BRITEIROS: Fevereiro 2006 <$BlogRSDUrl$>








terça-feira, fevereiro 28, 2006

O Nubbel

Os dias loucos do carnaval de Colónia decorrem entre a “Quinta-feira das mulheres”, dia em que as mulheres tomam conta do poder e cortam as gravatas aos homens na rua, e a Quarta-feira de Cinzas. Durante esse período reina na cidade uma espécie de estado de excepção: os bares abrem 24 horas por dia, as caixas do supermercado acolhem os clientes ao som de gaitas de plástico, as padeiras põem narizes de palhaço e a cerveja corre a rodos, mesmo no local de trabalho.
Todos os excessos cometidos nesta semana são felizmente perdoados depois do Karneval. No final, o único responsável é o Nubbel, uma espécie de espantalho de palha, representando um bêbado, preguiçoso mas simpático, que arca com todas as culpas, tal bode expiatório universal. Durante a festa vive suspenso por cima da porta dos bares da cidade e acaba queimado na praça pública, durante a procissão nocturna da Quarta-feira de Cinzas.

:: enviado por JAM :: 2/28/2006 05:06:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Alta tensão

Espanha e França estão a viver, com particular intensidade, duras batalhas contra o redesenhar do mapa dos seus sectores energéticos. Quase ao mesmo tempo em que se conhecia a OPA da alemã E.ON sobre a espanhola Endesa, vinha a público que outro gigante europeu, a italiana Enel, pretendia adquirir a segunda empresa energética francesa, Suez. O editorial do Figaro, um diário que não é propriamente um bastião do ultraliberalismo, referia sem rodeios: “o presidente e o primeiro ministro ocuparam-se directamente do assunto. Discreta e firmemente, a mensagem enviada aos italianos não deixa dúvidas: não se toca no número dois francês da energia, que ainda por cima abastece a água a um em cada dois municípios franceses. E, tratando-se de uma das nossas empresas mais estratégicas, ninguém se deve escandalizar com isso. Todos os grandes países confrontados com este tipo de situação agiram exactamente da mesma maneira. Não se brinca com a segurança nacional. A ter que fazer alguma coisa pelo caso Suez, o governo só daria prova de responsabilidade se acelerasse uma aproximação à Gaz de France. No turbilhão actual da energia na Europa, nenhum desses grupos tem dimensão nem poder para competir na primeira divisão.”
Em Itália brada-se contra esta iniciativa francesa censurável e grita-se que a UE está morta. Por sua vez, o editorial do principal diário económico francês, Les Echos, dizia: “dada a maneira desordenada como os países europeus intervêm hoje em relação às OPA, receia-se que as decisões tomadas correspondam mais a um regateio baseado na reciprocidade do que a uma lógica empresarial. Mais do que de “campeões nacionais”, o que o Velho Continente mais necessita é de “campeões europeus”.
O turbilhão não vai tardar a atingir a “nossa” EDP. O que nos leva também a questionar, como Ribeiro da Silva: - Como se explica que, particularmente em período de crise energética, as empresas que fornecem energia obtenham lucros ímpares?!; - Como se aceitam estes lucros, realizados em torno de uma actividade económica essencial às pessoas e às empresas?!...

:: enviado por JAM :: 2/27/2006 08:58:00 da manhã :: 3 comentário(s) início ::

domingo, fevereiro 26, 2006

Give peace a chance

É praticamente impensável esperar que o fim de uma organização terrorista, como a ETA, se produza por simples desaparecimento ou por magia. O normal é que, ao chegar ao fim, exista algum tipo de diálogo entre a organização terrorista e o Governo, seja qual for a cor deste. É também normal que esse diálogo contenha algum requisito por parte da organização terrorista. E é igualmente bastante normal que, o que quer que seja que o Governo possa estar disposto a prometer em troca, se qualifique como político e não como técnico. Como aliás são políticas, e não técnicas, todas as decisões adoptadas por um Governo, com o apoio do Parlamento.
Paz não pode significar exclusivamente trégua, pois isso seria apenas um passo unilateral. É preciso que todos se mexam e não basta pôr em cima da mesa das negociações territorialidade e autodeterminação do povo Basco. É também necessário que os partidos políticos criem condições para que elas se possam concretizar, com todas as adaptações do arsenal jurídico e constitucional que isso possa implicar.
Só que, como se viu pela amplitude da manifestação de ontem, o trabalho hercúleo do Governo espanhol vai ser conseguir o acordo da oposição, numa questão que, na prática, é inabordável sem um forte consenso.

:: enviado por JAM :: 2/26/2006 01:41:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Vai um cafezinho?

Etiópia!
Do coração da África
A plantação fantástica
Girou o mundo a seduzir
A maravilha descoberta por Kaldi

Chegou ao Brasil
Lá da Guiana francesa
Com Francisco de Melo Palheta
Português, desbravador e genial
De lá pra cá, parou no Pará
Beleza, pureza, paixão, paladar
E hoje em cada lar desse país
Um cafezinho deixa o mundo mais feliz

Seu ar de sedução
Trazendo imigrantes e a miscigenação
A força da planta enriquece a nação
O Espírito Santo jorra café da veia
A terra mais fértil e sagrada
Da pátria amada mãe gentil ó meu Brasil... é capixaba.
Nascendo sementes, quebrando as correntes
Liberdade desejada!

Bota água pra ferver
Essa noite brindo a você
Com o sabor do prazer
Um aroma de enlouquecer
Quem vem de longe, já sabe o que é
É o meu café.

Vem meu amor, vamos provar
A Mocidade é quem vai te levar
Pro cafezal, delírio desse carnaval!

[Letra da escola de samba Mocidade Unida da Glória (MUG)]

:: enviado por JAM :: 2/26/2006 12:00:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Pergunta o roto ao nu

70 mil crianças dispersas por 4500 escolas com menos de 10 alunos vão passar a frequentar estabelecimentos com qualidade e dimensão mínima. [...] O sucesso deste processo, para além de requerer uma análise de pormenor (nomeadamente de casos especiais de isolamento), torna essencial garantir que os alunos mudam para melhor, que a escola “nova” tem higiene, aquecimento, cantina, refeitório, recreio, ginásio, biblioteca, laboratório. Quem vai responsabilizar-se pelas adaptações necessárias num parque escolar já à partida tão deficiente?

:: enviado por JAM :: 2/26/2006 09:46:00 da manhã :: 1 comentário(s) início ::

sábado, fevereiro 25, 2006

Violência e respeito

A violência dos adolescentes não é um fenómeno novo. Lembramo-nos que, há mais de 40 anos, existiam as “titurias”, os tribunais dos pequenos delinquentes, sem domicílio, sem meios de subsistência, abandonados, vadios, mendigos, libertinos,... O que é novo é que hoje essa violência já não é regulada pela sociedade. Reveladores da crise das instituições tradicionalmente integradoras que são a família e a escola, os comportamentos delituosos já só são levados a sério quando envolvem acções criminosas, como é agora o caso do assassínio do sem-abrigo do Porto.
Todas as incivilidades exigem de todos nós muito mais do que reacções de indiferença ou de discursos agressivos para com os jovens. Respeitar os jovens é ouvi-los, acompanhá-los no seu percurso até à autonomia, mas também, se for caso disso, sancionar os seus desvios. A restauração do diálogo adultos-jovens e, mais genericamente, a reconstrução dos laços sociais, tornou-se uma urgência num mundo que pretende promover uma cultura da não-violência e da paz.
Longe de estar fora de moda, o respeito é um elemento chave da relação com o próximo e o fundamento da vida social. Não haverá solução para a violência social sem a educação de adultos, jovens e crianças para o justo respeito e o reconhecimento dos outros, na sua existência e na sua diferença. Não poderá haver resolução não-violenta dos conflitos sem o respeito mútuo dos protagonistas.

