BRITEIROS: Agosto 2005 <$BlogRSDUrl$>








quarta-feira, agosto 31, 2005

Alopatia versus homeopatia

Não sei se posso dizer que tenho um espírito cartesiano. Há alguns anos atrás tinha tendência para acreditar cegamente em tudo o que fosse cientificamente provado. Hoje em dia, à medida que a idade vai avançando, dou-me conta, cada vez com mais frequência, que desde que uma teoria científica consegue provar irrefutavelmente qualquer coisa, mais cedo ou mais tarde, haverá uma outra teoria científica que provará o contrário. Por isso, actualmente tenho tendência a ser como o S. Tomé : ver para crer.

Isto tudo vem a propósito de um estudo publicado no prestigioso jornal britânico The Lancet a propósito da eficácia comprovada, ou não, dos tratamentos por homeopatia. O The Lancet publica agora um estudo feito por cientistas suíços et britânicos que conclui que a eficácia da homeopatia não é superior à de um placebo. Isto claro está depois de, por exemplo, em 1994 o mesmo jornal ter publicado um outro estudo que concluía o contrário.

Pois eu a propósito deste assunto gostaria de partilhar mais uma história que envolve os meus filhos. Quando o meu filho mais velho tinha 18 meses começou com um problema de saúde, não muito grave, e comecei a andar de médico em médico. A minha vida tornou-se bastante complicada visto que o problema provavelmente era de origem alérgica, mas não se conseguia descobrir a que produtos. Os médicos recomendavam que retirasse sucessivamente da alimentação do bebé todos os produtos que são susceptíveis de provocar alergias. Suponho que estão a imaginar o difícil que era de gerir e, sobretudo, nunca tive quaisquer resultados. Voltei-me então para a homeopatia. O que é certo é que desde que o miúdo começou a tomar as bolinhas de açúcar, que pensava serem bombons, a situação melhorou bastante e ao fim de pouco tempo os sintomas desapareceram. O tratamento durou cerca de um ano. Fiz três ou quatro interrupções do tratamento durante esse período e assim que parava os sintomas voltavam. Recomeçava o tratamento e os sintomas paravam novamente. Ao fim de cerca de um ano fiz uma nova interrupção e desta vez os sintomas não voltaram a aparecer, até hoje. O meu filho tem agora 15 anos.

Aconteceram-me entretanto outras “success stories” com a homeopatia, mas como me aconteceram a mim própria, ou aos meus filhos depois de mais crescidos, suponho que nesses casos poderíamos entrar nas estatísticas do efeito de placebo.

:: enviado por LGS :: 8/31/2005 11:14:00 da manhã :: 4 comentário(s) início ::

terça-feira, agosto 30, 2005

Cantas bem mas não me alegras

Depois de tanto alarido e de tanta expectativa criada à volta do discurso de hoje à noite num jantar de apoiantes, a montanha pariu um rato: Manuel Alegre falou português (bom português, como não se cansou de sublinhar aos repórteres da TV), falou e disse , e ficámos todos na mesma, sem saber se a sua candidatura à PR vai ou não avançar. Não acrescentou rigorosamente nada ao que já tinha dito em anteriores ocasiões: que se sente capaz de derrotar Cavaco, que não concorda com a candidatura de Soares e…que não quis, não quer ou não quererá dividir o PS. Francamente…
O país atravessa uma crise, que, segundo ele, é muito grave, mas, mesmo assim, o PS não pode ser dividido… e se alguém o dividir, a culpa não será dele, Manuel Alegre.
À boa maneira portuguesa, na hora H, torna-se ambíguo, encolhe-se, endossa a responsabilidade aos outros, não quer dividir, não quer ferir susceptibilidades (afinal, somos todos malta fixe, uns gajos porreiros), não quer incompatibilizar-se com o seu grupinho, com o clã que o tem acolhido estes anos todos no seu reconfortante seio e onde até lhe dão, de vez em quando, o papel de grilo do Pinóquio…
Conclusão: caros concidadãos da nossa prezada República, eu até estava disposto a candidatar-me contra o actual estado de coisas, contra este pântano onde nos afundamos cada vez mais, mas... em pântano infestado de piranhas jacaré nada de costas.
Cantas bem, mas não me alegras…

:: enviado por Manolo :: 8/30/2005 10:42:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

O renascer das cegonhas brancas

Li na edição de ontem do jornal Le Monde que o número de cegonhas brancas se multiplicou por cinco no nosso país durante os últimos 20 anos passando de 1500 em 1984 a 7685 em 2004.

O jornalista explica que este renascer desta espécie que esteve ameaçada de desaparecimento no nosso país se deve principalmente a 2 factores : os esforços das companhias de electricidade, entre as quais a EDP, para reduzir os riscos de electrocussão das cegonhas e a introdução nas nossas zonas húmidas de lagostins da Luisiana que se reproduzem muito facilmente e que as cegonhas brancas muito apreciam para a sua alimentação.

Fiz uma descoberta. Há bastante tempo que me intrigava o facto de os meus filhos durante as férias irem para os riachos da aldeia pescar lagostins com os primos. Isto intrigava-me porque quando eu era miúda apanhávamos nesses mesmos riachos sobretudo enguias e sempre me perguntei através de que milagre as enguias se tinham transformado em lagostins. Agora fiquei a saber que os lagostins foram introduzidos intencionalmente e que têm permitido a cerca de 4000 cegonhas brancas passar o inverno em Portugal evitando-lhes a migração até ao norte de África.

Por outro lado, as pessoas da aldeia é que não gostam lá muito dos lagostins (e na sua maioria suponho que desconhecem como eu que eles foram introduzidos intencionalmente) que, segundo dizem são uma autêntica praga para os arrozais. Temos notado ultimamente, sobretudo os meus filhos, que os lagostins estão em vias de desaparecimento na nossa região.
Suponho que se esteja a tornar urgente encontrar uma forma de conciliar a alimentação das cegonhas com os interesses dos agricultores destas regiões. Se isto não acontecer, imagino que, a breve prazo, o número de cegonhas brancas poderá começar a diminuir novamente.

:: enviado por LGS :: 8/30/2005 10:24:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, agosto 29, 2005

O jardim à beira-mar plantado está a arder

Não darei nenhuma novidade a ninguém se disser que durante as cinco semanas que acabo de passar em Portugal tive nitidamente a sensação que o país estava todo a arder. Tendo-me deslocado nas zonas norte e centro do país não fiz viagem nenhuma sem acabar a conduzir dentro de uma nuvem de fumo (a ponto de frequentemente ter que acender os médios para ter a certeza que os outros condutores me viam), suportando um cheiro a queimado às vezes no limite do suportável. O meu carro estava frequentemente coberto de uma camada de cinza quando lhe pegava pela manhã. Nos quilómetros que percorri penso que me deparei com mais zonas queimadas que verdes. Confesso que foi a primeira vez que tive a sensação que realmente o país inteiro estava a arder sem precisar de ver a televisão e as imagens choque que normalmente transmite.
Durante todo este tempo fui-me perguntando quais seriam as medidas necessárias para acabar com este processo de desertificação do país que se vai agravando de ano para ano e ao qual os homens políticos com responsabilidades governativas parecem indiferentes. Será que as medidas necessárias para acabar ou pelo menos minimizar os incêndios são assim tão difíceis de pôr em prática ? Será que são demasiado onerosas para o orçamento do país?
Recentemente um amigo enviou-me este artigo do José Gomes Ferreira e dei-me conta que com algumas medidas de bom senso, limitar os incêndios e impedir que o nosso país se transforme numa extensão do deserto do Sahara não é assim tão complicado e está perfeitamente ao alcance das autoridades portuguesas.
Agora a questão que me dá voltas na cabeça é porque é que os políticos portugueses continuam a não reagir e a não tomar as medidas que se impõem ?
Será apenas por inércia política? Ou será para não defraudar os diferentes interesses económicos que se encontram por detrás desta queima sistemática do país? Se for este o caso, de certeza que acreditam que com a desertificação vêm sistematicamente os petrodoláres. Porque a não ser assim, continuo a não entender.

:: enviado por LGS :: 8/29/2005 10:02:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::

domingo, agosto 28, 2005

Ai Portugal, Portugal...

Os jovens portugueses que foram ver o Papa à Alemanha levavam várias bandeiras nacionais, alguns vestiam camisolas da selecção nacional e, perante as televisões, gritaram muitas vezes “Portugal! Portugal!”.
Antes de mais, não compreendo que, estando Deus em toda a parte (dizem), se vá à Alemanha para ver um homem, que pode ser tão infalível quanto quiserem, mas não é Deus. Depois, não seria mais coerente que, em vez deste tipo de reuniões/manifestações (para provar que são muitos? Para provar que a Igreja tem futuro?), cada um deles, sózinho ou associado a outros, estivesse no seu posto quotidiano, amando o próximo e dando exemplo?
Quanto aos símbolos nacionais, os jovens estavam lá como católicos ou como portugueses? E foram lá louvar a Deus (ainda que tendo como intermediário o Papa) ou para afirmarem o orgulho de serem portugueses (é fixe ser tuga…) e a convicção de que o “nobre povo, nação valente e imortal” ainda há-de levantar “hoje de novo o esplendor de Portugal”? E acham realmente que podemos ter orgulho em sermos o que somos, como somos, em termos o país que temos?...Palavra de honra?... Acham que é por se ser acrítico com o país que se gosta mais dele e que se consegue melhorá-lo? Não terá sido este excesso de auto-estima que nos trouxe a este ponto em que hoje nos encontramos?...É preferível não ver, não ouvir, não abrir a boca senão para cantar hossanas?...
Hoje (ouvi no telejornal da SIC) a GNR-BT publicou os números relativos aos condutores portugueses que, em operações-stop, apresentaram excesso de álcool no sangue:
Desde Janeiro deste ano, foram 11.086 os apanhados com mais de 0,5 gramas por litro;
e destes 11.086, 3.878 foram detidos porque tinham mais de 1,2 gramas por litro.

:: enviado por Manolo :: 8/28/2005 10:18:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Fomos roubar ao Abrupto

Retalhos de comentários de leitores do Abrupto (com a devida vénia):

"Adicionalmente, muito se tem falado da limpeza das matas privadas. Segundo o Presidente, estas serão 90% da nossa floresta. No entanto, este ano arderam zonas de reserva natural, como na Serra da Estrela, no Alvão ou Montezinho (apenas para dar alguns exemplos). De toda a área ardida, que percentagem pertence ao Estado? Este só poderá dar-se como exemplo se essa percentagem for muito menor do que a proporção que detém da nossa floresta. Gostaria de conhecer esse número, que ainda não vi na comunicação social."

"Pessoas como ela (a maioria das quais vive sozinha) não têm forças nem dinheiro para fazer limpezas nenhumas - e garanto que bem gostariam, não precisariam de as obrigar!
Mesmo que pudessem pagar (com ou sem subsídios), não há, na região, gente para isso, como também não há para as vindimas, para a apanha-da-azeitona, para o pastoreio, etc."

"Há sim uma manifesta incapacidade e bom senso na analise e prevenção da situações.E também uma falta de competencia...bastou ver o ar dos nativos quando os policias-bombeiros da Germania chegaram lá e arregaçaram as mangas e apagaram os fogos, tipica atitude de basbaque tuga.
Não há é real interesse em resolver o problema pelos meios mais correctos da prevenção e vigilância mais adequada humana e tecnologica."

