acordo com esta Constituição em concreto, a minha resposta será Não. Mais, o que está em causa neste debate não é apenas a aprovação de um texto definindo princípios gerais e direitos mas, sobretudo, se estamos de acordo ou não com uma concepção da UE em que as decisões económicas são ditadas por um Banco Central independente do poder político, o conceito de serviço público decidido por tecnocratas em Bruxelas, a lei do mercado como valor a sobrepor-se a todos os outros valores e uma participação política dos cidadãos diluída em complexos mecanismos de tomada de decisão.
Se estiverem de acordo votem “Sim”. Eu não estou e votarei “Não”, com a certeza de que, se esta Constituição não for aprovada, a Europa continuará a existir.


:: enviado por U18 Team :: 4/29/2005 02:13:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Ainda o modelo nórdico

Desculpem a brejeirice, mas esta, não posso deixar de a passar aqui. Conta a Reuters que um tribunal norueguês condenou uma mulher a nove meses de prisão por ter violado um homem. O homem, de 31 anos, estava a dormir num sofá durante uma festa, em Janeiro do ano passado e, segundo disse ao tribunal da cidade de Bergen, acordou com uma jovem de 23 anos a fazer sexo oral com ele. Para além dos nove meses de prisão, a jovem foi ainda condenada a pagar ao homem cerca de 5 mil euros de indemnização.
Segundo a lei norueguesa, praticar actos sexuais com alguém que esteja “inconsciente ou que, por outras razões, não se pode opor ao acto” é considerado violação. Foi a primeira condenação deste tipo na Noruega, país que tem uma longa tradição de igualdade entre os sexos.
Sei que o modelo nórdico está na moda, mas não sei se em Portugal haverá muita gente a defender este tipo de igualitarismo!...

:: enviado por JAM :: 4/29/2005 12:18:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

O despertar dos euro-cépticos

Gerhard Schröder prometeu ao seu amigo Jacques Chirac que tudo faria para ratificar a Constituição europeia pelas duas câmaras do Parlamento alemão, poucos dias antes de 29 de Maio, a data fatídica do referendo francês. Ora, no seio da direita alemã, os conservadores também levantam a voz. Sobretudo, os conservadores bávaros da CDU, como Peter Gauweiler, que resolveu apelar ao Tribunal Constitucional alemão para que impeça a ratificação do tratado pelo Bundestag.
O objectivo deste rebelde solitário é organizar um referendo, como em França, onde espera a vitória do “não”. Mas, segundo o Figaro, que cita a opinião da maioria dos constitucionalistas de Berlim, esta iniciativa tem poucas hipóteses de sucesso.

Entre nós, o Pedro Lomba refere-se a esta Constituição europeia como “uma constituição dirigente numa época de textos desreguladores, embrulhada num tempo de simplificação, formal numa era de constituições materiais; centralizadora num período de pluralismo; rígida em tempos de flexibilidade”.


:: enviado por JAM :: 4/29/2005 11:25:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, abril 28, 2005

Português em apuros

"Está detido no Dubai um actor e realizador português, por ter consumido drogas leves. A família está revoltada porque considera que o Governo português não está a fazer qualquer esforço para a sua libertação."

O Dubai não tem tribunais?


Adenda:

A propósito deste português em apuros, vale a pena ler o SOS lançado pelo Rui Tavares no Barnabé. [JAM :: 13:27]

:: enviado por RC :: 4/28/2005 07:58:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

A Europa do futuro

A notícia parece uma brincadeira surrealista de mau gosto, mas o facto de ter sido publicada no Libération não nos dá motivos para duvidar da sua autenticidade. O patrão duma fábrica de transformadores e aparelhos eléctricos, na região da Alsácia, decidiu deslocalizar uma parte da empresa para a Roménia.
Até aqui, tudo “normal”, já que a empresa passou de 91 a 39 trabalhadores, desde 1998, tendo despedido sempre grupos de nove de cada vez, para escapar à intervenção da inspecção do trabalho, necessária por lei a partir de dez. O insólito é que, desta vez, foi proposto às nove trabalhadoras “contempladas” que, em vez do despedimento, poderiam ir trabalhar para a Roménia, com um salário de 110 euros mensais.
E o empresário explica a sua solução para a crise, como se fosse a coisa mais natural do mundo: “110 euros em França é pouco, mas na Roménia é suficiente”.
Frente às instalações da fábrica, o clima é de medo, e apenas uma trabalhadora tem a coragem de dizer aos jornalistas: “Propor-nos ir trabalhar para a Roménia por 110 euros é diminuir-nos. Quando nos estafámos a trabalhar para a empresa, durante mais de vinte anos, merecíamos mais do que isto”.
No escritório chovem faxes cheios de insultos. Mas, assegura o esperto dirigente: “Recebemos também mails de felicitações vindos de outros patrões”.

:: enviado por JAM :: 4/28/2005 10:54:00 da manhã :: 5 comentário(s) início ::

quarta-feira, abril 27, 2005

O voo do gigante

O novo gigante dos céus, o Airbus A380, recolheu as suas 22 rodas, alguns instantes após a descolagem do primeiro voo de teste, às 9h29, um minuto antes da hora prevista. O maior avião do mundo, estará operacional durante o ano de 2006 e poderá transportar entre 555 e 840 passageiros, segundo as versões. Este sucesso técnico e comercial lançará a Europa no primeiro lugar da competição com o rival americano da Boeing, que por enquanto faz propaganda ao seu 787.

:: enviado por JAM :: 4/27/2005 11:13:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Desarmados por razões de segurança

Os agentes secretos belgas acabam de perder a autorização de porte de arma. Segundo conta a Libre Belgique, no mês passado, nas instalações da Segurança do Estado, um dos agentes resolveu dar um tiro na cabeça de um colega. Felizmente, errou o alvo, mas este fait divers foi quanto bastou para levar a Ministra da Justiça, Laurette Onkelinx, a adoptar medidas drásticas sobre a gestão do armamento, que implicaram a retirada imediata das armas a todos os agentes, sem excepção.
O jornal de Bruxelas sublinha que, desde então, os agentes secretos belgas, confrontados frequentemente com meios hostis e muitas vezes perigosos do crime organizado, se recusam a correr riscos e evitam fazer face à maior parte das missões que lhes são confiadas.

:: enviado por JAM :: 4/27/2005 10:18:00 da manhã :: 2 comentário(s) início ::

terça-feira, abril 26, 2005

Ainda!!!

Segundo a agência de notícias espanhola EFE, o inspector de armas da CIA, Charles Duelfer, anunciou ontem que deu por terminada, e sem êxito, a busca de armas de destruição maciça, em cuja suposta existência se baseou a intervenção militar americana no Iraque. Duelfer sugeriu que, como resultado desta conclusão, deveriam ser postas em liberdade todas as pessoas detidas por uma suposta ligação com essas armas.

:: enviado por JAM :: 4/26/2005 02:32:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Nem um cravo...

Passeei-me pela cidade. Café, jornal e só vi um cravo todo o dia. Na televisão o espectáculo já habitual da ignorância da plebe, principalmente dos mais novos...

:: enviado por RC :: 4/26/2005 01:01:00 da manhã :: 3 comentário(s) início ::

segunda-feira, abril 25, 2005

T-shirts? só se for Made in China

A União Europeia descobriu agora que os têxteis chineses estão a invadir o mercado europeu e que a industria têxtil europeia arrisca-se a desaparecer. Como tal, vai tentar que a China “modere” as suas exportações.
Claro que ninguém sabia que a China faz dumping social. Claro que ninguém podia prever esta invasão. Claro que os responsáveis por isto só compram roupa de grandes criadores e não fazem a mínima ideia do preço das T-Shirts Made in China. Por isso fizeram os acordos. E também para poder vender aviões e telemóveis. Europeus, pois claro. Mesmo que, com as contrapartidas que dão, os aviões sejam quase todos feitos na China (e os telemóveis).
É preciso ser muito hipócrita ou ter um enorme desplante para vir agora pedir à China que controle as suas exportações de têxteis. Só uma pergunta: esperam assinar um novo acordo com a China com a mesma caneta com que assinaram o acordo de comércio há dez anos atrás ?


:: enviado por U18 Team :: 4/25/2005 06:58:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

O 24 de Abril

Não era absurdo que o congresso tivesse discutido as opções pelo liberalismo económico, o conservadorismo político ou, sobrasse tempo e paciência, a democracia dita “cristã”. Não discutiu.
Como agora é moda, preferiu “abrir-se” à sociedade, leia-se salvar o que resta do seu eleitorado tradicional. E, para isso, o facto de o congresso ter terminado a 24 de Abril foi declaração de intenções mais do que suficiente.