:: enviado por JAM :: 2/25/2006 03:59:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Sem abrigo

"A Polícia Judiciária está a investigar as circunstâncias da morte de um sem abrigo, aparentando 40 anos, ... "

"12 adolescentes terão espancado um homem até à morte"

Os menores, adolescentes, crianças, jovens assassinaram um sem-abrigo. Travesti, sem abrigo, toxicodependente, era um ser humano, mas podia ser um cão.

Assim vai Portugal.

:: enviado por RC :: 2/24/2006 07:54:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Bolkestein na América

É no mínimo intrigante a decisão da maior potência do mundo, de externalizar a administração dos seus principais portos, que são infraestruturas das mais vulneráveis a possíveis ataques terroristas ou desastres naturais. A história desta singular operação é longa e complexa e, para não a repetir, remetemo-vos para esta bela perspectiva das tensões em jogo.
Os media americanos estão em polvorosa sobre o assunto, não só porque as preocupações sobre a segurança parecem legítimas, mas também porque é controversa a aparente tentativa de melhorar a imagem dos Estados Unidos no mundo muçulmano, face à desastrosa guerra no Iraque. À medida que os jornalistas avançam no esclarecimento das reais motivações, começam a descobrir-se os pontos mais obscuros. Por exemplo, uma reportagem da NPR no porto de Newark, face a Manhattan, constata que afinal só um dos seis terminais seria co-gerido pela Dubai Ports World, enquanto que dois outros são já controlados por uma sociedade chinesa, que aparentemente nunca suscitou qualquer protesto.
A aprovação da sociedade do Dubai não tem pois nada de extraordinário, como atesta a opinião partilhada pelos vários especialistas ouvidos pelo New York Times. A história não deixará de repetir-se na Europa após a aprovação da célebre directiva Bolkestein e das suas previsíveis emendas destinadas a estendê-la a todo o mercado global. É, como diz a Leila, o feitiço se virando contra o feiticeiro.

:: enviado por JAM :: 2/24/2006 05:56:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Não foi há tanto tempo como isso...

Faz hoje 25 anos que 200 elementos da Guardia Civil invadiram, de armas em riste, o Congresso de Deputados espanhol para acabar com o regime democrático que estava a tentar impôr-se após a morte do ditador Franco, em 1975 .
Todos os presentes na ocasião se esconderam sob as bancadas, à excepção de 3 homens:
- Adolfo Suarez, presidente do governo demissionário;
- o general Gutierrez Mellado, ministro da Defesa; e
- Santiago Carrillo, secretário-geral do PC de España.
Dessa vez, porém, a extrema-direita espanhola não conseguiu arrastar o país para nova guerra civil.

:: enviado por Manolo :: 2/23/2006 08:58:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

A guerra das mesquitas

Carros bomba nos mercados, assassinatos a personalidades religiosas e políticas, raptos de civis, depois torturados até à morte,... Todas as atrocidades possíveis e imagináveis pareciam ter sido praticadas para provocar uma guerra civil entre sunitas e chiitas no Iraque.
Todas, à excepção do poderia revelar-se como o factor mais determinante: um atentado contra um lugar santo. O que aconteceu ontem na mesquita de ouro de Samarra, um santuário que está para os chiitas iraquianos como Fátima está para os cristãos portugueses, não tinha outro objectivo. Em sinal de vingança, só em Bagdade nada mais nada menos que 27 mesquitas sunitas foram atacadas, incendiadas e ocupadas.
Os esquadrões da morte sunitas podem não ter ainda conseguido a tão almejada guerra civil, mas já podem orgulhar-se de terem instigado a guerra das mesquitas.

:: enviado por JAM :: 2/23/2006 11:01:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Os animais não sofrem como nós?

Activistas manifestaram-se em Lisboa contra uso de peles de animais no dia 13 deste mês. A associação de defesa dos direitos dos animais Animal associou-se nessa data ao Dia Internacional de Protesto contra o Uso de Pêlo, através de uma acção simbólica em Lisboa, em frente à embaixada da China, país que lidera a produção mundial de peles. A Animal encenou um protesto simbólico recorrendo a um cabide com casacos e acessórios de pele pendurados, cartazes com imagens de cadáveres de animais e um activista despido e pintado de vermelho, representando um animal esfolado e ensanguentado.
Como disse, e bem, Milan Kundera: "A verdadeira bondade do homem só se manifesta com toda a pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade, o seu fundamental teste [o mais radical, num nível tão profundo que escapa ao nosso olhar], consiste na sua atitude em relação àqueles que estão à sua mercê: os animais. E, a este respeito, a humanidade sofreu um fundamental desastre, um desastre tão fundamental que todos os outros [desastres] decorrem dele".

:: enviado por Manolo :: 2/22/2006 11:12:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Dois pesos, duas medidas


© desenho de Osmani Simanca

O presidente Chirac está de regresso da Índia, onde, para além de mais umas dúzias de Airbus, foi vender um pacote de centrais nucleares. Jogada de antecipação oportuna, já que o presidente Bush tem agendada uma deslocação a Nova Deli, no início de Março, uma visita oficial que surge na sequência do acordo de cooperação nuclear assinado pelos dois países, em Julho de 2005.
Temos pois, de um lado a França e os Estados Unidos que esperam vender umas quantas centrais nucleares (prevêem-se 25 ou 30) a um país que possui a bomba atómica sem ter assinado o tratado de não proliferação (TNP). E do outro, a comunidade internacional que faz pressão sobre o Irão para que renuncie ao seu programa de enriquecimento de urânio, mesmo que seja só para fins civis.
O TNP é um tratado extremamente discriminatório. Em vigor desde 1970, estabelece uma clara diferença entre os Estados signatários, dotados da arma nuclear, e que têm o direito de a conservar (Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e China), e todos os outros que a ela devem renunciar, em troca de ajuda para desenvolverem os seus próprios programas nucleares civis.
Mas o TNP é pior do que uma pedra no sapato: Aqueles que o assinaram estão sob vigilância permanente e toda a gente os chateia, enquanto que aqueles que se recusaram a assiná-lo fazem o que lhes apetece e, mesmo assim, recebem a abençoada ajuda. É o caso da Índia, do Paquistão e de Israel.

:: enviado por JAM :: 2/22/2006 04:24:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, fevereiro 21, 2006

O bloqueio

A política de isolamento que Israel e os EUA se preparam para aplicar poderá ter efeitos perversos, levando os radicais a questionarem-se se vale a pena apostar na via democrática.

:: enviado por JAM :: 2/21/2006 09:49:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Antivírus

Em 1997, quando foi identificado em Hong Kong o primeiro caso de contaminação humana pela gripe das aves, as autoridades reagiram eliminando todas as aves de capoeira. Desde então, o território pôs em prática uma política bastante rígida de controlo sanitário. Com sucesso: Apesar da gripe das aves ter continuado a atingir as espécies selvagens da região, como as garças ou os falcões, as capoeiras de Hong Kong têm sido poupadas.
Um país como a Tailândia, que aprendeu bem a lição de Hong Kong, conseguiu limitar consideravelmente a contaminação das suas aves domésticas, em comparação com países menos rigorosos como o Vietname. Em consequência, o número de doentes humanos tailandeses é nitidamente inferior ao verificado nos países vizinhos.
Isso significa que as medidas de prevenção existem e são eficazes. Assim sendo, a única coisa que se pede aos poderes públicos em geral, e particularmente aos portugueses, é que essas medidas sejam aplicadas rigorosamente à letra. Para além disso, nada mais há a fazer e muito menos privarmo-nos do delicioso franguinho de churrasco ou do arroz de pato, em nome do chamado “princípio de precaução”, que pode rapidamente resvalar sob o efeito da psicose.