"Mas...e os técnicos desta área já se pronunciaram? Inquieta-me saber que os experts florestais, associados à gestão e conservação, controle de fogos e afins, não tenham nada para dizer!...temos várias escolas de engenharia florestal, criaram-se agências, fazem-se estudos sobre as zonas em risco, fazem-se inventários do coberto vegetal e nada se conclui sobre a possibilidade de medidas preventivas? que tipo de informação produzem estes técnicos? Qual a sua validade? Não deveriam ser estes estudos a base para qualquer acção a tomar?"

"Ontem à noite a RTP 1 abre o alinhamento do Telejornal, inevitavelmente, com o País a Arder. António Vitorino abre o seu espaço de comentário com: o Papa !!!! Deus me perdoe (se exixtir) e os católicos também. Senti-me tão indignada que mudei imeditamente de canal. Quando lá voltei para espreitar se a coisa desenvolvia para o País a Arder, acertei, mas foi sol de pouca dura. Vitorino disse umas patacuadas banais sobre eucaliptos e pinheiros, sobre a necessidade de as pessoas limparem as matas. A única coisa que me animou foi que, segundo este senhor, ainda não chegámos ao número desastroso de hectares ardidos em 2003. Em 2003, sim, é que foi."

:: enviado por Manolo :: 8/28/2005 04:30:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

Reportagem sobre os incêndios - El Pais de 28.08.2005

"REPORTAJE
Las ilusiones devastadas de Portugal
Los incendios que por tercer año consecutivo han devastado Portugal han encendido un debate que va más allá de la falta de medios y previsión para prevenir el fuego en los bosques. Los comentaristas y la clase política se interrogan sobre el rumbo del país, al que no ayuda una coyuntura económica adversa
MARGARIDA PINTO
DOMINGO - 28-08-2005
Por tercer año consecutivo, Portugal se ha enfrentado a una ola de incendios devastadores que los bomberos y los medios de combate disponibles han tenido graves dificultades para controlar. Una especie de fatalidad que se repite cada verano, pese a las promesas de sucesivos Gobiernos y al consenso general sobre las causas estructurales de la tragedia. Este verano, las llamas que devastaron Portugal se transformaron además - en los debates públicos y análisis de comentaristas- en una metáfora de una cierta impotencia general del país ante muchos otros problemas estructurales que limitan su crecimiento y modernización. También en este caso, tras más de tres años de crisis económica, política y social, los diagnósticos son coincidentes.(...)"

:: enviado por Manolo :: 8/28/2005 03:57:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

sábado, agosto 27, 2005

Que seca os incêndios...

È uma seca: os incêndios continuam a lavrar por cá. Hoje, dia em que até não esteve tanto calor como isso, há um incêndio enorme, ainda não circunscrito, perto de Pombal, mais concretamente na Mata do Urso, propriedade do Estado, e que, pelos vistos, está tão abandonada e descuidada como os terrenos privados que o Estado agora vai obrigar por lei que os seus proprietários cuidem e mantenham limpos.
Por estes dias, mais umas coisinhas vieram a lume sobre os incêndios:
- Segundo o presidente da Câmara de Coimbra, o decreto-lei que prescreve a delimitação pelas autarquias de uma área de protecção aos aglomerados urbanos com largura não inferior a 100 metros carece ainda de regulamentação e, de acordo com o mesmo decreto-lei, se as autarquias não procederem a essa desmatação, a Direcção Geral de florestas e Recursos Naturais pode fazê-lo e, depois, cobrar esse serviço às câmaras municipais (mas, pelos vistos, ninguém quer tirar as castanhas do lume…);
- em comunicado de 24 deste mês, a CAP afirmou que o principal programa comunitário de apoio ao investimento florestal, que já conta com 5 anos de existência, apresenta uma taxa de execução de 30%, quando só falta um ano para o programa terminar.
Estejamos atentos porque todos os dias os meios de comunicação nos desvendam mais um bocadinho da verdade por trás do fumo desta praga de Verão.

:: enviado por Manolo :: 8/27/2005 11:16:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, agosto 25, 2005

Come e cala

A China está a reforçar o controlo sobre as emissoras de rádio estrangeiras e a infligir severos controlos sobre a Internet. Os ouvintes e os utilizadores da rede só têm direito a receber música e informações controladas pelo governo. A censura aumentou desde que Hu Jintao chegou ao poder, em especial desde que, na sequência da entrada efectiva na OMC, as exportações chinesas de produtos têxteis deixaram à vista os míseros salários dos trabalhadores e a crise que provocou na indústria de confecções mundial.
Um chinês trabalha 12 a 14 horas por dia, sete dias por semana, sem Segurança Social e ganha um salário médio de 45 euros, dos quais são descontados 23 para alojamento e alimentação. Sobre esta base, a China vendeu na Europa, nos três primeiros meses de 2005, 360 milhões de t-shirts, 240 milhões de calças, 125 milhões de camisolas, 39 milhões de camisas, 25 milhões de vestidos. Em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, as vendas multiplicaram-se por seis ou por vinte, conforme os produtos. E os preços baixaram entre 37 e 59 por cento. A Comissão Europeia acaba de anunciar que não concederá mais licenças de importação às t-shirts, soutiens, blusas e calças, provenientes da China, porque em 15 de Agosto foi ultrapassada a quota estabelecida para todo o ano de 2005.
A Europa emprega no sector têxtil à volta de 2,5 milhões de trabalhadores, dos quais cerca de 400 mil perderam o emprego devido ao encerramento de 150 empresas. Os Estados Unidos estão em vias de impor sanções à China, nos próximos três meses, porque a invasão dos têxteis chineses já provocou a falência de 50 empresas e o despedimento de 200 mil dos 700 mil trabalhadores do sector.
O Ocidente vai ter que decidir entre a liberdade do consumidor de comprar barato e o proteccionismo às suas empresas e aos seus trabalhadores. Quanto à China, já decidiu: economia capitalista, política comunista. Come e cala.

:: enviado por JAM :: 8/25/2005 07:52:00 da manhã :: 4 comentário(s) início ::

quarta-feira, agosto 24, 2005

Se ao menos aprendêssemos alguma coisa...

A organização, eficiência e polivalência – simultaneamente polícias, bombeiros e pilotos – dos alemães que chegaram a Portugal para ajudar a debelar os fogos, a autonomia logística, o profissionalismo e a forma fácil com que se articulam com os restantes meios no teatro de operações, estão a justificar a admiração dos companheiros portugueses. São muito organizados e auto-suficientes. Trouxeram da Alemanha praticamente tudo aquilo que lhes vai ser útil.
“O combate aos fogos é apenas uma das suas missões. De facto, estes homens estão preparados para resgatar pessoas, patrulhar as orlas costeiras, vigiar os navios que lavam tanques no alto mar ou garantir a segurança dos comboios que transportam matérias tóxicas”, segundo explicou o chefe da missão alemã ao JN.
Se ao menos aprendêssemos alguma coisa!...

:: enviado por JAM :: 8/24/2005 02:57:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Jogos de computador para tratar as fobias

Cientistas da Universidade do Quebeque Outaouais (UQO) usam jogos de computador para tratar as fobias. Um exemplo é um engenhoso simulador de voo, destinado a despistar os pacientes que sofrem de aerodromofobia (medo de andar de avião). Sentados num velho assento de avião ligado ao simulador de voo, os pacientes vivem todas as sensações – e todos os sintomas – que sentem numa verdadeira viagem de avião, onde não faltam as nuvens, a trepidação dos motores, nem as turbulências.
Outros jogos permitem tratar a acrofobia (medo da altura), a claustrofobia (medo de espaços fechados) e a aracnofobia (medo de aranhas). No jogo, o paciente não combate nenhum inimigo mas apenas o seu próprio medo.
Nas terapias tradicionais o paciente é exposto gradualmente ao que lhe mete medo, através de representações mentais, imagens ou a experiência de situações reais. A realidade virtual segue o mesmo princípio mas tem a vantagem de permitir um domínio perfeito do ambiente fóbico. Por exemplo, uma pessoa com medo dos aviões não corre o risco de assistir a uma tempestade ou a um poço de ar logo no primeiro voo. Mas pode repetir 35 descolagens se o terapeuta achar necessário!

:: enviado por JAM :: 8/24/2005 10:19:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::

Deixa arder, que o meu pai é bombeiro ?...

Factos são factos:
Este país foi capaz de organizar o Euro 2004, mas tem sido incapaz de se organizar para minimizar a devastação que provocam os incêndios de Verão;
Este país teve dinheiro para pagar 6 novos estádios de futebol, mas não conseguiu ainda arranjar dinheiro para pagar a prevenção e os meios de combater aqueles mesmos incêndios.
Conclusão lógica: Para outras coisas não, mas quando toca à paródia, respondemos sempre “Presente!”.
Assim sendo, caríssimos compatriotas, não vale a pena escamarmo-nos quando, à noite, no conforto das nossas casinhas, vendo os telejornais, nos deparamos com a razia que as chamas provocam neste NOSSO jardinzinho à beira-mar plantado. Porque, afinal, mais dia menos dia, acaba por vir uma chuvinha; daqui a umas semanas (se tanto…), já ninguém se lembra dos pobres infelizes que tiveram a sina de perder, de repente, casas, animais, árvores, meios de subsistência, apego à vida (e, nalguns casos, a própria vida) e…poderemos todos, então, desfrutar das delicias da Super-Liga que começou no domingo passado e, depois, todos (mas todos!) unidos à volta da bandeira, acompanhar a NOSSA Selecção Nacional no Mundial de 2006.

:: enviado por Manolo :: 8/24/2005 12:30:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, agosto 23, 2005

Fala quem sabe

Fragmentos de uma entrevista dada à Grande Reportagem de 20.08.2005 pelo comandante dos Bombeiros de Mafra, Rui Medeiros:
"(...) a recruta que os bombeiros recebem é direccionada para o combate e não para a prevenção (...) A sirene, em Mafra, não toca porque não se justifica. Supostamente tenho 70 voluntários e, no fim, trabalham 20 ou menos (...) Temos uma hierarquia muito pesada: bombeiro de 3ª, 2ª e 1ª classe, subchefe, chefe, adjunto de comando, 2º comandante e comandante. Onde é que estão as tropas para estes fulanos todos mandarem? (...) Sem prevenção não se faz nada. E é preciso sensibilizar os bombeiros para a prevenção (...)"

Fala quem sabe

:: enviado por Manolo :: 8/23/2005 11:29:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

É um ar que lhe dá

"As dívidas das autarquias ultrapassam os 870 milhões de euros. De acordo com dados do Banco de Portugal, só no primeiro semestre deste ano, a Administração Local triplicou o endividamento."

E todo este dinheiro que se gasta a mais no ano que antecede as autárquicas é para quê? Acima de tudo para perpetuar no poder quem já lá está. Interrogo-me como farão as suas campanhas os autarcas que, por essa Europa fora, são responsáveis por cidades de património classificado na sua maioria? Não podem prometer rotundas, seguramente.

Não haverá ninguém que pergunte como é possível termos chegado ao século XXI e haver ainda uma percentagem significativa de portugueses sem água potável nem saneamento básico?