A comprová-lo, não só a bancada do CDS estava hoje meio vazia, na sessão solene do 25 de Abril no Parlamento, sem Paulo Portas nem o líder parlamentar Nuno Melo, como, ainda por cima, o deputado José Paulo Carvalho, membro da nova direcção do partido, resolveu trocar, no seu discurso, Estado de direito por “Estado de direita”.

:: enviado por JAM :: 4/25/2005 05:01:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Abril de Abril

Era um Abril de amigo – Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo – Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo – Abril de Abril.

Era um Abril na praça – Abril de massas
era um Abril na rua – Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava – Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril – Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se – Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.

Era um Abril de clava – Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.


Manuel Alegre


:: enviado por JAM :: 4/25/2005 12:01:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

25 de Abril... sempre!

Há 31 anos, o povo português acordava duma anestesia a que esteve sujeito durante décadas a fio, de um persistente atraso económico e cultural. Foi um acordar para a realidade da nossa História de país europeu, que nos fora negada pelo regime ditatorial.
Os jovens de hoje terão certamente dificuldade em imaginar esse Portugal de há trinta e um anos, em que a expressão pública das opiniões contra o regime era severamente reprimida pela censura ou pela polícia, e em que não havia ninguém que não tivesse algum familiar a combater em África, numa guerra em três frentes, em defesa do último império colonial do mundo ocidental.
Os partidos políticos eram proibidos, as prisões políticas estavam cheias, os líderes da oposição viviam exilados, os sindicatos fortemente controlados, a greve impensável, os despedimentos facilitados, a vida cultural estreitamente vigiada.
O 25 de Abril foi uma revolução, pela força das armas dos militares de Abril, com o povo desobediente na rua, gritando pela liberdade e pela democracia, a dar a cor vermelha do cravo ao “R” da revolução.
A sociedade portuguesa mudou muito nos últimos trinta e um anos. Se para alguns foram muitas e rápidas mudanças, para outros, elas não conseguiram arrancar-nos dos atávicos imobilismos. A sociedade portuguesa, como todas as sociedades, é uma sociedade em movimento.
É importante que, embalados nesse movimento, nessa “evolução”, não percamos de vista o Abril do "R" vermelho, o Abril do povo, o Abril da Primavera, o Abril que nos fez cantar um dia: só há liberdade a sério, quando houver a paz, o pão, a habitação, a saúde e a educação...
Para todos!

:: enviado por JAM :: 4/25/2005 09:18:00 da manhã :: 2 comentário(s) início ::

Há 31 anos acordámos assim


:: enviado por JAM :: 4/25/2005 12:01:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

domingo, abril 24, 2005

Mal, mas vê-se!

Em 2003, o primeiro astronauta chinês, Yang Liwei, trouxe do espaço um enorme motivo de preocupação para todos os seus compatriotas, ao afirmar que não tinha conseguido ver a Grande Muralha, durante toda a sua estadia em órbita. Ora, num país em que se aprende nas escolas que a Muralha da China é a única construção humana visível a olho nu do espaço (há quem diga que os diques holandeses também se vêem), a novidade deixou o orgulho chinês muito em baixo.
Esta semana, uma fotografia tirada pelo astronauta americano Leroy Chiao, e divulgada pelo China Daily, veio salvar a honra dos chineses. A fotografia da gigantesca construção, tirada a 360 Km de altitude, foi autenticada pelo especialista Wei Chengie, que, para não haver dúvidas, lhe acrescentou as marcações coloridas.

:: enviado por JAM :: 4/24/2005 12:39:00 da manhã :: 2 comentário(s) início ::

sábado, abril 23, 2005

Dia Mundial do Livro

Este Sábado, comemorou-se o Dia Mundial do Livro. Instituída pela UNESCO em 1995, a data tem como objectivo chamar a atenção das autoridades governamentais e das populações para a importância dum dos meios de transmissão de conhecimento mais universais e eficazes que existem. Pela mensagem que transmitem, pelas vivências que partilham, pelos sentidos e sensações que conseguem despertar, há livros que nos marcam para toda a vida.
Em 23 de Abril de 1616 faleceram Cervantes e Shakespeare. Também no dia 23 de Abril nasceram ou morreram outros escritores famosos como Vladimir Nabokov, Josep Pla, Maurice Druon e Manuel Mejía Vallejo. Por este motivo, esta data tão simbólica para a literatura universal foi a escolhida pela Conferência Geral da UNESCO para render uma homenagem mundial ao livro e aos seus autores.
No preciso dia em que se assinalou o Dia Mundial do Livro, um estudo da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) revela que os portugueses estão a ler cada vez mais. Segundo este estudo, a maioria dos portugueses lê em média entre três a cinco livros por ano, mas apenas 6% afirma ler anualmente mais de 20 obras. O tempo médio dedicado à leitura também aumentou em 2005. Pouco mais de um quarto da população inquirida despende entre 30 minutos a duas horas por semana a ler um livro.
Sendo o livro uma das sementes do desenvolvimento, esperemos que esta tendência se mantenha entre nós.

:: enviado por JAM :: 4/23/2005 11:37:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Admitamos que vence o « não »

[...] a primeira certeza do “não” é a suspensão das principais directivas da agenda liberal. Ninguém se atreverá a insistir no projecto de liberalização dos serviços (Bolkestein) ou na selvajaria do alargamento do horário máximo de trabalho para as 65 horas por semana. A Europa “de cima” jogará, por uns tempos, à defesa. E essa é a sua primeira boa notícia em muitos anos. Fá-lo-á, não por contrição. Mas porque, sendo cega, apostará ainda no isolamento de França no processo de ratificação.
Mas do “outro lado”, a partir de 30 de Maio o “não” terá muitos e muitos mais adeptos. Mesmos nas elites, serão muitos a dizer que a cegueira foi longe de mais. E é esta nova arrumação de forças que anunciará um tempo de refundação assente na democracia.
Se o “não” vencer, a Europa terá a sua Constituição. Outra, redigida por representantes eleitos para o efeito. Por uma verdadeira Assembleia Constituinte.
Menos do que isso, em pleno século XXI, não é admissível.

:: enviado por JAM :: 4/23/2005 01:47:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::

sexta-feira, abril 22, 2005

Subscrevo

A propósito desta notícia do Público, subscrevo a interpretação do CAA, que considera o apelo do Vaticano ao não-cumprimento das determinações legítimas e legais, por parte dos funcionários do Estado espanhol, uma atitude que se aproxima perigosamente de um apelo à insurreição.
Aqui está uma boa resposta àqueles que nos últimos dias têm repetido, até à exaustão, que só os católicos deveriam pronunciar-se sobre a eleição do papa.

:: enviado por JAM :: 4/22/2005 04:07:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Os Champs-Élysées no caminho para os jogos olímpicos

Paris vai dar tudo por tudo para ganhar a organização dos jogos olímpicos de 2012, contra as outras candidaturas de peso, Londres, Madrid, Moscovo e Nova Iorque. O Financial Times chama “esperto coup de théâtre” à iniciativa da câmara de Paris, prevista para 5 de Junho, que visa transformar a famosa avenida da capital francesa numa gigantesca pista de atletismo ladeando uma piscina. O orçamento desta jornada de promoção eleva-se a 2 milhões de euros, e esperam-se entre 300 e 400 mil pessoas, para participar numa das 28 modalidades olímpicas propostas.
A escolha da cidade organizadora dos JO de 2012 será conhecida no dia 6 de Julho.

:: enviado por JAM :: 4/22/2005 03:19:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Notícias da Liberallândia

O ex-presidente do grupo Carrefour, Daniel Bernard, “despedido” em 3 de Fevereiro, por não ter conseguido subir suficientemente a cotação na bolsa e os resultados dos 216 supermercados franceses do grupo, não vai ter que se preocupar demasiado com a sua nova condição de desempregado.
Para o “encorajar” a sair, a empresa brindou-o com um complemento de reforma de 29 milhões de euros, mais uma indemnização de três anos de salário, equivalente a cerca de 10 milhões de euros. O total da reforma dourada do incompetente dirigente, eleva-se assim a 39 milhões de euros, ou seja, mais de 2500 anos de salário mínimo nacional francês.

Se ainda está a coçar na cabeça, leia a noticia... >>>

:: enviado por JAM :: 4/22/2005 09:32:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, abril 21, 2005

SMS Papal

A Igreja entrou definitivamente na era da comunicação global. Os italianos inscritos num serviço de um operador de telemóveis italiano receberam hoje um SMS directamente do Papa.
Se um dia recebo um SMS de Deus, entro para um convento. Juro.