:: enviado por JAM :: 2/21/2006 09:03:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Crónica de um desastre anunciado

A aldeia de Guinsaugon, nas Filipinas, desapareceu do mapa na Sexta-feira passada, engolida por uma enorme avalanche de lama que ceifou a vida a perto de 1500 pessoas. Mas, nem a catástrofe, nem a sua amplitude, nada têm de surpreendente. Os geólogos e ecologistas filipinos tinham sido bastante peremptórios: as montanhas em volta do vale, onde se situa a aldeia, foram totalmente desflorestadas ao longo das últimas décadas e deixaram os solos completamente expostos à erosão. E isso é tanto mais grave numa região que é frequentemente atingida por grandes chuvadas.
O editorial do jornal The Philippine Star adverte que “esta catástrofe deveria deixar o país de sobreaviso quanto a outros desastres do género que ameaçam produzir-se”. Por isso, o jornal de Manila solicita “a criação de um sistema de prevenção de catástrofes similares aos que existem para antecipar as erupções vulcânicas”. E acrescenta que “voltar a ignorar os perigos será um erro fatal”.

:: enviado por JAM :: 2/20/2006 02:42:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

O fim do neoconservadorismo

Houve alguém que teceu, este fim de semana, uma rogatória implacável contra a política externa americana da Administração Bush, na revista do New York Times. Implacável, argumentada e entusiástica. De quem se trata? O articulista em questão considera “muito pouco provável” que a História guarde um veredicto positivo sobre a intervenção no Iraque e as suas razões. Entre outros, o país tornou-se num íman, num campo de treino e numa base operacional para terroristas djihadistas e a guerra conseguiu “unir a maioria do mundo num frenesim anti-americano”. E conclui assim o famoso articulista: “Precisamos de desmilitarizar aquilo a que chamámos a guerra global contra o terrorismo e desviarmo-nos para outros tipos de instrumentos políticos”.
Algumas pistas: 1- Não é Maureen Dowd (a cronista mais mordaz do New York Times). 2- O autor define-se como tendo “militâncias múltiplas” com as diferentes facções do movimento neoconservador. 3- Afinal, a História ainda não chegou ao fim. 4- É ele que está na foto.
Resposta aqui.

:: enviado por JAM :: 2/20/2006 10:31:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

domingo, fevereiro 19, 2006

Um mal nunca vem só

Já repararam que desde que Cavaco Silva foi eleito o Benfica não ganha um jogo?

:: enviado por U18 Team :: 2/19/2006 05:15:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

Não dá para entender

Numa iniciativa interessante, os Verdes do Parlamento Europeu distribuíram esta semana, por ocasião do aniversário do Protocolo de Quioto, três mil preservativos com o slogan “Don’t fuck the climate. Play with the Greens”. Preservativos verdes, em fibra natural, mas não biodegradáveis.

Compreende-se bem porque é que não devemos “fuck the climate”. Só não dá para entender, porquê os preservativos? Não serão eles porventura uma incitação à f....?

:: enviado por JAM :: 2/19/2006 04:08:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

E agora, sr. eng.º?


Para mim é tão óbvio que o álcool a mais ingerido antes de conduzir tem reflexos negativos na condução como que a vizinhança das chaminés das cimenteiras tem efeitos negativos na saúde das populações que as rodeiam. Acho que a simples observação dos factos e o senso comum bastam para nos mostrar isso. Pode acontecer, evidentemente, que uma pessoa tenha bebido em excesso e tenha tido a sorte de conduzir sem causar danos a si próprio ou aos outros; pode acontecer que um vizinho de uma cimenteira nunca venha a ter problemas de saúde relacionados com o ar poluído que respira, mas a verdade é que, em ambos os casos, o RISCO de que venha a acontecer o pior é claramente MAIOR.
Segundo li, no Público, a principal conclusão dos resultados preliminares do Estudo Saúde Centro 2005 disponibilizados na Internet pela Administração Regional de Saúde é que as populações de Souselas e de Maceira, vizinhas de 2 cimenteiras, apresentam uma prevalência de doenças respiratórias, tumorais e cardíacas muito superior à da restante população da Região Centro. Este estudo provém da promessa feita por Guterres à população de Souselas de que a co-incineração de resíduos industriais perigosos não seria praticada na unidade local da Cimpor antes de ser realizado um estudo epidemológico relativo àquela freguesia de Coimbra e de serem tomadas medidas para minorar o eventual “passivo ambiental” decorrente da vizinhança da cimenteira.
E agora, José?...

:: enviado por Manolo :: 2/19/2006 01:32:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

sábado, fevereiro 18, 2006

Não tem nada a ver

Vi hoje uma reportagem da SIC sobre desportistas campeões do mundo que desconhecia. São portugueses, treinam sem condições e sem apoios financeiros. Tiveram o azar de nascer no país errado. Um país em que os governantes pensam que se são campeões do mundo é porque querem. Que se desenrasquem sozinhos. Outros deve haver que, não sendo campeões do mundo, têm orgulho em vestir a camisola portuguesa e obtêm resultados que não (n)os envergonham. Fazem-no ignorados pelos seus conterrâneos e na mais completa indiferença do Estado que era suposto apoiá-los.
Também hoje, o Expresso afirma que a Metro do Porto S.A. pagou, entre 2000 e 2003, 650 mil euros de prémios de gestão aos três membros da Comissão Executiva (responsáveis por uma obra que já custou mais 1,5 mil milhões de euros do que estava previsto).
Campeões do mundo ignorados, maus gestores premiados. Não tem nada a ver.

:: enviado por U18 Team :: 2/18/2006 10:49:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Verde

“Verde que te quiero verde
verde viento verdes ramas
el barco sobre la mar
el caballo en la montaña…” escreveu Federico Garcia Lorca.
“Verdes são os campos
de cor de limão
assim são os olhos do meu coração…” escrevera, antes, Luís de Camões.
“Olhos verdes são traição
são cruéis como punhais…” cantava, já na nossa época, Francisco José.
Mais prosaicamente:
Verdes são os lagartos quando têm a coragem de não se dizerem leões.
Verdes são as uvas (“só os cães as podem tragar”) que a raposa da fábula não consegue alcançar.
Verdes são os ecologistas nos intervalos de estarem vermelhos de indignação por causa da progressiva destruição do nosso planeta azul.
Verde é agora a nova cor do banco do dr. Ricardo que, por sua vez, deve ter ficado verde de inveja do eng.º Belmiro por causa da opa sobre a Telecom.
Verde é a cor das bandeiras do Hamas, não sei se verde-vómito (o vómito, apesar de violento ou talvez até por isso mesmo, pode trazer alívio) ou verde-esperança.
E, sim, verde é a esperança. O poeta brasileiro Mário Quintana chamava-lhe irónicamente "urubu pintado de verde".

:: enviado por Manolo :: 2/18/2006 10:25:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Perguntar não ofende (21)

A próxima visita de Freitas do Amaral a Teerão?