:: enviado por RC :: 8/23/2005 01:19:00 da tarde :: 8 comentário(s) início ::

segunda-feira, agosto 22, 2005

O homem do piano

A história durou quatro meses. No dia 8 de Abril, numa praia da costa inglesa, um desconhecido apareceu à beira-mar, de fato e gravata encharcados. Quando a polícia o intimou a identificar-se e a contar o sucedido, não proferiu uma única palavra. Internado num hospital psiquiátrico, manteve um silêncio absoluto, apesar da intervenção de médicos e intérpretes de línguas estrangeiras, que se esforçaram por descobrir a sua pátria eventual. Em vão.
Só respondeu ao desafio quando o colocaram perante um lápis e uma folha de papel mas, em vez de escrever uma palavra que ajudasse a desvendar o seu enigma, desenhou um piano de cauda. Trouxeram-lhe então um piano verdadeiro e surpreendentemente maravilhou os presentes com virtuosas peças da sua autoria.
A fantasia criada em volta do caso durou quatro meses. A história do homem que apareceu não se sabe donde e cuja única linguagem era a música acabou de maneira tão repentina e surpreendente como começou. Após quatro meses internado, calado e esquivo, o jovem contou que é alemão, que perdera o emprego em Paris e que apanhara o comboio Eurostar. Quando foi achado, no Sul da Inglaterra, estava prestes a suicidar-se.
Segundo o jornal Daily Mirror, o jovem pianista tinha trabalhado na assistência a doentes mentais, no passado, e agora os médicos não duvidam que ele esteve a fingir, durante todo o tempo, o seu comportamento calado e tristonho.

:: enviado por JAM :: 8/22/2005 03:39:00 da tarde :: 4 comentário(s) início ::

O eclipse de Lula

12 de Agosto foi, para os militantes do PT, um dos piores dias da crise política. Nesse dia, o publicitário Duda Mendonça, responsável pela campanha eleitoral de Lula da Silva em 2002, afirmou ter recebido, das caixas negras do PT, a módica quantia de quatro milhões de euros, numa conta nas Bahamas.
Mas, o pior ainda estava para vir: o ministro da Economia, António Palocci, até agora poupado pelo escândalo do mensalão, acaba de ser lançado na trama pelo seu antigo assistente, que o acusa de ter recebido 50 mil reais por mês de uma empresa de recolha e tratamento de lixo da cidade de Ribeirão Preto, onde era responsável pela autarquia. Apesar do desmentido, o PT vai ter muitas dificuldades em levantar-se de mais esta mossa.
Garante da ortodoxia económica brasileira, coqueluche dos mercados financeiros e dotado de uma estatura internacional, António Palocci aparece como o delfim natural de Lula. Se Lula não puder candidatar-se em 2006 e o mesmo acontecer com Palocci, o PT não terá mais nenhum outro candidato credível para as próximas presidenciais.
Os brasileiros, e particularmente os militantes do PT, esperam impacientemente que se varra a casa e se identifiquem e expulsem os culpados da crise. Depois, é preciso promover uma vasta reforma política, que impeça os políticos de mudar de partido, como quem muda de camisa, e pôr em prática regras restritas para o financiamento das campanhas.
Os militantes querem o regresso às origens do PT, que renove o diálogo com os movimentos sociais. Para isso esperam febrilmente pelo 18 de Setembro, data das eleições internas. Sem dúvida, um momento decisivo para o futuro do partido.

:: enviado por JAM :: 8/22/2005 10:23:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

domingo, agosto 21, 2005

Isto não está para sorrisos

A principal conclusão do estudo “A Expressividade do Sorriso – Estudo de caso em jornais portugueses”, da autoria do psicólogo e professor Armindo Freitas-Magalhães, é que entre 2003 e 2005 tem vindo a diminuir a exibição do sorriso nas fotografias dos jornais, o que poderá ter a ver com a situação que o país atravessa e consequente estado de espírito dos portugueses.

:: enviado por JAM :: 8/21/2005 05:37:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

A UE subsidia as JMJ

A Comissão Europeia, a mesma que (lembram-se?) tinha recusado quaisquer subsídios à seca em Portugal, ofereceu agora um milhão e meio de euros à organização das Jornadas Mundiais da Juventude. Graças a este subsídio, os organizadores puderam dar um “perfil europeu ao acontecimento” que, segundo a Comissão, se aparenta a um “tsunami” pela sua amplitude.
Esta ajuda tinha sido, em tempos, bloqueada pelas mais altas instâncias europeias, incluindo o Parlamento Europeu que rejeitou, em Dezembro, na altura da discussão do orçamento, uma proposta do Partido Popular Europeu que visava dar 1,5 milhões de euros às JMJ. Deve ter sido um milagre!

:: enviado por JAM :: 8/21/2005 11:49:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

sábado, agosto 20, 2005

Incompetência, mentiras e vergonha

A credibilidade é como a virgindade: quando se perde, não mais se recupera. Foi o que aconteceu com a polícia britânica. Em cinco minutos perdeu toda a credibilidade, que lhe custou um século a granjear. A Scotland Yard mentiu após ter assassinado a sangue frio o brasileiro Jean-Charles de Menezes. Mesmo com a atenuante de que mentiu no contexto da febre antiterrorista dos atentados de Julho, a mentira é inadmissível quando vem da polícia, que deveria estar vacinada contra a histeria colectiva.
Mentiram todos os chefes, que justificaram os sete tiros na cabeça do brasileiro afirmando que vestia um sobretudo, que podia muito bem servir para esconder a bomba que, de acordo com as conjecturas policiais, podia explodir no metro de um momento para o outro. E que, para além disso, levava uma mochila, o que constituía um sinal evidente das suas criminosas intenções. Nem sobretudo, nem mochila, nem bomba. Tudo não passou duma sequência de mentiras para ocultar o embaraço da morte de um inocente.
Aquele que mente uma vez não se livra da suspeita de que pode mentir um milhão de vezes. E, para os cidadãos do chapéu de coco, a polícia britânica é mentirosa, como as dos outros países do outro lado do canal. Que vergonha!

:: enviado por JAM :: 8/20/2005 12:08:00 da tarde :: 3 comentário(s) início ::

sexta-feira, agosto 19, 2005

Agora é a minha vez...

Como já todo o pessoal gozou férias, agora é a minha vez de procurar algum recanto ainda por arder. Se não encontrar por cá, vamos mais para norte...

Até breve...


:: enviado por RC :: 8/19/2005 10:59:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Ensino de Português no Estrangeiro

Remessas e depósitos em Portugal estão a diminuir

"As remessas de emigrantes que todos os anos chegam a Portugal estão a diminuir, facto que deverá acentuar-se com a nova Directiva da Poupança. De acordo com os dados do Banco de Portugal, no final de 2002 o total enviado para o nosso país ascendia a 2,8 mil milhões de euros. No ano passado, baixou para 2,4 mil milhões. Se analisarmos mensalmente, verifica-se que os períodos do Verão (mais acentuadamente) e Natal são preferidos pelos emigrantes para fazerem chegar as suas poupanças a Portugal (ver gráfico). Quanto aos depósitos, as aplicações preferidas por este segmento de mercado, os montantes aplicados nos bancos portugueses por emigrantes têm caído significativamente dos 12,6 mil milhões de euros de saldo existentes nos bancos portugueses em 2000, existiam apenas 9,2 mil milhões de euros no final do ano passado."


E esta "traição" tem um castigo imediato. Segundo se diz, o governo tenciona acabar com o Ensino Português no Estrangeiro, único serviço com que o nosso estado retribuía décadas a equilibrar deficits e balanças com as remessas dos nossos compatriotas...

Cá se fazem...

:: enviado por RC :: 8/19/2005 08:09:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Celebridades

O jornal Guardian dirige-se a todos aqueles que gozaram com o facto de Noel Gallagher, vocalista dos Oasis, ter declarado que o livro Anjos e Demónios (2004), de Dan Brown, foi o primeiro livro que leu, acrescentando “quer acreditem quer não”.
Essa confissão é agora secundada pela de Victoria Beckham, a ex-Spice Girl posh (snob) que, em entrevista à revista espanhola Chic, confessou nunca ter lido nenhum livro na sua vida,... nem mesmo a sua autobiografia.


:: enviado por JAM :: 8/19/2005 01:40:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Gaza no caminho da paz?

Num comentário a um post precedente, um leitor afirmava que não compreendia se a nossa posição era ou não favorável à retirada dos israelitas do território “que tinham roubado aos palestinianos”. A resposta não é simples, como revela o excelente artigo, da autoria de Felipe González, do qual sublinhamos algumas passagens:

A alegria transbordante dos palestinianos perante a retirada de Gaza pode ter um ressalto perigoso se a legalidade internacional não for cumprida no resto dos territórios ocupados. […] Depois da retirada, a própria franja enfrentará problemas que exigem acordos entre todos. Sem aeroporto, sem porto e sem saídas terrestres, a densa população de Gaza pode estar condenada a sobreviver com ajuda internacional como num grande campo de refugiados. A alegria de hoje pode transformar-se em desespero amanhã. […] Neste contexto, Gaza pode ser uma oportunidade para a paz definitiva ou uma nova frustração que mantenha o conflito durante muitos anos.

De facto, se nada for feito para melhorar o destino do milhão e meio de palestinianos que vivem em Gaza, onde o desemprego é da ordem dos 50% da população activa e onde as infra-estruturas são inexistentes, a pequena faixa de território poderá continuar a ser um ninho incontrolável de insurreição.
Gaza vai constituir o embrião do Estado palestiniano. Não deverá por isso tornar-se uma zona fora da lei. Nesse aspecto, como escreve Felipe González, a comunidade internacional terá certamente que jogar uma cartada muito importante.

Estou de acordo com o JR e não acho que ele tenha misturado assim tanto as coisas ao referir simultaneamente Gaza, o Iraque, o Irão e o Afeganistão. É que, em todos eles, depois do mal feito é impossível fazer marcha atrás. Devemos por isso sacrificar as nossas certezas, mesmo quando as soluções adoptadas não são minimamente suficientes, mas possam servir para, de algum modo, melhorar o futuro dos povos implicados.

:: enviado por JAM :: 8/19/2005 11:01:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, agosto 18, 2005

O papa também tem direito a férias...


:: enviado por Manolo :: 8/18/2005 10:11:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Os tugas, esses desconhecidos....


(Clique sobre a imagem para aumentar)


:: enviado por Manolo :: 8/18/2005 10:07:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

A Constituição que tarda em nascer das cinzas

Incapazes de chegar a acordo sobre a nova lei fundamental, os responsáveis políticos iraquianos decidiram esperar mais uma semana para tentarem ultrapassar as divergências. Questões como a importância do islão na lei, os direitos das mulheres, a repartição das riquezas petrolíferas e o desejo dos chiitas de estabelecer uma espécie de semi-independência continuam a dividir os representantes das três comunidades. Os sunitas que vêem no federalismo um atentado à unidade do país, de maioria chiita, e os curdos que pretendem fazer valer o direito de se separarem do Estado iraquiano.
O referendo nacional sobre a Constituição continua marcado para 15 de Outubro e as eleições legislativas para 15 de Dezembro, mas são cada vez mais os responsáveis que se inquietam com a possível dissolução do Parlamento, caso esta semana suplementar resulte num fracasso.

:: enviado por JAM :: 8/18/2005 08:43:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Ouro negro


© Desenho de Larry Wright – caglecartoons.com

Os preços do petróleo batem record atrás de record, barreira simbólica atrás de barreira simbólica, a última das quais foi a dos 65 dólares por barril.
Será que ainda vamos assistir ao transporte da gasolina em viaturas blindadas?

:: enviado por JAM :: 8/18/2005 11:55:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Custa ver...

"O Governo encerrou as negociações com os sindicatos sobre o estatuto de aposentação da função pública, sem aceitar qualquer alteração ao diploma."

O que quer dizer que não houve negociação. Foram reuniões de informação.