:: enviado por U18 Team :: 4/21/2005 11:09:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

A velha Igreja hipócrita...


(clique sobre a imagem para aumentar)


:: enviado por Manolo :: 4/21/2005 10:58:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

à margem do mundanal ruido

Tanto Papa já enjoa. Deixem-nos pousar. Quanto mais eles apertarem o torno, mais reduzidos ficarão, mais tarde ou mais cedo, à condição de seita (ou não fosse a Opus Dei que vai à frente do rebanho e leva o cajado).
Saiamos à tona um pouco para respirar. Ouçamos os poetas. Navegar será preciso, mas viver também é preciso:

”O florir do encontro casual
dos que hão-de sempre ficar estranhos (…)” – Fernando Pessoa

“Alors, aux soirs de lassitude,
tout en peuplant sa solitude
des fantômes du souvenir
on pleure les lévres absentes
de toutes les belles passantes
qu´on n´a pas su retenir. » - Antoine Pol

:: enviado por Manolo :: 4/21/2005 09:20:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Ainda o Papa

Para tirar teimas, para quê falar com os anjos? Escreva ao Papa:

Em Inglês: benedictxvi@vatican.va
em Italiano: benedettoxvi@vatican.va
emEspanhol: benedictoxvi@)vatican.va
em Francês: benoitxvi@vatican.va
emAlemão: benediktxvi@vatican.va
em Português: bentoxvi@vatican.va

Deus está a menos distância que um clic.

Há ainda um clube de fans: http://www.ratzingerfanclub.com/ (não posso comentar porque o servidor está em baixo)

:: enviado por RC :: 4/21/2005 05:41:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

BenedictXVI.com

O Vaticano chegou tarde para o registo do novo site Internet, www.benedictXVI.com, correspondente ao nome em inglês do novo papa. Esse endereço foi reservado, há três semanas, por um americano da Flórida, Rogers Cadenhead, que teve a intuição de que esse seria o nome escolhido pelo sucessor de João Paulo II.
Cadenhead ainda não decidiu o que vai fazer com o site, mas jurou que não será vendido a ninguém com interesses mais ou menos pornográficos, o que para ele seria um pecado e contrário à educação que recebeu da avó Rita, que não faltava nenhum Domingo à missa.
Os sites Internet são por vezes comprados pelos chamados “cyber-squatters” que os revendem pela melhor oferta ou os usam como armadilha para os internautas mais desprevenidos. O mais famoso exemplo foi o whitehouse.com, que durante anos foi a página de entrada dum site pornográfico, no qual muita gente entrava inadvertidamente ao procurar informações sobre o presidente dos Estados Unidos.
Esperamos pois que a avó Rita tenha, de facto, educado bem o neto.

:: enviado por JAM :: 4/21/2005 05:24:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, abril 20, 2005

A decepção de Leonardo Boff

“Recebi com perplexidade e surpresa porque uma igreja conservadora chamou o guardião do conservadorismo para o papado. Como cristão, a gente acolhe, a gente respeita, mas ficamos cheios de preocupações pela imagem da igreja no mundo. O novo papa não só vai repetir o pontificado de João Paulo 2º como também vai radicalizar a doutrina moral da Igreja Católica. João Paulo 2º criou muitas feridas: muitos cristãos emigraram da igreja porque não a sentiam mais como lar espiritual. Tememos que esse inverno eclesiástico continue. A igreja vai conhecer um inverno mais rigoroso”.
Principal ícone da Teologia da Libertação no Brasil, Leonardo Boff sofreu um processo judicial na Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, em 1984. Na época, o organismo da igreja já era dirigido pelo cardeal Ratzinger.

(Folha de São Paulo)

Depois do concílio Vaticano II (1962-1967), fortemente contrariado por João Paulo II e Ratzinger, a Teologia da Libertação, que defende a opção preferencial da Igreja pelos pobres, foi acusada pela Santa Sé de defender teses marxistas.


:: enviado por JAM :: 4/20/2005 11:22:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Acho bem...

Por mim, penso que qualquer Papa escolhido é o bom Papa. Considero até como abusivo que tanta gente opine sobre algo que não lhes diz respeito. Os nossos jornais e televisões, com a gulosice que lhes é habitual, já esfregavam as mãos com a perspectiva do Cardeal ter sido nazi. Haveria debates e mesas redondas e comentários e reportagens. Seria um fartote, baratinho ainda por cima, de tempo de antena desse que temos muito. Se o Partido, perdão, se a Igreja existe há tantos anos e não parece estar a acabar, quem é que lhe pode recriminar o conservadorismo? Com os seus processos centralmente democráticos assegura continuidade de políticas e estabilidade de estruturas e propósitos.

Onde é que eu já ouvi isto?

ParaZita Seabra foi hoje o remoque de Odete Santos: "Quem lhe escreveu a declaração de voto fui eu..."

Não me admira. Imagino que já nesses tempos remotos haveria vestígios desta "destreza" intrínseca...

:: enviado por RC :: 4/20/2005 08:45:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, abril 19, 2005

Wir haben einen Papst (Habemus Papam)

Depois do Papa que encheu os estádios e despovoou as igrejas, temos o seu herdeiro.
Na impossibilidade teológica e prática de nomear um descendente de João Paulo II, a Igreja escolheu o filho espiritual. Nada de novo ao cimo da Terra.
José Mourinho ainda não se pronunciou sobre o facto de não ter sido escolhido.


:: enviado por U18 Team :: 4/19/2005 09:32:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

As sombras negras do fumo branco

A Igreja Católica acabou de eleger o seu novo Sumo Pontífice que defenderá seguramente os seus valores mais tradicionais e que vai certamente continuar insensível ao canto das sereias do modernismo. Sem surpresa, como já tínhamos previsto aqui, os cardeais escolheram Joseph Ratzinger para dar continuidade à obra ultraconservadora de João Paulo II.
Bento XVI é o primeiro papa do século XXI.

:: enviado por JAM :: 4/19/2005 05:51:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

Não há processo mais democrático


© Desenho de Gado – The Nation

[...] porque de uma eleição normal se trata, com todas as características de um sistema político democrático, [...] numa reunião presidida pelo Espírito Santo, que ilumina e escreve o escolhido pela mão dos cardeais.
do nosso cronista-mor, num dos seus habituais rasgos de inspiração!

:: enviado por JAM :: 4/19/2005 04:24:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Os livros como terapia

Já que estamos em maré de literatura, fica aqui uma referência a um artigo do The Christian Science Monitor que assinala o aparecimento, após três anos e meio de estado de choque literário, de uma série de livros dedicados ao 11 de Setembro. Uma meia dúzia de obras publicadas no ano passado, mais uns cinco previstos para os próximos meses. Entre eles, destaca a história de uma criança precoce de 9 anos que procura compreender como é que o seu pai desapareceu no World Trade Center, contada por Jonathan Safran Foer. Ou a novela de Philip Beard, que conta a história de uma miúda de perdeu a sua irmã mais nova, de 3 anos, no dia da tragédia.
O jornal americano resolveu perguntar aos especialistas em saúde mental, que trataram pessoas directamente afectadas pelo 11 de Setembro, qual a influência que estas obras podem ter no apaziguar da complexidade das emoções provocadas pelo trágico dia. A resposta é positiva e conclui que, para certas pessoas, que tiveram necessidade de dar um novo sentido às suas vidas, a ficção poderá ser útil para explorar novas vias.

:: enviado por JAM :: 4/19/2005 02:23:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Janela indiscreta

Já tinha visto este questionário literário nos blogs franceses, mas ainda não conhecia a versão portuguesa. Por isso, o Pindérico apanhou-me de surpresa. Não é que eu seja adepto desta moda das correntes, mas cá vai...

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
O mais evidente seria “O Livro em Branco” já que, em plena fogueira, não se perderia grande coisa. Mas, a sacrificar um livro a sério, seria, por exemplo, “A Raiva e o Orgulho”, de Oriana Fallaci, um verdadeiro hino à intolerância e à xenofobia.

Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Já lá vão uns anitos. Foi o Nero Wolf, protagonista do escritor Rex Stout, combinação exótica de um adorador de bons petiscos, cultivador de orquídeas e um excelente detective.

Qual foi o último livro que compraste?
O Código da Vinci – Dan Brown. Estou à espera da eleição do papa para o começar a ler.

Qual o último livro que leste?
O Stress, Esse Amigo Escondido – Patrick Bouvard. Nos tempos que correm, o stress invade-nos, tanto no trabalho, como na vida pessoal. Mas, quando melhor compreendido, até poderá revelar características positivas.