:: enviado por U18 Team :: 2/18/2006 08:25:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

O sonho da razão produz monstros

Continua a incerteza sobre a linha que vai adoptar o Hamas no dia (se chegar esse dia) em que assumir a condução dos destinos da Palestina. Os analistas mais prudentes afirmam que nada de substancial mudará antes das eleições israelitas e que se conheçam a nova composição do Parlamento do Estado judeu e as suas opções em relação à Palestina e ao próprio Hamas. Até lá, vai ser difícil fazer funcionar o novo Parlamento palestiniano, que tem 10% dos seus deputados encarcerados em Israel.
No entanto, Henry Kissinger já sabe claramente o que os islamitas vão ter que fazer: seguir os passos do seu admirado Ariel Sharon e dar uma reviravolta aos seus propósitos políticos. Tal como Sharon, o Hamas só vai fazer isso quando se convencer que não há estratégia alternativa possível. Escreveu o velho falcão americano no International Herald Tribune (versão francesa aqui). Se se produzir a aproximação entre israelitas e palestinianos que essa mudança proporcionaria, ambas as partes deveriam adiar as suas exigências mais inegociáveis sobre as fronteiras definitivas, os refugiados e o estatuto final da parte árabe de Jerusalém. Israel retirar-se-ia para trás das fronteiras fixadas em Camp David e subscritas pelos presidentes norte-americanos, e o governo controlado pelo Hamas seria obrigado a renunciar à violência e teria que aceitar os acordos previamente assinados pela OLP. Só faltou dizer o que teriam que fazer os Estados Unidos com o Hamas se os radicais palestinianos se negarem a assinar essa espécie de rendição sem condições por ele proposta.

:: enviado por JAM :: 2/18/2006 09:58:00 da manhã :: 5 comentário(s) início ::

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

CAMILO TORRES - Padre guerrilheiro


Nascido em Bogotá a 3 de Fevereiro de 1929, Camilo Torres - o Padre Guerrilheiro - morre em combate no dia 15 de Fevereiro de 1966.
Num País em que a miséria extrema do Povo contrasta com a opulência de uma oligarquia apoiada pelos U.S.A., Camilo toma partido aderindo ao ELN - Exército de Libertação Nacional. É dele a célebre frase: " Se Jesus Cristo voltasse à Terra, juntar-se-ia aos guerrilheiros."
Não viu a "Terra Prometida"... mas no solo, regado com o seu sangue, continuam a desabrochar, diàriamente, flores de esperança no dia da libertação.
Foi há 40 anos!!!
Obrigado CAMILO!!!

:: enviado por ja :: 2/17/2006 09:20:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Acidentes de caça

O vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, aproveitou o seu acidente de caça para dar explicações sobre a invasão americana do Iraque:


:: enviado por JAM :: 2/17/2006 11:06:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Se conduzir pode beber porque a Policia não vai aparecer?

De acordo com dados divulgados há dias pelo Instituto Nacional de Medicina Legal, mais de metade dos condutores que morreram, em 2005, em acidentes de viação acusavam álcool no sangue acima da taxa legal, e, destes, 75% apresentavam uma taxa crime, i. e., superior a 1,2 gramas por litro, punida com pena de prisão.
Rui Tato Martinho, hepatologista no Hospital Santa Maria, em Lisboa, defende, no Público, que para salvar vidas, devia aplicar-se a lei: “Os estudos dizem que em média se deve ser testado pela Policia de 2 em 2 anos; eu conduzo há mais de 20 e nunca o fui”.
Eu também conduzo há mais de 20 anos e nunca soprei no balão.
E vocês?...

:: enviado por Manolo :: 2/16/2006 10:14:00 da tarde :: 4 comentário(s) início ::

Perguntar não ofende

Nós temos um problema fundamental, que é a nossa mão-de-obra e os nossos recursos humanos subescolarizados e subqualificados” Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, ao Correio da Manhã em 12.02.2006.
Para lá de podermos perguntar legitimamente (e ingenuamente) ao sr. Ministro porque é que aponta apenas o factor trabalho, "esquecendo-se" do capital (sabendo-se, como se sabe, que a burguesia portuguesa nunca foi muito empreendedora, sempre preferiu e exigiu estar à sombra da bananeira/Estado), podemos ainda perguntar-lhe (mais uma vez legitima e ingenuamente) o que é que ele e os seus correligionários têm andado a fazer nestes últimos 30 anos em que têm tido, sós ou acompanhados, a faca e o queijo na mão?...

:: enviado por Manolo :: 2/16/2006 09:53:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

A baía da vergonha

Generalizam-se as exigências da comunidade internacional para que os Estados Unidos encerrem o centro de detenção da Baía de Guantanamo. Ao relatório da Comissão de Direito Humanos da ONU, seguiu-se a resolução do Parlamento Europeu.
A Administração Bush considerou que os peritos nomeados pela ONU terão sido manipulados e terão redigido o relatório baseando-se apenas em alegações, sem terem examinado os factos nem visitado a base. Os peritos alegam que não lhes foi dada autorização para falar com os presos, mas que tiveram acesso a ex-prisioneiros que se encontram agora noutros países. No entanto, as conclusões dos peritos da ONU não são diferentes das que foram feitas no ano passado pela jornalista Jane Mayer, da revista The New Yorker, que conseguiu fazer uma reportagem no local, tendo relatado as violações da Convenção de Genebra e as experiências feitas por médicos e psicólogos, que usam métodos desumanos para interrogarem os detidos, com o objectivo “científico” de adquirirem “actionable intelligence” sobre o terrorismo.
Tal como os vergonhosos voos da CIA, que transportam presos para cadeias secretas, Guantanamo não é um caso isolado. A sua existência representa uma fonte de ódio que dá de beber aos fanáticos do terrorismo. Os Estados Unidos teriam muitos mais a ganhar em respeitabilidade e em segurança se o centro de detenção fosse encerrado e fossem libertados os detidos que lá se encontram. Ou, pelo menos, como pedem os eurodeputados, que fossem julgados em território americano, perante um tribunal competente, independente e imparcial, com todo o respeito pelos direitos humanos.

:: enviado por JAM :: 2/16/2006 09:35:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Estão bem uns para os outros

Sinistra dialéctica do mal, onde se instala sem remissão esta igualdade de facto entre os excessos da djihad e as abominações da intelligence, em que umas justificam as outras e vice-versa.

:: enviado por JAM :: 2/16/2006 09:30:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Mate-se o mensageiro

Há um mês, o Presidente da Republica pediu um inquérito urgentíssimo para apurar como é que todos ficámos a saber que chamadas telefónicas fazia e recebia em sua casa.
O inquérito lá foi caracolando ao ritmo português e pensámos todos que o PGR estava a investigar se a listagem tinha sido um excesso de zelo e/ou amadorismo da parte da PT ou se tinha sido pedida, propositadamente e por vias travessas, por alguém do MP. Puro engano. Com o episódio de hoje, ficámos a saber que o Sr. Souto Moura não está interessado em saber como é que os telefonemas foram parar ao famoso “envelope 9”. O que o Sr. Souto Moura quer mesmo saber é como é que foram parar ao “24 Horas”.
Como é costume da nossa célere e eficaz Justiça, as buscas à redacção do “24 Horas” fazem-se um mês depois da publicação da listagem. Não sendo todos tão amadores como a PGR, o mais natural é que não encontrem absolutamente nada.
A Justiça portuguesa parece continuar apegada a uma prática bastante usual em épocas mais recuadas no tempo: quando a noticia não nos agrada, mate-se o mensageiro.