:: enviado por RC :: 8/18/2005 11:53:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::

JMJ aos molhos

Após terem sido impedidos de participar nas jornadas mundiais da juventude católica de Colónia, os jovens progressistas do movimento contestatário católico Nós somos a Igreja decidiram organizar as suas próprias jornadas mundiais da juventude para todos, que vão servir de tribuna aos reformadores da Igreja Católica que defendem o uso do preservativo.
“Nós somos a Igreja” consideram que os temas de discussão devem ser lançados pelas bases, em vez do habitual catecismo imposto pelas altas esferas dos bispos. O porta-voz do movimento, Tobias Raschke, acha que a Igreja não pode dar-se ao luxo de se esquivar aos problemas dos jovens: a sexualidade, os efeitos da globalização, o renascer duma nova espiritualidade à margem dos cultos tradicionais,...
Há um jornal alemão (o Tageszeitung) que escreve hoje que as JMJ são “uma espécie de encontro dos críticos do neoliberalismo nas relações humanas”. Se assim for, não me parece que as cúpulas da Igreja Católica estejam na mesma onda e a prova é que, na Alemanha, terra natal do papa e país organizador das jornadas, as igrejas estão mais vazias do que nunca e a indiferença dos jovens alemães, educados sem quaisquer referências religiosas, é um facto evidente.
Daí que se tente, através destas JMJ, atrair a atenção da juventude alemã, pelo efeito de contágio da presença maciça de outros jovens, sobretudo espanhóis, italianos e franceses.

:: enviado por JAM :: 8/18/2005 11:18:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, agosto 17, 2005

Por outro lado...

Eu não concordo que se acusem de desleixo as pessoas que desesperam quando vêem o fogo à porta de casa.
Claro, também há quem, vendo o fogo nas cercanias, deixe o trabalho de o controlar aos bombeiros por ter uma consulta médica às x horas, a que não pode faltar; também há quem, com o fogo como pano de fundo, fale ao telemóvel e acene, todo sorrisos, às câmaras da tv. Ninguém mo contou: eu vi.
Mas os outros, os que desesperam, choram e rangem os dentes, que combatem o fogo ao lado dos bombeiros ou mesmo sem a presença dos bombeiros, com ramos e enxadas, com baldes e mangueiras de trazer por casa, a esses quem poderá atirar a primeira pedra?!...Eu cá não.
Primeiro: o próprio Estado não dá o exemplo, não cuida do que está à sua guarda (veja-se o caso da Tapada de Mafra).
Depois, hoje em dia quem vive em aldeias metidas no mato e/ou na serra, vive em cima de um barril de pólvora e bem pode limpar à volta das casas que não consegue afastar o fogo se este tiver as dimensões destes que temos visto.
Depois, hoje em dia, o trabalho manual está desvalorizado e o que não dá lucros imediatos mais ainda. A agricultura de subsistência não é fashion. A pastorícia também não. A solidariedade entre vizinhos também já teve melhores dias. Quem vive nessas aldeias, também vê televisão e o que lhes entra pela casa dentro todos os dias é o culto do salve-se quem puder, do chico-espertismo, do viver à grande sem grande esforço (ou sem esforço nenhum). E ninguém quer ficar atrás dos outros, ninguém quer passar por parolo, por serrano, por tótó.
E depois há os velhos, que mal já têm forças para tirar da terra o pouco com que vivem, quanto mais para andar por aí a limpar matas.
Por último, é ou não é verdade que a segurança dos cidadãos é uma obrigação do Estado e que igualmente é uma obrigação do Estado dar alguma educação/instrução, não só cientifica, técnica e literária, mas também cívica, à população, que trabalha, paga impostos, vota e justifica a sua (dele) existência?

:: enviado por Manolo :: 8/17/2005 08:19:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Ouvir os outros...

Chegou-nos via mail:

Mi(ni)stérios das Finanças...
Carlos Medina Ribeiro

Muito se tem falado da suspensão d’ «O Comércio do Porto», e muita gente pergunta «porquê?!».
Ora eu acho que tenho a resposta: veja-se o que nele li, e tirem-se as conclusões:

I - OS SERVIÇOS DE OBRAS PÚBLICAS - Os serviços do ministério das obras públicas (...) são verdadeiramente complexos: por isso, a gerência deles requer, além de muito saber, a mais cuidadosa circunspecção.


Os melhoramentos materiais que tão febrilmente empreendemos, de (...) para cá, gastando anualmente, só em estradas, (...), quantias excedidas nalguns anos, não podem ser hoje empreendidos com o mesmo entusiasmo de outros tempos, porque as circunstâncias do tesouro público impõem parcimónia no gastar e porque são tantos os melhoramentos exigidos pelo progresso social que é necessário fazer uma selecção nesses melhoramentos.

À sombra dos serviços de obras públicas tem a política dos partidos saciado as suas ambições e realizado muitos dos seus abusos; por isso, poucos ramos de administração pública carecem de inspecção tão cuidadosa como este a que nos referimos.

II - O que admira, o que maravilha a toda a gente, é que, realizadas tantas economias e aumentados constantemente as verbas da receita à custa de toda a espécie de sacrifícios por parte do contribuinte, o desequilíbrio orçamental seja cada vez maior, o estado financeiro do país cada vez pior.
É por isso que muita gente boa já treme de medo quando vê anunciado nas folhas que algum ministro vai apresentar qualquer proposta de lei de que resultam grandes reduções nas despesas ou importantes economias para os cofres públicos. E o caso não é para menos, diga-se a verdade.

III - Nada escapa. É uma perfeita rede varredora. Não obstante, as despesas do Estado tudo absorverem e muito mais, visto como o deficit engorda em vez de emagrecer, zombando assim dos sacrifícios cada vez maiores exigidos ao país.
E o pior é que ninguém vê remédio para este mal, que vem de longe e já agora parece incurável.
-
Conclusão:
Ao contrário do que se possa pensar depois de ler o que acima se transcreve, o jornal não deve ter sido suspenso por ter enfrentado o Governo, mas pura e simplesmente porque não dizia nada de novo:
É que os textos são de Janeiro e Fevereiro... de 1900!

:: enviado por RC :: 8/17/2005 11:57:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Bloody Foreigners

Hoje sabemos com que ligeireza Jean Charles de Menezes foi executado pela polícia inglesa. É preciso saber que, ao mesmo tempo que a sociedade inglesa acomoda um número muito alto de estrangeiros, tolera-os somente. Os seus braços são uma ferramenta de trabalho, mais nada.

Leia mais:
London Inquiry Refutes Police in Their Killing of a Suspect

Leak disputes Menezes death story

Du nouveau sur la bavure de Scotland Yard

"Il a ensuite été suivi par des policiers jusqu'à la station de métro. Ses vêtements et son comportement ont renforcé les soupçons".
En réalité, selon ITV, l'opération avait été mal conduite depuis le début. Au moment où le jeune homme sortait de son appartement, l'officier en charge de la surveillance était absent. "J'étais en train de me soulager", a-t-il déclaré.
En outre, le jeune Brésilien aurait été maîtrisé par un officier de police dans le wagon avant d'être abattu de sept balles dans la tête et d'une à l'épaule, d'après ITV.
Le policier a raconté qu'après avoir ceinturé le jeune homme, il l'a "rejeté sur le siège où il était assis auparavant". "J'ai ensuite entendu un coup de feu très près de mon oreille gauche et on m'a précipité sur le sol du wagon", a-t-il ajouté.

Permitam-me recordar um nosso post anterior:

William Roper: So, now you give the Devil the benefit of law!

Sir Thomas More: Yes! What would you do? Cut a great road through the law to get after the Devil?
William Roper: Yes, I'd cut down every law in England to do that!

Sir Thomas More: Oh? And when the last law was down, and the Devil turned 'round on you, where would you hide, Roper, the laws all being flat? This country is planted thick with laws, from coast to coast, Man's laws, not God's! And if you cut them down, and you're just the man to do it, do you really think you could stand upright in the winds that would blow then? Yes, I'd give the Devil benefit of law, for my own safety's sake!

:: enviado por RC :: 8/17/2005 11:38:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Anti-europeus

Todos sabemos que o Reino Unido aderiu às Comunidades Europeias para melhor destruir, a prazo, o projecto europeu. Não querem o Euro, interessa-lhes tão somente a dimensão de livres trocas comerciais e tudo o resto é conversa. Esta semana, segundo um jornal inglês de grande sucesso entre o povo britânico, é a Semana Nacional de Orgulho nas "Mamocas". É dever de cada patriota mostrar o que tem, desafiando assim as directivas de Bruxelas sobre exposição solar.


:: enviado por RC :: 8/17/2005 11:22:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Devagar, devagarinho...

"He started running when we saw a tube at the platform. Police had agreed they would shoot a suspect if he ran."

:: enviado por RC :: 8/17/2005 12:41:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Por um lado...

A propósito do inferno dos fogos deste Verão deveríamos pôr-nos varias questões e responder-lhes honestamente:
- Será que esse inferno o sofremos todos ou só o sentem realmente e sofrem realmente as populações por ele atingidas?
- Será que é nosso destino/fado ver o país a arder todos os anos, no Verão, e que o país vai suportar estas razias por muito mais tempo, não se afundando ainda mais?
- Será que não existe alternativa e temos realmente de dar razão aos que nos têm governado estes anos todos sem acabarem ou, pelo menos, limitarem o flagelo?
- Será que eles não vivem neste país, que não dispõem de cientistas, de técnicos, de orçamento, suficientes para arquitectar e pôr em prática um plano qualquer que, no mínimo, limite a dimensão e os estragos causados por estes previsíveis incêndios?
- Será que nós temos escolhido bem as pessoas que, depois, com a legitimidade que o nosso voto lhes dá, vão, então eles, escolher o destino a dar ao produto do nosso trabalho, aos impostos que pagamos (que podem escolher, por ex., entre construir estádios de futebol ou hospitais e escolas, entre submarinos e aeroportos ou prevenção e meios aéreos públicos de combate aos fogos)?

:: enviado por Manolo :: 8/17/2005 12:37:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, agosto 16, 2005

Mentes Brilhantes

De entre os casos mais dramáticos estão os que, depois do curso superior, continuam à procura do primeiro emprego. No total existiam, até ao final de 2004, mais de 30 mil indivíduos nessa situação. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), 12200 já procuravam trabalho há cerca de dois anos. Mais de sete mil dos que se licenciaram até há cinco anos ainda estão desempregados, e 6200 graduados há seis anos, ou mais, também ainda procura o primeiro emprego. Nestes casos a reforma poderá chegar quase aos 70 anos. Se um aluno completar uma licenciatura aos 22 anos, e o primeiro emprego surgir só após seis anos, esse contibuinte pode entrar na reforma aos 65, de acordo com a lei, mas apenas recebe a totalidade da pensão se trabalhar até aos 68 anos.

No caso particular dos professores, onde se caminha para a entrada na reforma aos 65, com a entrada em vigor do Decreto-Lei que impõe a uniformização progressiva dos regimes de protecção social (que inclui a idade de reforma), Portugal recua face aos restantes países europeus. De acordo com o relatório "Números-chave da Educação na Europa 2005", divulgado pela rede europeia "Eurydice", na maior parte dos países europeus os professores podem reformar-se, com o total da pensão, aos 60 anos. No caso espanhol, por exemplo, os professores precisam apenas de cumprir 30 anos de serviço para se retirarem.

O Ministério do Trabalho e Solidariedade Social refuta que os jovens comecem, actualmente, a trabalhar mais tarde. De acordo com o assessor do ministro, José Pedro Pinto, «nada prova que a idade de ingresso no mercado de trabalho é mais tardio hoje do que há gerações atrás».