Que livros estás a ler?
Enciclopédia de Recursos Humanos – José Allouche. Infelizmente, o tempo não tem dado para mais!...

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Amor em Tempos de Cólera – Gabriel García Márquez: uma história de amor obsessivo e melancólico, que persiste e dura a vida inteira, mostrando que a paixão não tem idade. O Segundo Diário Mínimo – Umberto Eco: exemplo do divertimento erudito e crítica do quotidiano da sociedade italiana, que poderia aplicar-se igualmente à portuguesa. O Profeta – Khalil Gibran: em vez de procurar a divindade no exterior do indivíduo, o Profeta procura dar um aspecto divino à condição humana. A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera: explora a vastidão do território do amor, duma forma extremamente realista. Um Pouco Mais de Azul – Hubert Reeves: transforma a astrofísica num conto de fadas e faz-nos delirar com as nossas origens na poeira das estrelas.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Ao João Delgado, por ser tão “esquerdista” e “libertário” como eu. Ao J. Mário Teixeira, entre outros, pelas suas excelentes análises sobre o Tratado Constitucional europeu. Ao Mário Cunha, que tem andado compreensivelmente afastado da blogosfera, mas cuja comparência se reclama.

:: enviado por JAM :: 4/19/2005 10:20:00 da manhã :: 2 comentário(s) início ::

segunda-feira, abril 18, 2005

Apenas uns bons momentos

Durão Barroso, passou férias num barco privado de um milionário grego, depois da sua nomeação para liderar o executivo da União Europeia no Verão passado.

:: enviado por JAM :: 4/18/2005 03:58:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Ainda o modelo nórdico

Como referimos aqui, a Finlândia é a campeã do mundo da educação. Independente desde 1917, após oito séculos de domínio sueco e um século de domínio russo, a educação foi sempre um dever nacional, para resistir ao niilismo. Hoje, mais do que nunca, para alimentar uma economia de ponta, que exige engenheiros altamente qualificados, o país faz tudo para dar boas condições aos seus alunos: a escola é gratuita, bem como os transportes escolares e os almoços. Os horários são suaves: as aulas começam às 8 horas e terminam às 13. A escolaridade é obrigatória dos 7 aos 16 anos e o abandono escolar é praticamente inexistente.
Quanto, apesar de todos os esforços, aparecem casos de insucesso escolar, nem pensar em fazê-los repetir o ano, prática demasiado estigmatizante e contraproducente. Um problema de dislexia, uma estagnação na matemática, uma timidez paralisante, ou simplesmente o facto de falar mal finlandês? Neste caso, professores especializados, dois ou três por estabelecimento, ocupam-se destes alunos em aulas particulares, dando assim uma mãozinha ao professor da classe.

Continue a ler Os professores no modelo finlandês.

:: enviado por JAM :: 4/18/2005 02:20:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

domingo, abril 17, 2005

Magister?

O famoso e controverso Professor Marcelo virou pecador arrependido. Depois de nos brindar a cada emissão com o seu famoso "dezer", decidiu agora mostrar-nos uma outra faceta da seu conhecimento enciclopédico, a de linguista. É verdade que o senhor ministro da agricultura nos presenteou com um sonoro "póssamos", mas reparar nesse lapso não dá ao professor qualquer legitimidade neste domínio...
Em Portugal, professores há muitos.

:: enviado por RC :: 4/17/2005 09:42:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, abril 15, 2005

O fim dos machos latinos

O novo código civil espanhol obrigará homens e mulheres a compartilharem as responsabilidades domésticas e os cuidados e atenções aos ascendentes, descendentes e outras pessoas dependentes a seu cargo. Esta obrigação passará a ser uma das exigências dos contratos de casamento. Todo o homem que se recuse a mudar as fraldas do bebé ou a participar nos trabalhos caseiros converter-se-á num infractor e poderá, por isso, perder o direito à guarda dos filhos, em caso de divórcio.
Uma lei que poderá inverter a tendência e tornar-se mesmo discriminatória contra o homem – já que a mulher dificilmente será suspeita de se baldar às suas obrigações no lar – num país onde 40% dos homens não são capazes de levantar um dedo para colaborar nas tarefas domésticas. É quanto basta para transformar o macho latino espanhol numa espécie em vias de extinção.

:: enviado por JAM :: 4/15/2005 06:48:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

O verbo e o delírio

O artigo é longo e cheio de bla... bla... bla... em pretenso desenvolvimento do tema: Como vamos salvar este país?.
Daqueles artigos que se “lêem” numa diagonal muito inclinada e nos fazem cair rapidamente no espaço de comentários. E aí, salta aos olhos, como um holofote fortíssimo, o comentário seguinte:

Se realmente queremos melhorar a competitividade das empresas portuguesas e criar mais postos de trabalho, bastará tomar algumas medidas, absolutamente comportáveis e benéficas para a nossa economia. Fixar o horário semanal em 50 horas. Baixar a idade de reforma para os 60 anos, e permitir que, sem penalização, quem quiser possa passar à reforma a partir dos 55 anos, sendo obrigado, a partir dessa idade a descontar para a segurança social sem que tais descontos possam ser reflectidos numa eventual futura melhoria da sua reforma. Melhorava-se assim, a competitividade das nossas empresas, o que resultaria na criação de mais postos de trabalho.

Como é deslumbrante a natureza humana!!!

:: enviado por JAM :: 4/15/2005 11:24:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::

quinta-feira, abril 14, 2005

Chapa quatro

Não é nosso hábito trazer a clubite para o Briteiros. Mas, convenhamos que, depois de ter perdido o jogo da primeira mão e depois de ter passado quase toda a primeira parte a perder, o resultado final de 4-1 é mais do que obra. Depois da exibição desta noite, o Sporting merece jogar a final da Taça UEFA, no dia 18 de Maio, no Estádio Alvalade XXI.

Leia mais... >>>

:: enviado por JAM :: 4/14/2005 10:23:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Ça tombe bien, les grenouilles

E nesses tempos havia um homem chamado Moisés Chirac que defendia uma constituição para o seu, ou quase seu, reino. Mas o povo, teimoso, insistia em querer votar NÃO. E Moisés disse que, caso não votassem sim, seriam assolados por dez pragas que lhes vergariam os joelhos e os obrigariam a ceder. Mas o povo dizia não.

—— Se não votarem sim as águas ficarão cor de sangue.
O povo pensou logo que o tipo se tinha enganado e que nos rios correria o vinho tinto de Bordéus. E votou não.

—— Se não votarem sim haverá uma praga de rãs.
O povo pensou “ça tombe bien les grenouilles”! E votou não.

—— Se não votarem sim encho-vos de piolhos.
O povo pensou que não era nada que um bom champô não resolvesse! E votou não.

—— Se não votarem sim encho-vos de moscas.
O povo pensou que as moscas eram sempre as mesmas! E votou não.

—— Se não votarem sim haverá peste no gado.
O povo pensou que nada poderia ser pior que as vacas loucas! E votou não.

—— Se não votarem sim encho-vos de úlceras e tumores.
O povo pensou que os seus serviços de saúde ainda não tinham sido privatizados! E votou não.

—— Se não votarem sim encho-vos de granizo.
O povo pensou que bastava esticar o copo e o uísque seria logo “on the rocks”! E votou não.

—— Se não votarem sim encho-vos de gafanhotos.
O povo pensou que os campos baldios ficariam limpos de vegetação e assim haveria menos perigo de fogos no Verão! E votou não.

—— Se não votarem sim haverá três dias de escuridão.
O povo pensou que dava jeito uma ponte! E votou não.

—— Vejam que em Portugal toda a gente que é gente defende o sim.

O povo pensou que se só podia dar uma resposta nem valia a pena responder. Foi tudo para a praia ou jogar “boules” e beber o seu “pastis”.
Votar com os pés também é votar?

:: enviado por RC :: 4/14/2005 05:44:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Referendos perversos ou opiniões perversas ?

“[...] os referendos, parecendo a forma mais democrática de tomar decisões, acabam, muitas vezes, por ter efeitos perversos terríveis. Henrique Monteiro – Expresso Online
Ou seja, os referendos só são bons quando não haja a mínima hipótese de o resultado ser contrário àquele que queremos.