:: enviado por U18 Team :: 2/15/2006 09:37:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

O mérito do Parlamento Europeu


O sonho europeu é também a cooperação e a solidariedade entre as pessoas e não apenas entre os Estados. As manifestações da Corunha, Berlim e Estrasburgo trouxeram, em pleno Inverno, um cheirinho a 1° de Maio. Um 1° de Maio especial, pela unidade de uma Europa onde cada trabalhador disponha dos mesmos direitos.
Perante o disparate do projecto da Constituição Europeia que pretendia aplicar o famoso princípio do país de origem como regra geral para a livre prestação dos serviços, uma tentativa de compromisso entre os dois maiores grupos partidários europeus aponta para o reconhecimento do direito de qualquer empresa sediada na União prestar os seus serviços em qualquer Estado membro, mas segundo as normas que vigoram no país onde o serviço é prestado. Questão de garantir que o mercado livre dos serviços não levará ao nivelamento das normas por baixo.
Por isso, se amanhã o Parlamento Europeu conseguir extrair da directiva Bolkestein, além do princípio do país de origem, os serviços de interesse económico geral e os serviços sociais e de saúde, que melhor prova poderemos nós ter do interesse de reforçar ainda mais os poderes do PE?

:: enviado por JAM :: 2/15/2006 09:36:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Estão à espera de quê?

Já era de esperar. Para mostrar que também dominam aquela máxima do “dividir para reinar”, o embaixador do Irão em Portugal elogiou Freitas do Amaral pela posição tomada sobre os cartoons. Estão bem um para o outro. Entre um MNE beato e um embaixador seguidor do islão fundamentalista, há menos diferenças do que aquelas que nós pensamos.
Têm sorte. Os caprichos do sorteio do Campeonato do Mundo de Futebol ditaram um Portugal-Irão em que os dois poderão discutir, longa e amistosamente, os benefícios do futebol para a compreensão entre civilizações.

Aproveitando o microfone que tinha à frente, o embaixador aproveitou ainda para pôr em causa os mortos do holocausto. De calculadora em punho, “descobriu” que seriam “precisos 15 anos para incinerar 6 milhões de pessoas” (desconfio que o “pessoas” é obra do jornalista. Provavelmente o que disse foi judeus), como se o horror fosse só uma discussão do número de mortos.
Se tivéssemos um MNE que não se preocupasse apenas com a sensibilidade muçulmana, que acreditasse em valores e princípios fundamentais da democracia e que não vivesse no medo de “provocar” o mundo árabe, este senhor embaixador seria enviado imediatamente para Teerão com um bilhete só de ida.
Mas mesmo não tendo um MNE assim, há ainda o resto do governo que finge não se estar a passar nada. Estão à espera de quê?

:: enviado por U18 Team :: 2/15/2006 04:38:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Duo Ouro Negro

Preço do barril de petróleo:
em Dezembro 2004 = $38,86
em Dezembro 2005 = $54,57

Lucros em 2005:
Exxon = $36,13 mil milhões
Shell = $25,30 mil milhões
Total = $13 mil milhões
Galp (até Setembro) = €399 milhões
Percebem?

:: enviado por U18 Team :: 2/14/2006 10:01:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

É como uma pedra no charco

A brilhante ideia de Freitas do Amaral, no sentido de promover encontros desportivos entre muçulmanos e outros já colheu apoios vários. O Der Tagesspiegel adoptou já a ideia e propõe encontros de futebol...


:: enviado por RC :: 2/14/2006 05:44:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Para não queimar as pontes

Vladimir Putin quis ser o primeiro a estender a mão ao Hamas, controverso mas legítimo vencedor das eleições palestinianas. Pragmático, oportunista e, como todos os russos, jogador de xadrez, Putin pretende com isso recuperar uma posição chave no intrincado tabuleiro do Médio Oriente. Assim, melhor do que estigmatizar o Hamas, como fizeram Estados Unidos e Europa, o convite dirigido ao movimento islamita palestiniano procura persuadir a comunidade internacional de que a Rússia só aceita namorar com os países do eixo do mal se, e só se, for para os fazer entrar nos eixos.
Compreende-se que este novo papel de pomba da paz a que se arroja Putin possa chocar o mundo ocidental. Mas os russos não têm cura. Nem vêem contradição entre a firmeza do seu presidente em face dos “terroristas” chechenos e a “tolerância” agora manifestada diante do Hamas. No entanto, independentemente da defesa dos seus próprios interesses económicos, a Rússia tem todo o direito, enquanto membro do Quarteto de mediadores, de fazer de cavaleiro solitário, desde que a iniciativa contribua de facto para fazer avançar a causa da paz no Médio Oriente.

:: enviado por JAM :: 2/13/2006 07:57:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Será que Freitas do Amaral quer insultar os árabes ?

Freitas do Amaral propõe um campeonato de futebol euro-árabe.
Há quem veja nisto mais uma manifestação de senilidade precoce do nosso MNE ou, nos casos mais bondosos, a evidência de um completo desconhecimento das coisas do mundo.
Não concordo. Vejo aqui mais um plano, subtil mas maquiavélico, para humilhar e insultar os muçulmanos. E denuncio-o: sendo os naturais dos países árabes relativamente pouco dotados para a arte da bola nos pés, o mais certo é levarem uma coça dos nossos Cristianos, Lamparts e Ballacks. Vergados pela derrota e pela humilhação, nem sequer terão argumentos para estoirar com uma carruagem Metro qualquer.
Pior ainda, Freitas quer pôr “frente a frente pintores, dramaturgos, cineastas”. Imaginem como se sentirão os árabes quando descobrirem que os seus pintores, dramaturgos, escritores, cineastas estão todos no Ocidente ...

:: enviado por U18 Team :: 2/13/2006 02:22:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Vou falar com o meu Banco

Quando era pequeno tinha uma enorme fascinação pelos ilusionistas. Continuo a ter. Apesar de ter crescido e de ter racionalizado que não há nada de milagroso no ilusionismo e de que se trata apenas de nos deixamos enganar por truques muito bem feitos, não deixo de me maravilhar cada vez que alguém tira um coelho de uma cartola vazia.
Acontece-me o mesmo com a Bolsa. Percebo a ideia, entendo o conceito, conheço os mecanismos. No entanto, e tal como o ilusionismo, fico sempre com a sensação de que o truque é bem feito e que sou incapaz de o repetir.
No ilusionismo desisti há muito tempo: sou daqueles em que mesmo o mais simples truque de cartas acaba com as cartas todas espalhadas pelo chão e se tentar tirar um coelho da cartola acabo, de gatas, à procura do coelho pela sala. Na Bolsa também: quando uma empresa me parece sólida e com futuro, vejo a cotação das suas acções caírem em níveis parecidos com as temperaturas do inverno siberiano. Se uma empresa me parece virtual e sem qualquer razão para existir, as cotações sobem mais depressa que o Space Shuttle em dia de bonança. Pior do que isso, continuo sem perceber o truque que faz com que despedimentos signifiquem aumento de cotações ou o truque para ganhar 20% em dez minutos baseando-se em boatos. Estas evidências fizeram com que as únicas acções que alguma vez possuí, em toda a minha vida, fossem as de uma empresa onde trabalhei algum tempo e onde fui, mais ou menos, obrigado a adquirir uma parte (minúscula) do capital (entretanto esqueci-me que as tinha e agora parece que valem tanto como papel de parede).
Por isso tenho uma enorme admiração pelos ilusionistas. E pelo mundo da Alta Finança. Acho bonito e fico maravilhado. Hoje, curvo-me perante a genialidade do Sr. Belmiro.
Segundo o relato do Expresso, o filho do Sr. Belmiro acordou um dia e apeteceu-lhe comprar a Portugal Telecom. Vai daí foi falar com o pai e este respondeu-lhe: “eh, pá! isso é muita massa!” (entendo perfeitamente. Tenho, frequentemente, o mesmo diálogo com os meus filhos, embora, até agora, nunca tenha sido sobre a PT). Não querendo parecer um cota avarento, o Sr. Belmiro resolveu telefonar ao seu amigo Sr. Botín, que é dono do Banco Santander e que tem montes de massa (o que também denota patriotismo, já que não quis aborrecer nenhum amigo português). Sendo amigos, O Sr. Botín não podia fazer outra coisa se não apoiar o Sr. Belmiro e ajudá-lo a satisfazer o pedido do filho. Daí nasceu a OPA sobre a PT.
É aqui que entra toda a minha admiração pelo Sr. Belmiro (e pelo filho, já agora). Sem ter inventado nada, sem colocar um só tijolo nalgum lado, sem gastar um tostão do seu bolso e sem produzir um parafuso que seja, arrisca-se a ser dono de uma das maiores empresas do País. Fascinante.
Esta manhã o meu filho acordou com vontade de comprar uns jogos da Playstation. Respondi-lhe: “Eh, pá! Isso é muita massa” mas, pensando bem, a Sony até nem é assim tão cara. Vou falar com o meu Banco.