Gostava de conhecer este rapaz. Com assessores destes o ministro vai longe...

:: enviado por RC :: 8/16/2005 12:00:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Função Pública: pedidos de reforma duplicam

Devido a nova regra de aposentações. Só em Junho, entraram na Caixa Geral de Aposentações mais de 4200 pedidos de reforma. Corrida às reformas pode revelar-se precipitada e mesmo contra-producente.

Segundo dados disponibilizados pelo Ministério das Finanças ao jornal, só em Junho entraram na Caixa Geral de Aposentações (CGA) 4.245 pedidos de reforma, o que representa o dobro do número de requerimentos entrados no mesmo mês em 2003 e 2004, 2.084 e 1.888, respectivamente.

Os trabalhadores do Estado estão a reagir tal como fizeram em 2002, quando a ex-ministra das Finanças, Manuel Ferreira Leite, obrigou a que os funcionários cumprissem simultaneamente a condição de 60 anos de idade e de 36 anos de serviço.

Nesta circular a secretária de Estado da Administração Pública pede ponderação aos funcionários, lembra que os direitos adquiridos estão garantidos até ao final do ano e que as negociações com os sindicatos que os representam ainda não terminaram. Segundo o o governo vai mais longe e alerta para o «prejuízo pessoal» decorrente de «decisões individuais tomadas antes do conhecimento das soluções finais aprovadas».

Claro que os trabalhadores reagem de forma igual a estímulos que são, no seu essencial, iguais. Quando a Dr.ª Ferreira Leite alterou a reforma aos FPs, fê-lo sem negociação e sem que os trabalhadores pudessem participar no encontrar de soluções. Tivemos como consequência todo um descalabro em serviços públicos, com trabalhadores fundamentais e experientes a reformarem-se precipitadamente. Lembram-se dos concursos de professores? Em parte o descalabro foi feterminado por tolice de governantes, mas também por muitos serviços terem sido privados dos seus funcionários mais experientes.

Agora, com o governo a fazer essencialmente o mesmo, a alterar as regras sem negociar, deixa os funcionários, nomeadamente os dos regimes específicos, numa situação em que não meter o pedido de reforma pode ter consequências gravíssimas. E tudo porquê? É o que dá sermos ciclicamente governados por gente iluminada, que não acredita no valor do compromisso.

"Os trabalhadores do Estado estão a reagir tal como fizeram em 2002, quando a ex-ministra das Finanças, Manuel Ferreira Leite, obrigou a que os funcionários cumprissem simultaneamente a condição de 60 anos de idade e de 36 anos de serviço.

Só que enquanto essa alteração se aplicava a todos os funcionários que se aposentassem após a aprovação do diploma, as modificações que o actual Governo propõe garantem os direitos adquiridos dos trabalhadores até ao final deste ano."

Muito obrigado. É uma espécie de Ferreira Leite quatro meses em diferido. Muito bem! Estamos todos muito contentes. Vamos longe!

:: enviado por RC :: 8/16/2005 11:39:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Nada de novo na frente ocidental

Acabado de sair de um período de intensa actividade profissional (infelizmente não estou em condições de me demitir por cansaço), tento recuperar a actualidade perdida.
Nada de novo na frente ocidental: o País continua a arder, como acontece todos os anos por esta altura. Os jornais dizem que área ardida é menor que a do ano passado, como todos os anos por esta altura. As televisões mostram gente desesperada, bombeiros em calças de ganga e o popular que tenta apagar as chamas com a mangueira do quintal, como todos os anos por esta altura. O primeiro-ministro continua de férias longe da maçada e o Governo que resta afirma que a culpa é do calor e do Governo anterior, como todos os anos por esta altura.
A classe política continua a renovar-se e propõe-nos escolher entre Mário Soares e Cavaco Silva para presidente. Os autarcas renovam-se distribuindo Isaltinos, Felgueiras, Valentins e Torres pelo país fora.
A “silly season” está no auge e o resto do País que não arde festeja, faz festivais e vai a concertos rock. O Presidente dá uma ajuda e condecora quatro rapazes irlandeses de calças de ganga e chapéu na cabeça. O Governo aproveita o marasmo e nomeia sábios para as empresas públicas. O País não liga e só quer saber se o Miguel consegue rescindir o contrato, que craque desconhecido o Benfica vai contratar, se o Sporting continua a jogar bem e a perder ou se o Porto continua a destruir a equipa. Como todos os anos por esta altura.

Entretanto, lá por fora, o mundo continua a ser um lugar perigoso. O Irão teima em fazer do nuclear um novo argumento teológico com a ajuda de negociadores da UE, Israel sai de Gaza para ficar na Cisjordania e solta todos os extremistas, a turba de “libertação” do Iraque continua a matar muitos iraquianos e alguns soldados americanos, um chefe de seita religiosa vem, das montanhas do Afeganistão e de kalashnikov na mão, dizer-nos que a guerra já está nas nossas cidades e o Sr. Mugabe destrói alegremente o país enquanto espera a ajuda ocidental para combater a fome. Mas que importância tem tudo isto comparado com o exílio forçado de Figo em Milão, por não o deixarem jogar em Madrid ?

Agora vou de férias. Sem jornais, sem rádio, sem televisão. Só livros, muitos livros. Pode ser que a ficção seja menos deprimente que a realidade. Difícil, quando um dos livros que se leva na bagagem conta como Mao conseguiu diminuir a população chinesa. Em nome da humanidade, claro.

:: enviado por U18 Team :: 8/16/2005 12:03:00 da manhã :: 3 comentário(s) início ::

segunda-feira, agosto 15, 2005

Piromanias

Ouvi hoje o Dr. Vitorino, à semelhança do Dr. Louçã, apelar a uma informação menos dramática sobre os fogos. Tínhamos ouvido o Dr. Louçã a pedir que as televisões não mostrassem "incêndios a arder" [sic], e agora o Dr. Vitorino apela a que as populações não sejam assustadas desmesuradamente.

Fica-nos a ideia de que somos um povo marcado pela loucura incendiária, logo agora que os júlios-de-matos estão vazios, com os doentes tratados em ambulatório, logo agora que os alegados incendiários são enviados pelos tribunais para casa.

Talvez até tenham razão em querer uma informação mitigada e eufemística. Como a nossa justiça já mostrou que é incapaz de apanhar verdadeiros criminosos, enchendo as prisões com pilha-galinhas, prescrevendo convenientemente, demorando tanto tempo que os queixosos morrem antes de ver justiça feita, talvex os males que não se vêem não se sintam.

No entanto nunca é demais repetir que com mais de 25000 ignições por ano é difícil aceitar a teoria do "tolinho da aldeia". A falta de educação ambiental? Então há quarenta anos ois portugueses estavam mais educados e sensibilizados para a protecção da natureza? Segundo parece a maior parte dos incêndios não começam perto de estradas e caminhos, pelo que ainda mais remota é a teoria do descuido.

Se se quiser perceber por que arde o país talvez se possa começar por tentar analisar o que mudou nos últimos quarenta anos.

Quem ganha com os fogos?

Como nos ensinavam o Perry Mason e o Sam Spade, para além dos meios e da oportunidade, era encontrar um motivo forte para o acto que lhes permitia encontrar os criminosos. O MOTIVO é a chave.

Já agora não acho nenhuma piada a que os nossos eleitos cheguem à conclusão que somos predominantemente débeis mentais.

Mas afinal quem é que lucra?



:: enviado por RC :: 8/15/2005 10:51:00 da tarde :: 3 comentário(s) início ::

domingo, agosto 14, 2005

Na Rota da Francesinha

Há mais de vinte anos que não comia uma francesinha!
Loira e apetitosa, a francesinha foi este fim de semana, e será até 12 de Setembro, a rainha da gastronomia na Póvoa de Varzim, onde a Câmara lançou um desafio aos restaurantes do concelho para elaborarem um menú com preço fixo, composto por uma francesinha, uma bebida e uma sobremesa. Com a designação “Na Rota da Francesinha Poveira”, a iniciativa conta com a participação de 14 restaurantes, devidamente identificados com um cartaz e com os menús, colocados em locais bem visíveis dos estabelecimentos.
Cartão de visita das especialidades tripeiras, criada na década de 60 no restaurante Regaleira, o culto da francesinha tem-se desenvolvido nos últimos anos, com as casas da especialidade e a respectiva confraria.
Boas férias e... bom apetite!

:: enviado por JAM :: 8/14/2005 11:34:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

sábado, agosto 13, 2005

A retirada como estratégia

Historicamente, foi uma lógica defensiva que presidiu à colonização dos territórios conquistados em 1967. Dada a pequenez do território controlado pelo exército israelita, a colonização visava dar às fronteiras uma rede de posições que poderiam eventualmente servir de base de apoio às forças armadas. Os limites dessas preocupações de ordem estratégica foram depois levados ao excesso pelo avanço ideológico do Gush Emunim (movimento ultranacionalista religioso) com a ajuda eficaz do Likud desde a sua chegada ao poder em 1977. A mudança de lógica foi então radical: a terra, concebida como um meio, tornou-se desde essa altura um objectivo.
O actual primeiro ministro, Ariel Sharon, foi o principal artesão político da colonização quando era ministro da Agricultura e, mais tarde, da Habitação e das Infra-estruturas. A ironia da História faz com que o mesmo Sharon apareça hoje como um opositor dessa política. Mas, a verdadeira razão que levou Sharon a retirar da faixa de Gaza e das quatro colónias isoladas no Norte da Cisjordânia foi, sem dúvida, a pressão internacional. A retirada de Gaza vai permitir a Sharon ganhar tempo, sem fazer demasiadas concessões e sem nada ceder à velha lógica do controlo, uma vez que as fronteiras terrestres e marítimas, bem como o espaço aéreo de Gaza, vão continuar sob a alçada israelita.
Depois da retirada de Gaza e do Norte da Cisjordânia, nada vai mudar na Palestina. A colonização israelita, tal como foi formalizada por Ariel Sharon, vai continuar a traduzir-se pelos recortes territoriais, isolados uns dos outros, e pelo controlo das principais aglomerações palestinianas à beira das colónias, com vista a bloquear a sua expansão. Os três blocos, cuja anexação é agora exigida por Israel, à margem de qualquer negociação, inscrevem-se perfeitamente nesta lógica. A colónia de Ariel separa Naplusa e Ramallah; a de Maale Adumin isola a parte oriental de Jerusalém do seu hinterland palestiniano; Etzion e os seus prolongamentos (Efrat e Tekoa) cortam Belém de Hebron.
A disparidade é pois flagrante entre o novo discurso sobre o Estado palestiniano transmitido por Sharon e a inércia do projecto de colonização, que continua a produzir os seus efeitos devastadores sobre o território. Na Cisjordânia, a começar por Jerusalém-Leste, a colonização vai prosseguir o objectivo de impedir a concretização do Estado palestiniano, que a comunidade internacional tanto reclama.
Assim, ao deixar Gaza, Sharon vai só renunciar a uma ínfima e muito modesta parte do seu grande plano.