Mas que “efeitos perversos terríveis” serão esses, em caso de um “Não” à Constituição Europeia ? Nada mais nada menos que uma Europa paralisada ! Paralisada !? Claro ! é por isso que a Suécia e a Inglaterra vivem na desgraça porque votaram “Não” ao euro e a Noruega soçobra na indigência por não ter aderido à União Europeia.
O que é perversa é esta maneira de pensar em que se parte do princípio que as pessoas são demasiado estúpidas para poderem participar numa decisão e só se lhes deve perguntar (de vez em quando) quem serão as “sumidades” que podem tomar decisões em seu nome.
Não pedi nenhum referendo à Constituição Europeia mas, a partir do momento em que se faz um (e considero que há assuntos suficientemente importantes para necessitarem de um referendo), tenho o direito de votar “Sim” ou “Não” em função das minhas convicções e aceitar, democraticamente e sem dramas, o resultado. O resto ou é conversa ou pura chantagem.


:: enviado por U18 Team :: 4/14/2005 04:41:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Yagoohoogle!!!

O motor de busca Google procura normalmente uma vasta gama de informações, mas dá muitas vezes resultados inúteis. Por seu lado, Yahoo filtra de tal modo a informação, que esconde por vezes resultados pertinentes. Se você é daqueles que costuma hesitar entre Google e Yahoo, acabaram-se os seus problemas: vai poder usar os dois ao mesmo tempo. O norueguês Asgeir Nilsen combinou os dois principais motores de busca numa só página.
Com http://yagoohoogle.com/ não haverá mais hesitações.

:: enviado por JAM :: 4/14/2005 03:25:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

O jogo perigoso de Pequim


© Desenho de Stephff – The Kuwait Times

O caso dos manuais de História japoneses inflamou os espíritos do Extremo-Oriente. A China mobilizou-se ao mais alto nível para manifestar o seu repúdio àquilo que considera revisionismo em relação aos capítudos mais dolorosos da invasão japonesa e da Segunda Guerra Mundial. Não há dúvidas que Pequim dá mostras de grande condescendência para com estas manifestações “espontâneas” que servem o seu discurso político. A mesma China que reprimiu da forma mais violenta as célebres manifestações da praça Tianamen, organizou agora excursões de autocarros que trouxeram para a cidade os inúmeros manifestantes de exacerbado espírito nacionalista.
Só que nada justifica o desenvolvimento do nacionalismo chinês ligado unicamente às questões do passado. A verdadeira explicação descobre-se nas palavras do 1° ministro chinês, Wen Jiabao, numa conferência de imprensa, há dias, na India, em que declarou que “só uma nação respeitadora da História, reconhecedora das suas responsabilidades históricas e inspiradora da confiança dos povos asiáticos e do mundo, poderia assumir as maiores responsabilidades no seio da comunidade internacional”.
Para bom entendedor, é quanto basta para compreender que o regime chinês provocou toda esta tempestade só para boicotar a candidatura do Japão a um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU.

:: enviado por JAM :: 4/14/2005 09:18:00 da manhã :: 3 comentário(s) início ::

quarta-feira, abril 13, 2005

A capacidade do género humano

Do ponto de vista liberal, a linha de fronteira entre direita e esquerda só poderá fazer sentido se separar aqueles que, por acreditarem na capacidade do género humano e nos indivíduos, preferem a liberdade e um domínio público muito reduzido, e aqueles que, por duvidarem dos homens e das suas capacidades, lhe retiram espaço e manobra e o substituem, no seu dia-a-dia, pelo Estado.
A propósito desta pérola, deixo-vos aqui um bom exemplo da capacidade do género humano e dos indivíduos:

O mítico construtor britânico MG Rover pode ter ficado completamente falido na semana passada, mas, em contrapartida, os quatro directores da casa-mãe, John Towers, Nick Stephenson, Peter Beale e John Edwards – os chamados “Phoenix Four” – mais um quinto homem, Kevin Howe, que foi nomeado presidente em 2000, vão sem dúvida poder gozar uma reforma dourada. O Guardian conta que estes directores fizeram-se pagar a módica quantia de 40 milhões de libras (cerca de sessenta milhões de euros), desde que compraram a empresa à BMW, em 2000, por apenas 10 libras. Para além disso, venderam os terrenos onde se encontra implantada a sede da empresa, em Longbridge, a uma agência de desenvolvimento regional, ficando depois a pagar uma renda em sistema de leasing.
Entretanto, uma empresa chinesa, que se esperava poder vir a adquirir a MG Rover e salvar os seus seis mil postos de trabalho, acabou por recuar, após ter pago 67 milhões de libras no ano passado pelos direitos que lhe permitem fabricar os motores Rover na China, sem para isso ter que ficar com a empresa britânica.

Agora, depois de terem lido esta notícia (e outras como esta, cada vez mais frequentes) venham-nos falar de “neoliberalismo” e de “acreditar na capacidade do género humano e nos indivíduos”. Por este andar, estes mesmos senhores estarão brevemente a apregoar os ideais do “neofeudalismo”.

:: enviado por JAM :: 4/13/2005 09:05:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::

terça-feira, abril 12, 2005

O debate, versão Chirac

Não sei como vai decorrer a campanha do referendo sobre a Constituição Europeia em Portugal. Se for como em França a coisa promete. Primeiro anularam uma entrevista com Durão Barroso na televisão (parece que cada vez que o homem fala o “Não” aumenta ...) depois proibiram o 1° Ministro de fazer campanha (nem precisa de falar para que o “Não” suba, basta aparecer). Amanhã é a vez de Jacques Chirac entrar na campanha pelo “Sim” através de um debate televisivo. Debate ? Nem por isso.
Incapaz de discutir com adultos, escolheu uma plateia de 80 jovens (!?) e três apresentadores de TV para lhe fazerem as perguntas.
Democracia ? Pois ...



Não custa nada !
Arranjas uns putos, pões a Júlia Pinheiro e a
Teresa Guilherme a fazer perguntas e tá feito !

:: enviado por U18 Team :: 4/12/2005 04:49:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Amigos como sempre

Depois da reunião com o primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, no seu rancho no Texas, George W. Bush afirmou aos jornalistas que Israel poderia manter os seus colonatos na Cisjordânia, dentro de um futuro acordo de paz. Não se percebe muito bem como é possível conciliar manutenção de colonatos com acordos de paz, e muito menos com o caminho para uma verdadeira autonomia política do povo palestiniano...
Como é evidente, na Palestina, os sentimentos são hoje de raiva e de frustração por mais esta prova de desonestidade do presidente dos Estados Unidos.

Para terem uma ideia da amplitude dos problemas que a manutenção dos colonatos judeus em território da Cisjordânia podem causar ao processo de paz, sugiro-vos que aumentem a seguinte imagem que representa a distribuição dos colonatos. A construção dum Estado independente palestiniano neste cenário, só poderá ser uma tremenda farsa.


(clique na imagem para aumentar)


:: enviado por JAM :: 4/12/2005 04:17:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Habemus papabile

O caderno de encargos dos cardeais é considerável. No espaço de uma semana, deverão avaliar o impacto mundial do acontecimento, procurar analisar a situação da Igreja, definir o retrato-robot do sucessor ideal, reflectir sobre os candidatos potenciais. Como encontrar, num espaço de tempo tão curto, um papa que não seja um simples clone de João Paulo II, mas que saiba tirar proveito da dinâmica criada pelo seu funeral, capitalizar a enorme afeição que lhe foi manifestada pelas multidões do mundo inteiro, a simpatia de tantos países ligados ao seu combate, as relações com as outras confissões religiosas que vieram a Roma confirmar a sua obra de diálogo? É esta a dor de cabeça e a tarefa espinhosa da equipa de cardeais que formarão o conclave da próxima semana.
Quanto a nós, dada a crescente influência do papa na condução dos destinos do mundo, em tudo o que isso tem de bom e de mau, e apesar das suas poucas hipóteses, resta-nos torcer pelo nosso papabile José da Cruz Policarpo.

A propósito dos obituários de J. P. II, recomendamos a leitura do extensíssimo mas excelente São João Paulo Magno, aquele do preservativo.

:: enviado por JAM :: 4/12/2005 09:10:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, abril 11, 2005

Fazer amor em nome da ciência

Apesar do subcontinente indiano ter sido, até agora, relativamente poupado pela epidemia da SIDA, estimando-se o número actual de portadores da doença em menos de 1% da população, a batalha contra o vírus da imunodeficiência humana é levada muito a sério. A tal ponto que, ao longo dos próximos 12 meses, centenas de mulheres de Pune, a 150 Km de Bombaim, deverão fazer amor duas vezes por semana, no mínimo, afim de testar a segurança dos microbicidas que, a avaliar pelos resultados conseguidos nos macacos, poderão impedir a transmissão do vírus da SIDA. Para isso, assinaram um formulário através do qual se comprometem a participar num protocolo de investigação médica.
As mulheres indianas não atingiram ainda o nível de autoridade suficiente para conseguirem convencer os parceiros sexuais a usarem preservativos, o que as torna particularmente expostas a todo o tipo de infecções que os cônjuges possam trazer para casa. Os microbicidas constituem assim um meio seguro e discreto de se protegerem. Tratam-se de produtos inodoros, incolores e insípidos, pelo que nada obriga as mulheres a revelarem aos seus parceiros que os estão a usar.
Estima-se que este método poderá tornar-se o mais popular na luta contra a SIDA e que, ao longo dos próximos três anos, mais de 20 mil mulheres – sobretudo asiáticas e africanas – deverão testar diferentes produtos deste tipo.