:: enviado por U18 Team :: 2/13/2006 09:12:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

domingo, fevereiro 12, 2006

Berlusconi Chastity Countdown

As próximas eleições legislativas italianas poderão marcar o regresso da esquerda ao poder, após cinco anos de governo Berlusconi. Cinco anos escandalosamente a fabricar leis que preservam os seus interesses como empresário. Cinco anos de apertado controlo de todos os meios de comunicação do país e de atentados frequentes contra a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão.
Berlusconi, comunicador profissional, não cessa de reinventar argumentos para tentar o impossível. Primeiro, surpreendeu toda a gente ao fazer esta promessa eleitoral. Agora diz que só Napoleão conseguiu fazer mais do que ele. E não resistiu a acrescentar: “mas eu sou seguramente mais alto”. Só que, tudo indica, o novo Napoleão não vai conseguir evitar uma nova Waterloo.

:: enviado por JAM :: 2/12/2006 04:12:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Feridas


Com a chegada do Google Earth e de outros utilitários que fazem downloads de imagens de satélite, cada vez é mais difícil esconder os atentados ao ambiente e à paisagem.

Eis a bela Arrábida...

:: enviado por RC :: 2/12/2006 04:03:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

O amor está no ar

Em Fevereiro de 2004 a Mattel anunciou com grande tristeza a separação de Barbie e Ken, após quarenta e três anos de vida em comum. Nestes difíceis dois anos de separação, Ken passou o tempo no ginásio, a esculpir o corpo e a cuidar da sua imagem. E regressa agora, mais musculado e cuidado, disposto a reconquistar a coração de Barbie. Metamorfoseado, física e psicologicamente.
Toda a gente sabe como é difícil mudar, sobretudo quando se adoptou um certo estilo de vida durante mais de quarenta anos.

:: enviado por JAM :: 2/12/2006 03:42:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

sábado, fevereiro 11, 2006

Paraísos e infernos perdidos

A descoberta de trinta novas espécies de seres-vivos – mamíferos, rãs, pássaros, borboletas, plantas – na Papuásia Ocidental restituiu simbolicamente a confiança de que nem tudo está perdido para a biodiversidade do Planeta. Mostrou também que ainda existe Terra por conhecer, paraísos perdidos, onde podemos encontrar uma pequena compensação para as seis mil espécies extintas em cada ano, das quais 780 tipos de aves.
Esse inédito sítio, agora explorado por biólogos americanos e indonésios, deveria pois merecer todos os seus atributos de “paraíso na Terra”, “mundo perdido”, “jardim do Eden”, ... e no entanto, apesar de toda essa maravilha científica e mediática, suscitou esta nota de desencanto do The Independent sobre a Papuásia Ocidental, terra ocupada pelos indonésios, um verdadeiro inferno.
250 tribos vivem nessa região há mais de 40 mil anos e falam 300 línguas diferentes. A região é rica em recursos mineiros e energéticos. Logo que deixou de estar sob o jugo holandês, foi invadida pela Indonésia (como Timor Leste), apesar dos holandeses lhe terem reconhecido a independência. Centenas de milhares de papuas foram mortos pelos indonésios desde a ocupação.
E o jornalista Paul Kingsnorth conclui: “esse povo oprimido e esquecido precisa dos nossos meios de comunicação e das nossas ONGs para que testemunhem e reajam ao seu calvário. O mundo deve conhecer e pôr fim ao genocídio que se esconde por detrás das imagens que nos chegam desse paraíso”.

:: enviado por JAM :: 2/11/2006 10:50:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Perigosos delinquentes

Por ter deslizado dois dedos pelo cós da saia de uma das suas colegas, sentada no chão à sua frente, e lhe ter debilmente “tocado na pele”, um aluno da escola de Brockton, no Massachusetts, foi suspenso por três dias por “assédio sexual”.
O aluno em questão tem seis anos. Mal começou a escola primária. A mãe nem tentou explicar-lhe o que se passava: “ele não compreenderia”.
O jornal local The Enterprise, relatou a história e as televisões encheram a povoação de repórteres. Seguiu-se um debate a nível nacional sobre o tema: talvez se tenha ido um pouco longe de mais na “political correctness”. E a escola acabou por pedir desculpas.
Todas as escolas americanas têm códigos de conduta. O da escola de Brockton define o assédio sexual como: “comportamentos repetidos não desejados ou afirmações inoportunas de carácter sexista, em relação ao sexo de uma pessoa ou à sua orientação sexual”. E dá exemplos de contactos físicos proibidos: “touching, hugging, patting or pinching”. (tocar, abraçar, dar palmadinhas ou beliscar). Nas instruções escritas destinadas aos directores das escolas é frequente encontrarem-se pérolas como esta, que se intitula “Os assediadores sexuais podem ser alunos da escola primária”.

:: enviado por JAM :: 2/10/2006 11:06:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Com amigos assim ...

Freitas do Amaral disse à SIC que “se houver um consenso ou um princípio de consenso em torno da candidatura de Ramos Horta a secretário-geral das Nações Unidas, Portugal deverá estar na primeira linha dos que apoiam e subscrevem esta candidatura”.
Vamos lá ver se percebi bem: se todos os países estiverem de acordo em apoiar a candidatura de Ramos Horta, Portugal põe-se à frente e diz que foi o primeiro a apoiá-lo? é isso? e serve para quê se já há um consenso? e se não houver consenso, dizemos que nunca na vida pensámos em Ramos Horta?

:: enviado por U18 Team :: 2/10/2006 10:24:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Perguntar não ofende (20)

O próximo Alto Comissário das Nações Unidas para O Que Se Deve Publicar?


:: enviado por U18 Team :: 2/10/2006 10:00:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O que faria Maomé?

Quando a raiva e o ódio entram em cena, o debate transforma-se em gritaria e o barulho é ensurdecedor. Por isso, porque também sei que os muçulmanos não são todos terroristas e porque também sei que há muçulmanos que defendem os mesmos valores que eu, é bom tropeçar em artigos de opinião como este.

:: enviado por U18 Team :: 2/09/2006 10:19:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Realmente, o melhor é mesmo começarem a preocupar-se com os animais

A Comissão Europeia aprovou mais um plano. Chama-se Plano de Acção Comunitária para Protecção e Bem-Estar dos Animais (deve ser PACPBEA em linguagem comunitária) e realizaram hoje, em Lisboa, a primeira reunião.
A ideia é proteger os ratos das sevicias a que são sujeitos na busca de remédios para curar pessoas.
Parece-me lógico. Uma CE que não se preocupa com o desemprego, com a pobreza ou a maneira como são tratados os seus cidadãos no espaço comunitário e que nem sequer tem uma palavra para condenar ataques a cidadãos da UE em países que até apoia financeiramente, só lhe resta mesmo os ratos para ter uma razão de existir.