:: enviado por JAM :: 8/13/2005 01:18:00 da manhã :: 3 comentário(s) início ::

sexta-feira, agosto 12, 2005

A idade da reforma

Na Grã-Bretanha, um relatório do Instituto de Estudos Políticos defende o aumento da idade da reforma de 65 para 67 anos. Para ilustrar o debate, o The Guardian interroga-se sobre “qual será a melhor idade para iniciar a reforma?” e para isso foi ao encontro do trabalhador mais velho do país.
Em Wimbledon, nos arredores de Londres, Sid Prior trabalha trinta e uma horas por semana, numa loja de artigos de casa e jardim. Trata-se de um empregado que goza de uma certa notoriedade junto da clientela, que aprecia a sua experiência profissional. Sid Prior vai festejar brevemente noventa e um anos e ainda não está a pensar reformar-se.
E o jornal londrino pergunta: “o que é que levará esta provecta alminha a sair de casa às seis da manhã, cinco dias por semana, para ir trabalhar, quando podia muito bem ficar em casa a ocupar-se do seu jardim?”.
Dá de facto que pensar esta questão da idade mínima (e máxima) da reforma, que não deveria ser coisa imposta por decreto, mas antes decidida por cada trabalhador, de acordo com critérios actuariais, que pudessem permitir a antecipação ou o prolongamento do final da vida activa, segundo a vontade de cada um.

:: enviado por JAM :: 8/12/2005 09:29:00 da manhã :: 2 comentário(s) início ::

Será que ainda vamos ter um dia o modelo nórdico?

Os condutores suecos podem, a partir de agora, subscrever um seguro contra as multas por excesso de velocidade ou por estacionamento proibido, junto da Bisso, uma companhia de seguros na Internet, que afirma ser a primeira no mundo a oferecer este tipo de serviços. Por 850 coroas (cerca de 90 euros) anuais, o seguro paga três multas por excesso de velocidade, na condição de este não ter sido superior a 30 km/h em relação à velocidade autorizada.
Convém no entanto lembrar que este tipo de “mimos” só é possível num país que tem um dos mais baixos índices de acidentes de viação do mundo.

:: enviado por JAM :: 8/12/2005 12:34:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, agosto 11, 2005

Eu devo ser o único aqui no blog...

Eu devo ser o único aqui no blog que nunca escreveu sobre os textos de Vital Moreira.
Lá vai então:
Portugal é o País da UE onde há relativamente mais incêndios florestais. Porquê?
Provavelmente, porque nenhum outro tem uma floresta tão vulnerável aos fogos como a nossa.

Caro VM: Não será antes porque temos tido os governos mais incompetentes dos cinco países da Europa do Sul de que “fala” o artigo de jornal que comenta? Não será antes porque somos o mais atrasado dos cinco (Espanha, França, Itália, Grécia, Portugal), uma vez que a incompetência não é inofensiva?
Notem que desta vez fui muito poupado nos adjectivos...

:: enviado por Manolo :: 8/11/2005 01:15:00 da manhã :: 2 comentário(s) início ::

quarta-feira, agosto 10, 2005

(As)salto à vara

O que se passou agora na CGD (3ª administração em 15 meses, um caso para o Guiness Book?) não é escândalo nenhum, escreve Vasco Pulido Valente (Público, 05.08.2005)porque, afinal, neste país, só os ingénuos se escandalizam: “O que Sócrates fez na Caixa, sendo aberrante, não é, para Portugal, extraordinário. Por causa do TGV e da Ota, Sócrates queria transformar a Caixa no instrumento da sua política: transformou.”
Por seu lado, Joaquim Vieira escreve, no D. Notícias de sábado passado: “O novo administrador (da Caixa) foi nomeado para dirigir a obra do aeroporto de Macau por Carlos Melancia antes deste se demitir do cargo de governador por graves suspeitas quanto à cobrança de comissões às empresas contratadas para esse mesmo projecto. E será mera coincidência tudo isto ocorrer em simultâneo com o anúncio das novas intenções presidenciais de Mário Soares?”
Pelos vistos, tudo parece ter a ver com aeroportos...
Vendo bem, não somos um povo de poetas mas sim de aviadores ou, pelo menos, um povo que aspira a altos voos – o céu é o limite!...

:: enviado por Manolo :: 8/10/2005 11:57:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Costela flutuante?

“(...) Isto está a ficar complicado. Tanto mais complicado quanto a legitimidade e excepcionais condições políticas, alcançadas onde está a força, nos votos, existem como já não havia desde 1991. Ou seja, não é nas urnas que se pode procurar meios e respostas. Está visto que não chega.” Não, não foi nenhum homem de esquerda que escreveu isto. Foi José Pacheco Pereira no Abrupto, no dia 4 deste mês de Agosto, em plena silly season.
Será a costela maoista do homem a vir à superficie ou o Estado-a-que-isto-chegou é ainda mais grave do que aquilo que somos capazes de constatar?...

:: enviado por Manolo :: 8/10/2005 11:34:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Burocratas duma figa III


Será que a nova directiva também vai impedir este tipo de anúncio em que todos os elementos se fundem para nos levar a acreditar na bondade da mais avançada tecnologia?

:: enviado por RC :: 8/10/2005 09:50:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Burocratas duma figa II


E os comissários italianos estão de acordo com a tal directiva da Radiação Óptica?

:: enviado por RC :: 8/10/2005 09:32:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Quem é que está contente?

Militares protestaram em São Bento contra “retrocesso” nos seus direitos.

Hoje os militares, amanhã quem será?

Enquanto for só conversa, ainda vá que não vá... Quem viver verá.

:: enviado por RC :: 8/10/2005 09:11:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

A memória e o esquecimento


(Clique sobre a imagem para ver os diapositivos)

Sessenta anos depois da explosão das duas bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima (6 de Agosto de 1945) e Nagasaki (9 de Agosto de 1945), ressalta cruelmente que nada mudou na reflexão sobre o uso das armas nucleares e o delírio do poder. Passadas seis décadas, é perfeitamente actual o editorial de Albert Camus (1913 - 1960) publicado no Combat um dia após a primeira explosão: “[...] a civilização mecânica acaba de atingir o seu último grau de selvajaria. Vai ser preciso escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio colectivo e a utilização inteligente das conquistas científicas.”
Mas ninguém deu ouvidos ao Prémio Nobel da literatura. Na realidade, mesmo as dezenas de milhares de civis petrificados no momento da deflagração, mesmo os sobreviventes irradiados e condenados a sofrimentos sem fim, se dissiparam da memória colectiva. A prova é que os alunos japoneses de hoje são incapazes de indicar com precisão a data do lançamento da bomba de Hiroshima e os monumentos erigidos em homenagem às vítimas são constantemente profanados por estupidez, ignorância ou inconsciência.
Do lado dos americanos, que conceberam, fabricaram e lançaram as bombas, a memória esvai-se do mesmo modo. A evocação do que muitos consideram um crime monstruoso é muitas vezes desculpado e justificado, como um acto de guerra necessário que terá permitido poupar as vidas de inúmeros soldados americanos e japoneses. Este raciocínio estatístico permite assim evacuar a reflexão sobre os massacres modernos e fechar o debate prematuramente num misto de ausência de lucidez e de falta de coragem.
Sessenta anos depois, a humanidade não aprendeu nada, a não ser a sobreviver num precário equilíbrio do terror. Entre as nações, hoje como ontem, na corrida pela posse do fogo nuclear, contam-se a Coreia do Norte, o Irão, o Paquistão ou a Líbia. Todas elas pretendem igualar os primeiros membros do clube nuclear (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, França, China,...) e competir com eles na sua ambição de poder e segurança.
Quem foi que escreveu: “A bomba atómica é demasiado perigosa para ser confiada a um mundo sem lei”? Foi Harry S. Truman (1884 - 1972), o presidente dos Estados Unidos que tomou a decisão de bombardear Hiroshima e Nagasaki. As suas palavras são, mais do que nunca, actuais.

:: enviado por JAM :: 8/10/2005 01:10:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Assombrações

De vez em quando ouvem-se as correntes a serem arrastadas pelos corredores e salões vazios: o tipinho está morto e enterrado, mas o seu fantasma persiste em se manifestar - no sábado passado, apareceu no Expresso, falou e disse, passo a tanscrever: "Vão ao motor de busca Google e vejam: sou o politico português de longe com mais citações na NET."
Comentários para quê: é um artista português...

:: enviado por Manolo :: 8/10/2005 12:55:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Tudo isto é fado...

No passado fim de semana fui até ao Parque Verde de Coimbra para assistir a alguns espectáculos incluidos na programação da iniciativa COIMBRADANÇA 2005. No sábado à noite tive de estacionar o carro bem longe do local porque nós, portugueses, temos o hábito de estacionar de qualquer maneira, "à lagardére", quem vier atrás que feche a porta, e, assim, onde poderiam estacionat 100 carros, estacionam 50 na melhor das hipóteses. O espectáculo programado para sábado à noite foi substituído por uma projecção video porque o grupo de dançarinos não apareceu - ninguém explicou porquê.
Domingo: dar uma volta no Parque Verde agora, tem de ficar pela meia volta porque estão a construir a ponte peatonal e cortaram em 2 o parque. O urso grande e verde que é assim uma espécie de ex-libris do Parque Verde está a ficar pelado: os rectângulos de relva que lhe servem de pele têm vindo a ser arrancados, os que estão à mão de semear e aqueles que exigem algum esforço de alpinismo e equilibrismo aos arrancadores. Quanto aos espectáculos da tarde de domingo, lá se fizeram, dois, práticamente só com os dançarinos e música gravada e tendo como cenário o Parque Verde e o Parque Dr. Manuel Braga. Parcos meios, quase só o chamado capital humano. Não deve ter ficado caro à organização - o que prova que, muitas vezes, não é por falta do outro capital que as coisas não se fazem, é mesmo por falta de vontade. Quanto ao espectáculo da noite, o "grande encerramento da festa", previsto para as 23 horas, às 23 e 40 ainda não tinha acontecido e nenhuma alminha da "organização do evento" apareceu para dar explicações... Haja paciência.

:: enviado por Manolo :: 8/10/2005 12:32:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Vida

O mendigo a quem deram 2 moedas
gastou uma em pão - para ter do que viver;
e a outra numa rosa - para ter por que viver.

:: enviado por Manolo :: 8/10/2005 12:30:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, agosto 09, 2005

Last 20 Searchengine Queries

Das últimas vinte buscas que desembocaram no Briteiros, uma veio do Yahoo e dezanove do Google. É este tipo de informação que me faz rir, por vezes. Mas afinal como é que visitantes vieram ter ao nosso Briteiros? "Ópio + Portugal ", "nus em publico em portugal ", "praia dos tesos" e "fotos manifestações nudistas" são algumas das buscas que deram em visitas. Vai daí, deixa cá ver:

Com "nus em publico em portugal ", vejo que o Google nos pôs na sua primeira página. Louco! Nós tão decorosos que só publicámos as "mamocas" das cachopas do Sun. Antes de nós, e acho bem, ficaram "Sexo e Emoções no SAPO Mulher - Relacionamentos, Sexualidade, Casamento, Família e Consultório de Psicologia.".

Interessante mesmo é a segunda referência do Google que aponta para "Há histórias de uma entrevista em que os elementos da banda acabaram nús em estúdio. Queres falar disso?
(Risos) Por acaso...não foi bem assim. Eles ao início já estavam nús. Não completamente. Talvez o Bono estivesse. Eles vêm cá todos os anos para uma entrevista. Nesse dia as coisas descarrilaram por complete. Estávamos em 1987, algures entre a digressão da ‘Joshua Tree’. Era verão e estava imenso calor. O Bono entrou no estúdio e disse: ‘Vamos fazer algo diferente’. Ele teve a ideia. Eles não se despiram completamente...excepto o Bono. Eu tenho fotos disso…(risos)"

Já estou a ver Sua Excelência o Senhor Presidente da República:

"Bono, ó pá, toma lá a Ordem da Liberdade, mas não mostres as partes impúdicas..."