Leia mais... >>>

:: enviado por JAM :: 4/11/2005 09:15:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

domingo, abril 10, 2005

O grão de areia na máquina judicial

“Se a questão da redução das férias judiciais fosse para levar a sério, o Governo estaria comprar uma guerra que os juizes não desejam mas que vendem barata”. Não, não foi um sindicalista alucinado que pronunciou esta frase mas o Dr. Nunes da Cruz presidente do STJ e 4ª figura na hierarquia do Estado. O Dr. Nunes da Cruz não quer que lhe reduzam as férias ( quem quereria !?) e, pelo caminho, queixa-se de que os juizes têm “toneladas” (!?) de processos em casa que só podem ler e ditar sentença durante as férias (e eu que pensava estarem os processos fechados a sete chaves nos tribunais ! segredo de justiça, protecção de vitimas, e tudo isso...).
Fica finalmente resolvido o mistério do mau funcionamento da Justiça: mesmo supondo que os Srs. Drs. Juizes não lêem os processos na praia (pessoalmente, nunca vi nenhum a fazê-lo) entre a leitura de um processo e uma ida à praia para retemperar forças, haverá sempre um grão de areia mais renitente que acabará por ir parar ao processo e emperrar a máquina da Justiça.


:: enviado por U18 Team :: 4/10/2005 03:57:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

A Assembleia Geral do PSD

Não é que estivesse à espera de um grande debate ideológico neste Congresso do PSD, que os tempos não estão para isso e as ideias não abundam, mas, caramba, ao menos esperava alguma discussão sobre princípios, ideologias, posicionamento partidário. Enfim, essas coisas de somenos que distinguem um partido político de uma empresa. Em vez disso assisti a uma espécie de Assembleia Geral empresarial com um ex-presidente a justificar, perante os accionistas, os maus resultados devido a factores externos à empresa e não à sua incompetência, dois candidatos a Director Geral a mostrarem curriculum de bons administradores e a prometerem melhores resultados e um director de uma multinacional a guardar-se para quando o mercado for mais favorável.
Como pano de fundo a ideia de que são melhores que a concorrência. Porque sim.


:: enviado por U18 Team :: 4/10/2005 03:28:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

O protagonista

Não vale a pena elaborar muito sobre a contradição entre a concorrência que António Borges anda a apregoar e o que ele próprio aconselha na sua actividade profissional. Mas talvez seja oportuno notar que a instituição que ele lidera – o banco de investimento Goldman Sachs – empurrou o Estado português para uma solução (?) impossível, que a Comissão Europeia vetou por, justamente, ser contra o mercado. Atendendo ao que o Estado português lhe pagou para isso, o mínimo que se pode dizer é que foi dinheiro malgasto.

:: enviado por JAM :: 4/10/2005 01:42:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::

sábado, abril 09, 2005

Uma imagem vale mais do que mil palavras

O Ministério do Interior da Bélgica reconheceu que existem fotos que comparam as expressões faciais de George W. Bush às de um chimpanzé, num manual destinado à formação dos polícias belgas. As fotos, que circulam há muito tempo na Internet, foram utilizadas no manual para ilustrar, de um modo lúdico e humorístico, a importância da linguagem corporal. Neste caso, mostram o presidente americano pensativo, hesitante ou com a língua de fora,... tendo ao lado uma fotografia dum macaco em atitudes similares.
Embaraçado, perante o escândalo, o ministro Patrick Dewael prometeu retirar as fotos do manual em questão e recorda agora aos polícias belgas que... “Bush não é um chimpanzé”.

Leia mais... >>>

:: enviado por JAM :: 4/09/2005 11:11:00 da manhã :: 4 comentário(s) início ::

sexta-feira, abril 08, 2005

O aperto de mão da paz

Por ocasião da visita do presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono, Xanana Gusmão fez um apelo aos timorenses para que esquecessem o passado amargo e não se manifestassem contra a vinda do chefe de Estado indonésio, o primeiro a visitar Timor-Leste depois da restauração da independência, em 20 de Maio de 2002. Como símbolo da reconciliação, o presidente Yudhoyono visitará amanhã o cemitério de Santa Cruz, palco do sangrento massacre de 1991.

:: enviado por JAM :: 4/08/2005 10:42:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

sic transit gloria mundi

Pobre Pedro, falou, falou, falou e as televisões transmitiram quarenta e cinco segundos...
São só facadas.

:: enviado por RC :: 4/08/2005 09:40:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Liberdade Igualdade Fraternidade

Um relatório da Amnistia Internacional acusa a polícia francesa de fazer um uso excessivo da força e de torturas, algumas das quais conduziram a assassinatos, sobre imigrantes, na sua maioria de origem árabe ou africana. Em França, as queixas contra a polícia aumentaram 20% em 2004 mas, segundo a Amnistia Internacional, muito poucas chegam aos tribunais e muito menos ao reconhecimento da culpabilidade das forças da ordem.

:: enviado por JAM :: 4/08/2005 12:19:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

O « não » britânico

Na Grã-Bretanha, as eleições antecipadas são um acontecimento natural e são normalmente convocadas pelo primeiro ministro – que herda da rainha o poder de dissolver a Câmara dos Comuns. Estatisticamente, é mais provável o partido no poder ser reeleito na sequência de eleições antecipadas, do que em eleições normais no final do mandato de cinco anos.
Desta vez, as eleições estão marcadas para 5 de Maio, quatro anos após as anteriores eleições legislativas. Se for reeleito, Tony Blair partirá para o seu terceiro mandato e, segundo já deu a entender, não se recandidatará a um quarto.
Ora, como está previsto um referendo à Constituição europeia em 2006, o mais provável é que os eleitores sejam tentados a dar a vitória ao partido trabalhista, no próximo mês, para depois lhe reduzir o mandato a um ano, votando “não” no referendo. De acordo com as sondagens actuais, os partidários do “não” são duas vezes mais numerosos que os defensores da Constituição. Nesse cenário, a presença da Grã-Bretanha na União ficaria seriamente comprometida. Tal como a carreira política de Tony Blair.

:: enviado por JAM :: 4/08/2005 11:32:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Da ignorância...

"[...] da ignorância nasce a pedagogia [...]"

Frase ouvida a deputado municipal em Assembleia Municipal do centro deste nosso jardim.

Alguém quer tentar adivinhar de que bancada? Alguém comenta? Eu fico sem palavras...

:: enviado por RC :: 4/08/2005 12:46:00 da manhã :: 2 comentário(s) início ::

quinta-feira, abril 07, 2005

Por falar em directiva Bolkestein

A administração Bush, ao tentar impor a equivalente local da directiva Bolkestein, está com grandes dificuldades em convencer os diferentes Estados dos benefícios da concorrência no âmbito dos acordos sobre as trocas livres multilaterais. No Maryland, por exemplo, foi aprovada recentemente uma lei estabelecendo que todos os trabalhos sob contrato realizados por conta do Estado, deverão respeitar as leis locais do Maryland. Isso implica que nenhum acordo de troca livre que ponha em causa as leis do trabalho – o salário mínimo, por exemplo – ou do ambiente, deve ser assinado.
Segundo o Washington Times, os Estados estão em alvoroço, porque o Congresso Federal se prepara para votar o acordo de Troca-Livre entre os Estados Unidos e a América Central (CAFTA), o que é motivo de inquietação em virtude do dumping social e dos riscos de desemprego que não deixarão de surgir. Sujeitos às pressões da Casa Branca, quase metade dos Estados acabaram por assinar a CAFTA, mas há ainda vinte e nove que exigem garantias de que as suas leis sociais e ambientais serão respeitadas.
Em suma, esta coisa de usar a mão de obra de países baratos, ao serviço de empresas com origem e espaço de actuação em países caros, corre o risco de se tornar numa das maiores pragas, não só da Europa, mas de todo o planeta.