Se calhar, estou a ser injusto. Há, pelo menos, um comissário europeu preocupado com as sensibilidades das pessoas que professam a religião islâmica mesmo que para isso tenha que se reinventar a censura.
Realmente, o melhor é mesmo começarem a preocupar-se com os animais.

:: enviado por U18 Team :: 2/09/2006 08:45:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

A liberdade de expressão

A liberdade de expressão é um valor fundamental. Tão fundamental, que às vezes ela é defendida de uma forma fundamentalista.

:: enviado por JAM :: 2/09/2006 10:00:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Canal desemprego

Apesar do tema de conversa preferido na Alemanha ser o trabalho, até agora, nenhum canal de televisão dava cobertura satisfatória ao assunto. Por isso, coincidindo com a publicação das deprimentes estatísticas do desemprego de Janeiro, foi para o ar a primeira emissão do canal JobTV24, dedicado às informações relacionadas com ofertas de emprego, formação contínua, conselhos para procurar trabalho ou para criar uma empresa.
O número de desempregados alemães ultrapassou a fasquia dos cinco milhões, mais de 12% da população activa.

:: enviado por JAM :: 2/09/2006 09:01:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Polónia à beira do extremismo

Faz agora seis anos que foi firmado na Áustria um acordo governamental entre um partido conservador e um partido populista a atirar para a extrema direita: o FPÖ de Jörg Haider. Nessa altura, a União Europeia reagiu com veemência, contra essa aliança.
A situação repete-se agora na Polónia. Na quinta-feira passada, os gémeos conservadores Kaczynski, no poder, concluíram uma aliança com a Samoobrona (Legítima Defesa) e a Liga das Famílias Polacas, duas formações abertamente anti-europeias.
Como reagirão desta vez os restastes vinte e quatro? Será que só a Áustria, co-responsável do nazismo, tem tolerância zero quanto a alianças com fascistas? E que o mesmo não se aplica à Polónia, que se pode mesmo dar ao luxo de governar com eles?

:: enviado por JAM :: 2/08/2006 12:02:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Apaguem a mecha!

Quer-nos parecer que a guerra dos cartoons, longe de uma acalmia em perspectiva, se prepara para atingir o auge dos combates, e acarretar ímpetos ofensivos e retaliações muito maiores que as que vimos nos telejornais dos últimos dias: O jornal satírico francês Charlie Hebdo vai publicar amanhã uma edição “especial profeta”. Nem a providência cautelar apresentada no tribunal de Paris pelo conselho francês do culto muçulmano, nem a intervenção do governo francês, conseguiram impedir a saída do jornal. Na capa pode ver-se um desenho de Maomé, em prantos, com a legenda “é duro ser-se amado por estúpidos”.


Entretanto em Guantanamo...


© desenho de Pierre Kroll


:: enviado por JAM :: 2/07/2006 10:51:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

Transparência

Rafael Estrella, deputado socialista espanhol, publicou no seu blogue a relação do património e dos rendimentos que aufere. Salário: 2.819,94 €; ajudas de custo: 1.645,05 €; vivenda em Granada: valor colectável 84.113,54 €; ... dois automóveis, Seat Ibiza 2002 e Nissan Primera 2003; etc...
Uma transparência que não ficaria nada mal aos nossos políticos, sobretudo aos mais socialistas e espanófilos.

:: enviado por JAM :: 2/07/2006 05:15:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

domingo, fevereiro 05, 2006

«Coçar onde é preciso»

Está a decorrer, entre 7 de Janeiro a 31 de Março, a digressão nacional de José Pedro Gomes com «Coçar onde é preciso».
Concebido e protagonizado pelo actor, este é o primeiro espectáculo que faz depois de, em Março, ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica devido a um aneurisma que sofreu em palco. Em «Coçar onde é preciso» José Pedro Gomes apresenta-se sozinho em palco durante cerca de noventa minutos em que discorre, satiriza e personifica o seu ponto de vista sobre as várias facetas do «portuga», num registo que o actor considera estar mais próximo da «stand-up comedy».
Eu vi o espectáculo e recomendo-o. Ainda que coçar a nossa sarna, até quase fazer ferida, seja doloroso. Rirmos de nós próprios, das nossas tristes figuras, pode ser um bom começo para não nos levarmos tão a sério e para começarmos finalmente a consciencializar-nos de que é preciso mudarmos para melhor (e não apenas mudar qualquer coisinha para deixar o essencial na mesma), porque me parece que esse é o nosso principal defeito: por manha (chico-espertismo), por defesa ou por pura e simples ignorância, consideramo-nos sempre os maiores, e, já se sabe, quem tem a cabeça cheia de si próprio, não consegue meter lá mais nada.

:: enviado por Manolo :: 2/05/2006 10:16:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Afinal defendemos o quê ou a “liberdade de expressão mas ...”

Um pouco por todo o lado, jornais têm vindo a publicar os desenhos da discórdia muçulmana (o Expresso também os publicava ontem e o Publico creio que também). Só posso aplaudir. Não é de joelhos perante a tirania da estupidez que o Mundo será um lugar melhor.
Ao lado desta manifestação de coragem – sim, porque é de uma enorme coragem, hoje em dia, publicar o que quer que seja sobre o mundo árabe, os muçulmanos ou o islão que não seja do agrado dos mesmos. Temos a escolha entre o esfaqueamento, o balázio, a bomba ou o massacre por turbas ululantes – ao lado desta coragem, dizia eu, os nossos representantes eleitos falam de “liberdade de expressão mas ...” e é este “mas” que me incomoda.
Vivemos numa sociedade baseada em valores (se eles são sempre respeitados é outra discussão). Um desses valores é a liberdade de expressão. Sem limites? - Claro que não. Com os limites impostos pelas leis votadas em Parlamentos democraticamente eleitos. Que eu saiba, em nenhum país ocidental são proibidos desenhos sobre Maomé, ou Deus, ou o Papa. Aliás, nem poderia ser de outra maneira porque, se cada vez que alguém, algum grupo ou alguma população se sentisse melindrada pelo que é publicado, não se publicava absolutamente nada.
Seria talvez a altura de explicar ao mundo árabe, em geral, e aos fundamentalistas, em particular, três princípios básicos da maneira como gostamos de viver: a) acreditamos na liberdade de imprensa e que um jornal pode não ter nada que ver com o respectivo Governo; b) preferimos o risco de ferir susceptibilidades ao absurdo da censura; c) defendemos firmemente o direito à opinião, mesmo que esta nos desagrade.
No dia em que nos esquecermos que há valores dos quais não podemos abdicar, quaisquer que sejam as consequências, mais vale entregar o poder a um tirano qualquer. Somos capazes de correr menos riscos e de viver mais tempo, mas seremos, certamente, mais infelizes.


PS: A ironia disto tudo é que os países mais atingidos pela fúria vingativa dos ditadores do pensamento são dos que mais se têm esforçado pela Paz no médio oriente. Ou será precisamente por causa disso que são atacados?