"What?"

:: enviado por RC :: 8/09/2005 09:04:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Todo o cão e gato

Sampaio condecora U2 com Ordem da Liberdade

A "Ordem da Liberdade destina-se a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação do Homem e à causa da liberdade", hoje os U2, amanhã o Dr. Alberto João.

De tal forma se vulgarizam as honras que já nada significam. Atente-se no que sobre a Torre e Espada se pode ler no sítio da PR.

A Ordem Militar da Torre e Espada pode ser conferida em três casos:
Por méritos excepcionalmente relevantes demonstrados no exercício de funções dos cargos supremos que exprimem a actividade dos órgãos de soberania ou no comando de tropas em campanha;
Por feitos de heroísmo militar e cívico;
Por actos excepcionais de abnegação e sacrifício pela Pátria e pela Humanidade.

O Grande Colar da Ordem da Torre e Espada é hoje atribuído ex officio, exclusivamente, aos antigos Presidentes da República eleitos após terem terminado o mandato, e só neste caso poderá ser usado.

PORQUÊ? E se o mandato tiver sido uma treta?



:: enviado por RC :: 8/09/2005 08:17:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

domingo, agosto 07, 2005

Figo maduro

E você, caro leitor, também já sabe que Luis Figo se transferiu para o Inter de Milão, onde vai ganhar menos uns milhões mensais do que ganhava no Real Madrid (mas, mesmo assim, mais do que nós dois em 10 ou 20 anos de trabalho)? Já sabe, claro. Impossível não saber: a gente põe o pé fora de casa e se não olhar para os escaparates dos jornais, pelo menos ouve as conversas sobre o tema no café, na praia, nos transportes ou no local de trabalho; a gente fica em casa e liga a rádio ou a TV e lá está a transferência.
Mesmo estando a banhos (e, em Agosto, metade do país está a banhos), isso o pessoal sabe. O pessoal tem de se distraír com alguma coisa. Daí ser tão importante termos pago (ou andarmos a pagar) os estádios do Euro 2004 – é preciso animar a malta, entreter o pagode. O pagode precisa de se entreter, precisa de meter a cabeça na areia (de preferência no Algarve) para não ver o quintal das traseiras a arder todos os Verões até não haver nas traseiras senão um sitio degradado para onde se pode deitar o lixo à vontade, e, em geral, para não ver o Estado a que isto tudo está a chegar. O pessoal precisa, porque precisa, de olhar para o lado e assobiar, não é nada comigo, não é nada comigo, precisa de não ver e, se vir, precisa de esquecer rapidamente o que viu, ligar à terra, borrifar-se no assunto, encolher os ombros, beber mais um copo e escutar mais um fado. Quando voltar de férias, quando tirar a cabeça da areia, vai metê-la nos jornais do futebol ou, no caso do ramo feminino, nas telenovelas e nas revistas cor-de-rosa. E quando começar enfim a sentir um estranho bafo na parte de trás do pescoço, é capaz de, na rentrée, sair para a rua e gritar uns morras e uns vivas, após o que, volta para casa satisfeito consigo mesmo, aliviado como quando no estádio insulta a mãe do árbitro ou desanca alguém da claque inimiga. Aliviado porque expressou a plenos pulmões o que diáriamente diz à mesa do café e no local de trabalho (ou no local do emprego – para os que têm emprego mas, felizmente para eles, não têm trabalho) sobre essa cambada de políticos que mal chega ao governo, mete na gaveta as promessas eleitorais e começa logo a fazer merda, porque, no fim de contas, são todos uns aldrabões e uns ladrões, e vão para o governo só para se governarem. E tão aliviado fica, tão de consciência tranquila, tão de bem consigo próprio (o que, aliás, ao contrário do que ás vezes se diz, não é difícil: os portugueses não têm falta de amor-próprio, têm é excesso dele…), que, com o tempo, lá se vai adaptando (é uma das supostas e cantadas qualidades dos portugueses o adaptar-se às situações, o desenrascanço) às novas a cada vez piores condições de vida (para a maioria, claro, que para os outros as mordomias, os carros de gama alta, as férias em destinos exóticos, as senhoras com casa posta, etc, estão aí para os compensar de se sacrificarem pelo bem da Nação ou da Economia), com a benemérita ajuda dos ídolos do futebol e do jet-set colunável (os famigerados “famosos”) até que, nas eleições seguintes, vai (quando se dispõe a ir) direitinho à mesa de voto votar… nos mesmos de sempre (ah!, com a nuance de desta vez votar laranja se antes votou rosa ou vice-versa).

:: enviado por Manolo :: 8/07/2005 09:51:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

É deixar arder...

A cada hora na TV vemos o combate inglório dos bombeiros contra o desleixo nacional. Nem uma berma sem ervas... Algures uma fábrica de móveis em perigo e os bombeiros também em perigo, mas paletes amontoadas e lixo e madeiras e ervas secas até à floresta... As velhinhas que gritam "Ai a minha rica casinha!", mas que lindas que são as ervas secas mesmo até às paredes da casa. E depois é a aflição de uns baldes contra o fogo...

Um país pobre de tudo, mas principalmente do juízo mais elementar..
Dá pena.

:: enviado por RC :: 8/07/2005 09:03:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

sábado, agosto 06, 2005

Ouvir os outros...

"Todo o debate sobre os fogos, é um documento exemplar do que está mal na nossa política puramente posicional (o que se diz na oposição é o contrário do que se diz no governo e vice-versa), que tem desacreditado o PS e o PSD."

Leia o que, a propósito de fogos e postura de políticos, diz JPP.

:: enviado por RC :: 8/06/2005 09:53:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Burocratas duma figa...


Segundo o jornal inglês The Sun, decotes serão proibidos por Bruxelas.
"The ruling is part of the new Optical Radiation Directive — expected to be rubber-stamped by the EU parliament next month.
Germans are already frothing over the new law — because bars in Bavaria have been forced to comply in advance."


********


"This is European law-making at its most pedantic," said Munich's mayor, Christian Ude. "A waitress is no longer allowed to wander round a beer garden with a plunging neckline. I would not want to enter a beer garden under these conditions."

Nessas condições futuras até a cerveja deve saber mal...

:: enviado por RC :: 8/06/2005 02:43:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Cocaína no rio Pó


Cientistas italianos descobriram que no rio Pó, aquele que serpenteia por terras de Don Camilo, passam em cada dia cinco quilos de resíduos de cocaína. Esta quantidade de resíduos permite calcular um nível de consumo de 40 000 doses por dia, em contraste com as 15 000 estimadas oficialmente. Este cálculo é possível pelo facto de a cocaína consumida ser transformada pelo fígado do toxicodependente que produz benzoylecgonina que depois é expelida na urina. Como os consumidores não preenchem inquéritos estatísticos, a análise das águas residuais das grandes cidades pode dar uma ideia exacta do nível de consumo a cada dia que passa.

Leia mais....>>>>

:: enviado por RC :: 8/06/2005 01:35:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Para seduzir uma mulher, nada melhor do que um jantar e um bom vinho

Um estudo britânico tirou a prova dos noves: um jantar e um bom vinho são as melhores armas dos homens para seduzir as mulheres. Os cientistas do University College London (UCL) desenvolveram uma fórmula matemática que permite achar a maneira mais eficiente de impressionar as mulheres.
Nos humanos, tal como nas outras espécies, os presentes servem para fazer a corte e impressionar as mulheres. A atracção física é um elemento importante, mas oferecer presentes pode ajudar bastante. Os resultados do estudo do Departamento de Matemática da UCL demonstram que um presente caro é a prova das intenções sérias de um homem, mas é preciso muito cuidado para que não se deixe explorar pelas mulheres mais ávidas que podem mandá-lo à fava depois de receberem o presente.
Os homens oferecem mais dificilmente presentes caros às mulheres que não lhes interessam a longo prazo. E as mulheres normalmente não se deixam impressionar pelos presentes baratos. Mas se oferecer presentes de valor, como um jantar ou uma sessão de teatro, o homem só paga se o convite for aceite. Ora, se as mulheres não estão interessadas no homem, as probabilidades de aceitarem o convite são muito reduzidas, o que evita ao homem ter de gastar dinheiro inutilmente, como revela o estudo publicado no jornal Proceedings of the Royal Society of London.

:: enviado por JAM :: 8/06/2005 02:49:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, agosto 05, 2005

Não é só o Alberto João

Após oito meses de luta para adquirir o controlo da nona companhia petrolífera americana, como aqui referimos, o gigante chinês do petróleo Cnooc teve que desistir da compra da Unocal, face à oposição cerrada e à histeria anti-chinesa de Washington. Está visto que, quando se trata dos seus interesses, os Estados Unidos já não querem brincar às livres trocas nem à mundialização liberal.
A companhia chinesa acabou por retirar a oferta de compra quando os deputados do Congresso se opuseram à OPA e ameaçaram modificar a legislação americana para tornar impossível a operação. Houve até quem defendesse que a OPA da Cnooc representava um perigo para a segurança americana.
As tensões entre Pequim e Washington estão ao rubro desde que os Estados Unidos procuram limitar as importações de têxteis, de aço e de televisores fabricados na China. Os dirigentes americanos manifestaram-se igualmente contra as falsificações chinesas que invadem o mercado mundial e contra a política monetária de Pequim, que apoia as exportações através duma sub-avaliação cerrada do yuan. Foi sobretudo esta explosão do ostracismo anti-chinês que levou à inviabilização do negócio da Cnooc, que é considerada uma das empresas chinesas mais modernas e ocidentalizadas.
Os analistas económicos constatam que o comportamento dos americanos é extremamente perturbador para todos os que acreditam nas livres trocas e na abertura dos mercados, e advertem para o facto de que a vingança do chinês não perderá pela demora. O governo chinês poderá agora favorecer os negócios com empresas europeias – como os aviões e as turbinas das centrais energéticas – e as empresas chinesas poderão, a partir de agora, multiplicar os acordos com Estados que Washington considera à margem da lei. Os próprios interesses americanos na Ásia poderão vir a estar ameaçados.
Os Estados Unidos foram quem mais encorajou a integração pacífica da China no concerto das nações. Ao contrariarem agora as operações económicas chinesas é caso para perguntar: será que os americanos estão conscientes do que estão a fazer e da crise política que estão a provocar?

:: enviado por JAM :: 8/05/2005 07:59:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Piromania


«Pode dizer-se que o perfil do incendiário centra-se num indivíduo entre os 20 e os 40 anos, parcas habilitações, famílias modestas e que normalmente age num quadro de futilidade»

Somos então um país refém do tédio e da debilidade mental. Desorganizado e relaxado, sujo e mal mantido. As encostas das nossas montanhas, outrora verdejantes, são hoje uma paisagen lunar...

:: enviado por RC :: 8/05/2005 01:58:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

quinta-feira, agosto 04, 2005

Preparem-se... aí vai o tubo de cola !

A NASA conseguiu, numa operação inédita, reparar em órbita o escudo térmico do Discovery, de modo a minimizar o risco de desintegração da nave espacial no momento do regresso à Terra, na próxima Segunda-feira.
Numa espectacular saída para o espaço, o astronauta Stephen Robinson retirou sem dificuldade, duas juntas que formavam um bossa potencialmente perigosa na barriga do vai-vem espacial. Robinson poderá ter que voltar a sair amanhã, se os engenheiros concluírem que a fenda na protecção térmica em tecido reforçado, por baixo da vigia da cabina de pilotagem, apresenta igualmente um risco.