:: enviado por JAM :: 4/07/2005 11:38:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, abril 06, 2005

Sr. Bolkestein :

Li com atenção as suas declarações no périplo que, desde ontem, tem andado a fazer pelos órgãos de comunicação franceses. Afinal, de um ponto de vista humano, compreendo o incómodo de ter o seu nome ligado a um documento que começa a ser conhecido por “Directiva Frankenstein” e de o ligarem a um possível “não” francês à Constituição Europeia.
Registei com interesse o seu amor pela democracia: “sou contra o princípio dos referendos” e vamos esquecer a lenga-lenga do costume sobre a baixa de preços, aumento de rendimentos, crescimento da economia e diminuição do desemprego que o liberalismo nos pode trazer (tudo ao mesmo tempo, pois claro!, só se esqueceu de mencionar o pequeno detalhe de os benefícios serem apenas para uma pequena minoria). O que me prendeu a atenção foi a sua declaração de que “a Directiva apenas se aplica ao canalizador polaco que vai a França, porta a porta, oferecer os seus serviços. A Directiva é só para as profissões liberais deste género” !. Ora bem, ou o sr. é ingénuo ou acha que somos todos parvos.
Como estou certo que é ingenuidade, vou-lhe explicar como vou fazer: abro uma empresa de informática na Polónia, contrato montes de informáticos por toda a Europa em regime de profissão liberal e vendo os seus serviços em França e na Alemanha. Ganho nos salários, nas contribuições sociais, nos impostos, enfim ... depois convido-o para uma volta no iate.

PS: Ao pesquisar na Net as suas declarações fui parar, asbsolutamente por acaso, à sua declaração de “interesses financeiros” quando foi Comissário Europeu. Quase tive pena de si. Nem uma acção, nem um apartamento, nem uma casita na praia. Nada. Só tem alguma coisa “para uso estritamente pessoal ou da família”. Para quem foi director da Shell, deputado e ministro, convenhamos que é obra. É claro que não tenho nenhuma razão para duvidar de si. De certeza que o seu pensamento liberal de redistribuição da riqueza o fez partilhar os seus rendimentos com os mais desfavorecidos.


:: enviado por U18 Team :: 4/06/2005 04:04:00 da tarde :: 4 comentário(s) início ::

Último adeus a Rainier III


(clique sobre a imagem para aumentar)

Imagem rara do principado monegasco, numa altura em que a Lua e Mercúrio, quase alinhados no crepúsculo, velam sobre o Mónaco e o seu Príncipe – foto NASA.

:: enviado por JAM :: 4/06/2005 09:52:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, abril 05, 2005

Ocupação indecente

Ontem foi a notícia de que Israel está a usar os territórios palestinianos ocupados como lixeira, em flagrante violação das obrigações dos ocupantes segundo o Direito internacional. Assim é fácil demais – acabam-se os eternos problemas dos resíduos e da incineração – mas demonstra, uma vez mais, que Israel continua disposto a adoptar todo o tipo de medidas opressoras, mesmo aquelas que mais fazem lembrar as que vitimaram a anterior geração de judeus, nos campos de concentração nazis.

Hoje, o escândalo é outro: Ariel Sharon decidiu alargar o colonato judeu Maale Adumin, próximo de Jerusalém, de modo a fazer dele uma extensão da cidade santa, com o intuito de a tornar definitivamente indivisível. Isto, apesar da preocupação dos Estados Unidos e dos protestos palestinianos, que vêem nesta decisão um sério entrave à criação de um Estado independente na Palestina, com a capital em Jerusalém-Este.

:: enviado por JAM :: 4/05/2005 03:55:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Psicose à escala americana


(clique na imagem para aumentar)

O maior exercício alguma vez realizado para aprender a reagir e a defender-se dum ataque biológico e químico começou ontem nos Estados Unidos. O exercício vai durar até à próxima semana e vai custar 16 milhões de dólares. Mais de 10 mil pessoas estarão envolvidas, incluindo responsáveis canadianos, britânicos e americanos.
Os hospitais, os serviços de urgência, as esquadras da polícia e os quartéis de bombeiros participam activamente na simulação à escala real. Os jornalistas receberam as informações, como se tivesse acontecido um ataque verdadeiro, e as televisões vão transmitir todas as informações em directo para ajudar os responsáveis a testarem a maneira como se processa a comunicação com o público em caso de crise.

Leia a notícia no Washington Post (inscrição gratuita).

:: enviado por JAM :: 4/05/2005 10:29:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, abril 04, 2005

Mas afinal...

Ligo-me ao mundo e parece que o Papa morreu...
Aconteceu mais alguma coisa? Parece que não. Que saudades que já tenho do Santana Lopes, com aqueles ministros e ministras havia sempre algo para comentar. Agora, logo agora que eu queria voltar a escrever tinha que morrer o Papa. Já é azar.
Mas esperem lá, que leio eu? Rádio para surdos... tenho que ir ler isto. Só um momento...
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" A rádio de informação TSF, que integra o grupo Lusomundo Media, vai realizar das 08:00 às 22:00 de quinta-feira a primeira emissão radiofónica em Portugal para surdos, divulgou hoje a estação..."
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"A percepção do público surdo dos conteúdos transmitidos pela rádio será feita através de um endereço online (capacidades.org.pt), onde todos os sons da emissão serão traduzidos na língua gestual portuguesa."

Ora aí está uma boa notícia. E a música? Alguém imagina a linguagem gestual aplicada à "lírica" do Quim Barreiros?
Ah! Admirável Mundo Novo...

:: enviado por RC :: 4/04/2005 09:36:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Recado da China para o novo papa

Ao enviar uma mensagem de condolências ao Vaticano, em nome dos cerca de 5 milhões de católicos chineses, Pequim espera que as relações com o Vaticano melhorem após a nomeação do sucessor de J.P. II. Só que, para isso, a China exige do Vaticano duas coisas: a primeira é que corte as relações diplomáticas com Taiwan e, a segunda, que deixe de meter o nariz nos assuntos internos chineses e, em particular, nos assuntos religiosos.
A China, que actualmente não reconhece o papa, divorciou-se da Santa Sé nos anos 1950, após ter expulso todos os missionários estrangeiros, e criou a “Associação Católica Patriótica da China”, cujos membros deverão obedecer directamente às autoridades chinesas – e não ao papa – para poderem praticar livremente a sua fé. No Sábado passado, foram presos um padre e um bispo, octogenários, na província de Hebei. Outros padres têm estado, dia e noite, sob vigilância policial.
Após a conversão dos comunismos do Leste europeu, tida como a obra mais importante de J.P. II, não admiraria que fosse agora escolhido, para papa, um “tigre” asiático com a missão principal de converter o grande dragão chinês.


:: enviado por JAM :: 4/04/2005 04:10:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Os caprichos da Mona Lisa

Hoje, os visitantes do Louvre não vão poder ver a Gioconda. O quadro vai ser transferido para uma sala, inteiramente renovada, que acolherá 1500 visitantes por hora. Mais de 90% dos turistas que visitam o Louvre têm como principal objectivo ver o célebre sorriso da Mona Lisa. A loja do museu vende todos os anos 330 mil artigos representando a Gioconda. Por isso, o Louvre resolveu informar 6 mil agências de viagens que o quadro não seria acessível ao público no dia 4 de Abril. Senão, que aconteceria se os visitantes japoneses ou americanos descobrissem apenas uma palavra de desculpas no lugar do quadro?
Por seu lado, os conferencistas queixam-se do interesse obsessional do público por este quadro, enquanto os guardas protestam contra o barulho, os flashes das máquinas fotográficas e os carteiristas.
Enfim, a Mona Lisa tornou-se uma verdadeira diva de exigências escandalosas que não pára de exasperar a conservadora do museu, Cécile Scailliérez, para quem “a Mona Lisa é uma peste; é ela quem fixa as suas próprias leis”. A Gioconda suscita pelo menos uma carta por semana, muitas vezes bizarra. Madame Scailliérez tenta responder a todas, mesmo à de um numerólogo que dizia ter encontrado uma relação incrível entre as dimensões do quadro e a data de nascimento do pintor. Muitos guias começam a visita pela sala da Gioconda, onde devem falar do outro extremo da sala e esperar que os turistas tirem todas as suas fotografias diante do quadro, para ficarem mais tranquilos no resto da visita.
No entanto, os conservadores dos outros departamentos, que a maioria dos turistas visita apressadamente para ter mais tempo para ver a Mona Lisa, não estão propriamente descontentes. Para eles, barafustar contra o sucesso da Gioconda seria como queixar-se por se ser rico.