:: enviado por JAM :: 8/04/2005 04:46:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Irão, o regresso do nuclear

A decisão do Irão de recomeçar as experiências nucleares no complexo de Ispahan tem tudo de uma declaração de guerra. Os moderados favoráveis às concessões mais alargadas ao Irão, como a França e a Alemanha, estão manifestamente fora de si. A carta execrável que Joschka Fisher enviou a Teerão para pedir desculpas pelas declarações do seu colega do Interior, Otto Schily, que se interrogara sobre o passado terrorista e sanguinário do novo presidente Ahmadinedjad, acabou por não servir para nada.
A interpretação é simples: o Irão nunca teve intenções de renunciar minimamente ao desenvolvimento de uma arma nuclear. Sobretudo agora que, por um lado, os Estados Unidos têm demasiado que fazer no Iraque para se darem ao luxo de abrir uma nova frente de guerra e, por outro lado, a evacuação da faixa de Gaza por Israel e o reacender das actividades da Al-Qaeda não vão deixar qualquer disponibilidade ao Tsahal israelita para poder usar de represálias.
Neste buraco de vulnerabilidade do Ocidente, o Irão conseguiu ainda assegurar o veto combinado da Rússia e da China no Conselho de Segurança. Tudo isso, associado à forte conjuntura petrolífera internacional, coloca o poder iraniano ao abrigo de qualquer tipo de arma económica séria.
Assim, o Irão não parece nada preocupado com o isolamento internacional que se avizinha. Para além das reservas de petróleo e gás natural, que lhe vão permitir passar o Inverno sem problemas, os amigos de Khameni (que continua a ser quem manda no país) estão preparados para lançar o sanguinário e populista Ahmadinedjad na primeira linha para servir de bode expiatório. Ou seja, só a crise interna do regime poderá constituir uma ténue esperança de obstáculo ao avanço da opção nuclear do Irão.

:: enviado por JAM :: 8/04/2005 09:51:00 da manhã :: 2 comentário(s) início ::

Durões?

Parece que agora os nossos governantes vão adoptando tiques de QPM. Como diz um amigo meu, Quero Posso e Mando, é negociação nos dias que correm. Nas fotocópias por onde alguns vão estudando as suas cartilhas faltam algumas páginas. Negociar assuntos da importância de que se revestem as condições gerais para a Função Pública, não é assunto a tratar com leviandade e voluntarismo surdo. A maioria pode ser absoluta, mas o poder não o pode ser.

"Mesmo assim, o STE considera que a proposta do Governo «não privilegia as longas carreiras contributiva dos trabalhadores».

O sindicato vai reunir-se com o secretário de Estado, esta quinta-feira. Esta reunião surge depois de João Figueiredo ter dado como concluídas as negociações sobre esta matéria, após uma primeira reunião com as estruturas sindicais. Mas o STE considerou que o assunto ainda não estava encerrado e requereu uma negociação suplementar ao secretário de Estado.

Segundo o Ministério das Finanças, para além do já referido sindicato, estarão também presentes a Frente Comum e a Frente Sindical da Administração Pública.

Ao abrigo da lei colectiva, os sindicatos têm direito a requerer negociações suplementares, mesmo depois de estas terem sido dado como encerradas, como foi o caso. O processo «ainda está em aberto e o secretário de Estado vai recebê-los», adiantou a assessora de imprensa do ministério, Fernanda Pargana, ao PortugalDiário."

Uma reunião e já está? Nem o Santana Lopes chamaria a isso negociação!

:: enviado por RC :: 8/04/2005 02:53:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, agosto 03, 2005

Coimbra Dança

Integrado na Rede Cidades Que Dançam – circuito de Festivais Internacionais de Dança em Paisagens Urbanas, a cidade de Coimbra prepara-se para receber a partir de hoje o festival Coimbra Dança que promete animar a cidade dos doutores num período em que a maioria das pessoas se encontra de férias.
Até 7 de Agosto, vão estar patentes em vários locais da cidade diversos espectáculos com vários estilos de música e de dança, com primazia para as danças contemporâneas e experimentais, mas igualmente com momentos mais tradicionais como a salsa da Companhia de Dança Espasso Latino, que animará o parque Verde do Mondego, na sexta-feira à noite.
Ao presentear o público com vinte e cinco companhias e uma programação que leva os espectadores a territórios e edifícios nobres, como o Convento de São Francisco, o Museu dos Transportes ou o Pátio da Inquisição, Coimbra Dança procura um lugar no tempo, um lugar para inscrever a dança em Coimbra.

:: enviado por JAM :: 8/03/2005 06:43:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Optimismos

Acção de protesto de um grupo de activistas da PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), ontem em frente à loja da Benetton em Tóquio.
Num mundo em que tão mal se tratam eticamente os seres humanos, ainda há quem se preocupe com o mau tratamento ético dos carneiros!...

:: enviado por JAM :: 8/03/2005 12:32:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Poderá o IRA ser um modelo para a ETA?

O anúncio do IRA de abandonar a luta armada sacudiu o cenário político do País Basco e desencadeou uma série de pedidos, por parte dos partidos políticos bascos, para que a ETA siga o exemplo dos republicanos da Irlanda do Norte e deixe definitivamente o terrorismo.
O IRA era, para muitos nacionalistas bascos, o espelho da sua luta. A primeira visita de Gerry Adams ao estrangeiro, logo que foi reconhecido pelo governo de Tony Blair, foi ao País Basco. Por sua vez, muitos militantes da ETA visitaram Belfast e reciprocamente. Por isso, os Bascos analisam agora à lupa a situação na Irlanda do Norte e nela procuram todas as semelhanças mais ou menos razoáveis entre as Histórias dos dois povos.
Mas, ao mesmo tempo, ao olharem para a Irlanda, os Bascos sempre evitaram olhar para si mesmos. A Irlanda foi, durante muito tempo, o espelho deformador da realidade basca e, por isso, o caminho seguido pela Irlanda do Norte só a ela pertence, bem como a sua paz. O caminho dos bascos deverão ser eles a percorrê-lo e, para isso, não existe modelo. Ou, se existir, não é certo que seja o irlandês.

:: enviado por JAM :: 8/03/2005 11:00:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Eles estão de volta

Lembram-se do cartaz de campanha do PSD com a frase “quer mesmo que eles voltem?”? Estavam lá as caras de alguns que já voltaram, não à política, mas ao que a política pode fazer por eles. Fernando Gomes está na Galp, Armando Vara na Caixa. E outros se seguirão. Estão de volta.

:: enviado por JAM :: 8/03/2005 01:23:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, agosto 02, 2005

Manuel Alegre

Parece que foi o último a saber...

:: enviado por RC :: 8/02/2005 08:22:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Furúnculo


Ponto negro na cara da Europa, furúnculo no "cul-de-sac" ibérico, esta é a notícia do dia.

Chegam à SIC as notícias um pouco requentadas. O trabalho do The Times é de 10 de Julho e não refere só estradas bolivianas como sendo mais perigosas que o IP5. A N340 de Malaga a Torremolinos e a estrada que liga Bagdade ao aeroporto da cidade são estradas igualmente perigosas.


Leia o artigo... >>>

:: enviado por RC :: 8/02/2005 07:55:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Será?

• BARÓMETRO
Maioria crê em mudança caso PS saia derrotado das autárquicas
A maior parte dos portugueses acredita que o Governo irá mudar de política caso o PS sofra uma derrota nas autárquicas. O Barómetro DN/TSF/Marktest indica ainda que a larga maioria crê que estas medidas vão prejudicar o PS nas autárquicas.

Dos que acreditam numa mudança em caso de derrota socialista, a maior parte são eleitores do PS, ao passo que entre os apoiantes do PSD também esta convicção é a que ganha.

:: enviado por RC :: 8/02/2005 11:10:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::

A arma que ficou duas vezes na História

Uma das armas mais famosas da História foi a picareta usada para matar Leon Trotsky que agora foi encontrada, a poucas semanas das comemorações do 65.° aniversário do assassinato, depois de ter estado desaparecida durante décadas. Só que os exames que poderiam demonstrar a autenticidade da ferramenta não serão feitos enquanto não for resolvido o diferendo que opõe a sua actual proprietária e o neto de Trotsky, Esteban Volkov.
Trotsky foi assassinado em 20 de Agosto de 1940, quando vivia exilado no México, para onde tinha fugido três anos antes, após ter acusado Staline de ter atraiçoado a revolução russa. Consta que foi o próprio Staline quem organizou o assassinato, em que um jovem, que se fez passar por um simpatizante, se aproximou de Trotsky, por trás, e lhe espetou a picareta na cabeça.
A arma, que ainda contém traços de sangue do revolucionário, é agora propriedade de Ana Alícia Salas, filha do chefe da polícia secreta, que na altura a terá subtraído às provas do crime. Alícia Salas quer agora vendê-la pela melhor oferta.
A única forma de provar que as marcas são do sangue de Trosky é proceder a testes comparativos com o ADN do neto. Só que Esteban Volkov, que tem mantido viva a chama revolucionária do avô, através de um museu que criou para o efeito, quer que a arma do crime lhe seja doada, para aí ser exposta. Caso contrário, recusa-se a fazer os necessários testes de ADN.

:: enviado por JAM :: 8/02/2005 11:03:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, agosto 01, 2005

Mega casa de passe no Mundial 2006

Tudo indica que o Mundial 2006, da Alemanha, vai ser um gozo.
Baptizada com o nome de “complexo Artemis”, do nome da deusa grega da caça, Berlim vai construir uma enorme casa de passe com 3.500 m2, 60 quartos, restaurante, pista de dança, sauna, massagens, sex-shop, salas de cinema e uma equipa duma centena de prostitutas, prontas a contribuir para que não falte nada aos milhares de visitantes que afluirão ao Estádio Olímpico durante o Campeonato do Mundo de Futebol.
Já na cidade de Dortmund, onde se situa outro dos onze estádios da competição, vai ser construído um parque de bungalows nos bosques dos arredores, para poder satisfazer os clientes da prostituição legal alemã, mas de uma forma mais discreta, longe do centro da cidade.

:: enviado por JAM :: 8/01/2005 05:49:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

O negócio da doença

Um inquérito independente publicado pelo The New Zealand Listener afirma que os critérios do que normalmente se entende por doença foram alargados. Por exemplo, toda a mulher que não tiver uma densidade óssea equivalente à de uma trintona é considerada anormal e portanto doente. Isso significa que quase metade das mulheres, após a menopausa, sofrem de osteoporose. Do mesmo modo, os critérios que definem os doentes de colesterol ou as pessoas que sofrem de depressão são cada vez mais nebulosos.
A influência das empresas farmacêuticas é tão grande que não se consegue distinguir o que é do domínio médico do que diz respeito ao marketing. Por exemplo, um método de marketing muito utilizado consiste em evidenciar o risco relativo e minimizar o risco absoluto de desenvolver uma doença. Assim, se um medicamento reduz o nosso risco de 3 % para 2 %, trata-se de uma redução relativa de 33%, mas apenas uma baixa de 1 % em valor absoluto. A diferença é enorme e os doentes ficam desorientados e sobrestimam os riscos.
A indústria farmacêutica tem deste modo deturpado as noções de doença e de prevenção tornando-se, por isso, absolutamente necessário definir com precisão o que é estar doente – ou seja, a fronteira entre boa e má saúde – e definir igualmente as noções de prevenção.

:: enviado por JAM :: 8/01/2005 11:49:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::