:: enviado por JAM :: 4/04/2005 07:25:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

domingo, abril 03, 2005

Será que os franceses nos vão salvar?

Em França, a oposição à Constituição europeia concentrou-se à esquerda, enquanto que, por exemplo, na Grã-Bretanha é feita sobretudo pela direita. Mas as diferenças entre as campanhas do “não” contam menos do que aquilo que as une, ou seja, a vontade dos eleitores de se verem livres daquilo que os franceses chamam “a ditadura dos tecnocratas”. Se o execrável Tratado constitucional de Valéry Giscard d’Estaing for rejeitado pelos seus próprios compatriotas, o projecto federal europeu ficará seriamente comprometido. A UE poderá então reconstituir-se segundo um esquema menos ambicioso mas mais adaptado às complexidades da globalização da economia de mercado.
Será que os franceses nos vão salvar? On verra.

PS: Este ponto de vista é o do europeu médio e não necessariamente o da grande maioria dos cidadãos portugueses. Parece-me que, no panorama actual, os portugueses não têm muito a perder com a aprovação do Tratado constitucional. É que, as coisas aqui já estão tão más, tanto a nível económico, como a nível social, que mesmo nivelando por baixo é impossível que a Constituição europeia nos traga algo de pior do que aquilo que já temos.

Vale a pena ler também a argumentação do J. Mário Teixeira Pelo “Não” à Constituição Europeia [a génese das coisas].

:: enviado por JAM :: 4/03/2005 04:23:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Um grande dia para a justiça no Darfur

O procurador do Tribunal Penal Internacional tomou ontem conhecimento da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que remete para julgamento em Haia os responsáveis por crimes de guerra cometidos na região sudanesa do Darfur, onde nestes dois últimos anos 300.000 pessoas já terão sido vítimas do conflito entre as milícias árabes e os civis negros.
A resolução votada quinta-feira, depois de longas semanas de conversações, deve permitir ao tribunal julgar os responsáveis pelas atrocidades verificadas na vasta região, que entrou em ebulição precisamente quando estava prestes a resolver-se o conflito no Sul do país, onde havia guerra há mais de um quarto de século. As Nações Unidas entendem que o regime árabe de Cartum tem feito muito pouco para desarmar as milícias acusadas de violações, assassínios e incêndio de aldeias.


Excelente vitória da diplomacia francesa que teve um papel importante na mudança de posição de Washington que ameaçava vetar a resolução. Ao abster-se, a administração Bush procedeu a uma importante concessão, sobretudo porque os Estados Unidos não reconhecem a competência nem a legitimidade do Tribunal Penal Internacional em matéria de genocídios e crimes de guerra. Pudera! Imaginem só o que aconteceria se o TPI se lembrasse de julgar os crimes de guerra no Iraque!...

:: enviado por JAM :: 4/03/2005 12:56:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Povo

E agora deixemos o Papa. Não posso aceitar que, devido ao estatuto que tinha, a sua morte tenha mais peso do que a morte dos cidadãos anónimos aniquilados todos os dias pelas guerras, pela fome, pela doença, pela velhice, e, pior do que isso, em circunstâncias com as quais J. P. II não teve de se confrontar: a violência armada, a exploração e o abandono, os maus tratos, a carência dos bens e/ou dos direitos mais elementares que tornam digna a vida humana.
Àcerca desses que pura e simplesmente não têm estatuto, segue um extracto de um poema que não sei bem se é do Guerra Junqueiro ou do Gommes Leal, mas lá vai:

Povo! No pano cru rasgado das camisas
Uma bandeira penso que transluz!
Com ela sofres, bebes e agonizas:
Listrões de vinho lançam-lhe divisas
E os suspensórios traçam-lhe uma cruz.


Será uma poesia datada, demodé, demagógica até, mas não é bonita?

:: enviado por Manolo :: 4/03/2005 12:07:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

sábado, abril 02, 2005

A agonia dos últimos pontífices

O fim de João Paulo II, no sofrimento, fez lembrar o de João XXIII. O diário argentino La Nación evoca a morte do cognominado “Papa bom”, que suportou, com um admirável estoicismo, uma agonia de vários dias devida a um tumor no estômago que lhe provocou hemorragias e que finalmente se terminou numa peritonite. Após um período de coma, morreu aos 81 anos, em 3 de Junho de 1963. João XXIII costumava dizer que morreria de noite, porque de dia não tinha tempo, ocupado como estava a modernizar a Igreja. Foi ele quem convocou, em 8 de Dezembro de 1962, o concílio Vaticano II, destinado a reformar a Igreja.
Paulo VI, que deu continuidade à sua obra, morreu em 6 de Agosto de 1978, após quinze anos de pontificado, duma crise cardíaca na sequência de uma artrose que lhe deformava os joelhos e de uma infecção urinária. No dia da sua morte, deixou a seguinte mensagem: não se esqueçam daqueles que têm fome, que estão doentes ou que não têm trabalho. O seu corpo foi embalsamado imediatamente por causa dos efeitos do calor.
Quanto a João Paulo I – o veneziano Albino Luciani – que morreu após trinta e três dias de pontificado, trata-se de uma morte obscura, cheia de mistério, sobre a qual correram imensas conjecturas. Em 29 de Setembro de 1978, às 5 horas da manhã, uma freira deixou uma chávena de café diante da porta do quarto do papa e encontrou-a cheia quando voltou buscá-la. João Paulo I morreu durante a noite, no seu quarto, de um enfarte do miocárdio, segundo a versão oficial. Mas, desde então, as histórias mais mirabolantes correram sobre a morte do “papa sorridente”, veiculadas pelos média, pela literatura e mesmo pelo cinema. Falou-se de um complot dos altos prelados que o terão feito assassinar, sob a direcção de Jean Villot, então Secretário de Estado do Vaticano. Também foi evocado um acto da franco-maçonaria. Até mesmo a Máfia siciliana foi acusada. E o jornal conclui que “ao recusar uma autópsia, o Vaticano não fez nada na altura para dissipar as dúvidas e o mistério”.

:: enviado por JAM :: 4/02/2005 11:47:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

O Papa morreu e os media não falam de outra coisa

A propósito, duas frases que terão saído da boca de Jesus Cristo:
“Onde houver um cadáver aí se juntarão os abutres”.
”Segue-me e deixa os mortos enterrarem os seus mortos”.

Quanto à Igreja, para ser digna do seu inspirador, deveria interiorizar estas outras duas frases que este também terá dito:
“Vós sois o sal da Terra. Ora se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para nada senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens”
e
“Ninguém pode servir a dois senhores porque ou há-de odiar um e amar outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”.

:: enviado por Manolo :: 4/02/2005 11:42:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, abril 01, 2005

Os recursos do planeta esgotam-se rapidamente

Dentro de trinta a quarenta anos, o bem-estar do homem estará seriamente ameaçado. Esta alarmante constatação é o resultado dum trabalho monumental, realizado durante quatro anos, à escala planetária e sob a égide da ONU, por 1360 especialistas de 95 países. Trata-se do Millennium Ecosystems Assessment (Avaliação dos Ecossistemas para o Milénio).
Conclusões: os homens modificaram os ecossistemas mais rapidamente e mais profundamente ao longo dos últimos cinquenta anos do que em qualquer outro momento da História. Foram postas mais terras em cultura desde 1945 do que durante os séculos XVIII e XIX juntos. Mais de metade dos adubos sintéticos (que existem desde 1913) usados na agricultura foram usados a partir de 1985.
É certo que estas mudanças dos ecossistemas permitiram aumentar o bem-estar humano. Mas o preço a pagar é elevado. As culturas, a criação de gado e a aquacultura aumentaram espectacularmente, acompanhando o crescimento demográfico, mas, apesar de tudo, são insuficientes para acabar com a fome no mundo.
Esta degradação vai agravar-se nos próximos anos e vai certamente impedir a realização dos objectivos do milénio, adoptados pela ONU em 2000, que visam reduzir para metade o número das pessoas que sofrem de fome, até ao ano de 2015.
No entanto, a conclusão final traz uma nota de optimismo: as mudanças importantes de políticas e práticas podem ainda alterar esta tendência. A Organização Mundial do Comércio, por exemplo, deveria analisar os resultados desta avaliação, para melhor decidir sobre as questões de desenvolvimento, ligando-as à gestão da natureza e dos ecossistemas. Mas, este alerta destina-se sobretudo à sociedade civil, que poderá – e deverá – fazer pressão sobre os governos, à escala mundial.
Ou seja, o futuro está nas nossas mãos.

:: enviado por JAM :: 4/01/2005 11:39:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::