:: enviado por U18 Team :: 2/05/2006 09:51:00 da tarde :: 3 comentário(s) início ::

Morreu a feminista mística

Betty Friedan, cujo livro “A mística feminina” (1963), inspirou o movimento feminista moderno, faleceu ontem, no dia do seu 85.° aniversário. Friedan redefiniu o termo “feminino” como uma construção social, em vez duma determinação biológica, e revelou os mecanismos sociais que perpetuam as relações de dominação entre os sexos.
A “primeira vaga” do feminismo, no final do século XIX e princípio do século XX, esteve centralizada na equiparação dos direitos das mulheres aos direitos dos homens: o direito à propriedade, o acesso à educação, o direito à independência económica e o direito de voto.
A “segunda vaga” do feminismo, nos anos 60, denunciou a opressão das mulheres pelo sistema patriarcal e reivindicou a sua libertação dos papéis e das expectativas impostas pelas relações de género. Uma das características dessa etapa foi fazer do privado um assunto público, nomeadamente no domínio dos direitos sexuais e reprodutivos, com a legalização da contracepção e da interrupção voluntária da gravidez. Uma outra dimensão dizia respeito à reivindicação da igualdade homens-mulheres no domínio profissional, educativo e na luta contra as instituições sexistas.
A mística feminina abriu os olhos das mulheres. Betty apreendeu uma aspiração das mulheres da sua geração, uma aspiração a algo de mais – perspectivas, reconhecimento, fruição, sucesso, capacidade de viver os seus próprios sonhos, para lá da estreita definição de “feminidade” que limitava as suas vidas.

:: enviado por JAM :: 2/05/2006 06:58:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

A mim ninguém me cala

Os iranianos já não têm dúvidas de que a comunidade internacional está decidida a impedir o avanço do seu programa nuclear militar. Mas têm ainda esperanças de poder dividi-la, em relação à forma como pretendem concretizar esse impedimento. Para além das palavras, a estratégia de Teerão baseia-se no calculismo de que, quer os Estados Unidos, quer os seus aliados, não dispõem, no momento, de meios suficientes para se envolverem noutro conflito na região.
Farhad Khosrokhavar, um destacado intelectual iraniano exilado em França, disse há dias ao Nouvel Observateur: “É preciso não esquecer que Ahmadinejad representa todo o exército de pasdarans (os guardiões revolucionários), essa parte da população que, desde a fundação da república islâmica, se identifica com o ideal do martírio, da abnegação, do suicídio e da morte, só com o fito de alcançar os ideais da revolução. Ahmadinejad nunca teve qualquer contacto com o mundo exterior, com o Ocidente. E, para ele, todo o Ocidente está contra o islão e o Irão, e esse conflito não vai ter termo. A maioria das pessoas por ele nomeadas acredita que todo o contencioso em política externa se resume a uma prova de força. [...] Muitos iranianos, incluindo a classe média, que está contra Ahmadinejad, pelo seu islamismo, apoiam as suas ambições nucleares, por nacionalismo. Para a maioria da população, é só uma questão de dignidade”.

:: enviado por JAM :: 2/05/2006 03:53:00 da tarde :: 2 comentário(s) início ::

sábado, fevereiro 04, 2006

A memória pode ser uma arma

Por um lado, o tempo passa a correr e esta voragem tudo reduz a cinzas e a nada em menos de um fósforo. Por outro lado, o mundo é uma aldeia (global) e, por todo o mundo, os acontecimentos sucedem-se velozmente uns aos outros, tão velozmente e em tanta quantidade que se encobrem uns aos outros como biombos, os de hoje encobrem os de ontem e os de amanhã hão-se encobrir os de hoje. Além disso, é duvidoso que a capacidade do cérebro e, sobretudo, da sensibilidade humana, consiga processar devidamente todos estes inputs. E, muitas vezes, para não estoirarmos os fusíveis com uma carga tão grande, ligamos à terra, esquecemos ou fazemos por isso.
Mas a memória também pode ser uma arma (pelo menos para nossa legitima defesa). Vejamos, por exemplo:
Agora que o frio e até a neve (esta nos sítios mais inesperados, como Évora, Lisboa, Algarve…) estão aí fora de portas, quem se lembra ainda do inferno dos incêndios dos Verões passados?
Agora que se fala em ressuscitar a ideia do nuclear em Portugal, quem ainda se lembra de Chernobyl (1986)?
Quem ainda se lembra e que é feito de Alfredo Pequito, esse mesmo, o do caso Bayer (1998)? Em 19.10.2003, Pequito acusara o Presidente da República de ter promulgado uma amnistia de penas que acabou por beneficiar (também) a Bayer, empresa representada pelo escritório de advogados de que fazia parte o próprio Jorge Sampaio.
Que é feito de Felícia Cabrita, a jornalista que levantou o véu sobre o caso Casa Pia?
Que é feito da queixa enviada pela Comissão Nacional de Eleições para o Ministério Público por causa das declarações de Jardim em actos oficiais, durante a campanha para as autárquicas, apelando ao voto e ameaçando eleitores?
E o Pina Moura já ganhou vergonha na cara ou ainda continua como deputado, pago pelos nossos impostos, a tratar da sua vidinha?...

:: enviado por Manolo :: 2/04/2006 05:58:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Moral de uma história

O reputado pensador Vasco Pulido Valente, escreveu :

Por muito que nos custe e custe ao perigosíssimo Presidente Bush, sem os tiranos, que, para nosso bem e conveniência deles, conservam as massas muçulmanas numa relativa passividade, não escapávamos com certeza a um triste fim.

Essa peregrina ideia, para além de demolir radicalmente tudo o que de louvável poderia existir na cruzada exportadora de democracia para os países do Médio Oriente, intentada por Bush e pelos seus seguidores ocidentais (se não foi por isso, então porque é que para lá foram?...), dá-nos um excelente mote para algumas considerações sobre os porquês da ascensão vertiginosa dos ideais islamitas no mundo arabo-muçulmano.
O islamismo, ou seja o movimento político que visa substituir a lei dos homens pela de Deus (a charia), teve origem no Movimento dos Irmãos Muçulmanos, criado no Egipto, em 1928, por Hassan el-Benna, um professor beato, com o objectivo de combater a influência nefasta sobre a juventude do seu país dos costumes vindos de Inglaterra. Na sua origem, os ideais islamitas não tiveram grande aceitação e foram praticamente eliminados pelas ideologias mais fortes do século XX, como o nacionalismo laico ou o socialismo. O partido Baas, movimento da renascença árabe fundado durante a Segunda Guerra Mundial, que subiu mais tarde ao poder na Síria e no Iraque, é ao mesmo tempo nacionalista, laico e socialista. Tal como o nasserismo, que, no Egipto, decapitou sem piedade o Movimento dos Irmãos Muçulmanos.
Os governos saídos da descolonização mantiveram todos uma relação predadora no poder (os tiranos de VPV), o que atiçou a revolta e a repulsa das populações (as massas muçulmanas). Se os argelinos, na primeira vez que puderam exprimir-se livremente nas urnas (nas eleições municipais de 1990), votaram em massa na Frente Islâmica de Salvação (FIS), foi porque quiseram sancionar os que eles chamavam os “ladrões da FLN”. O Fatah de Arafat, reconhecidamente corrupto, sempre teve muitas dificuldades em redistribuir, à população palestiniana, o dinheiro enviado pelos países árabes e pela União Europeia. Basta olhar para as enormes limusinas, novinhas em folha, com que se ostenta por entre a degradação dos povoados em ruínas. Ao invés, os lideres do Hamas sempre viveram modestamente.
A força simplificadora do slogan dos Irmãos através do mundo muçulmano é: “O islão é a solução”. Quem poderia, no Cairo, em Gaza, em Bagdade ou em Argel, contrariar um tal slogan? Quem poderia preferir o governo dos homens ao de Deus? Não é verdade que o islão, religião em que a simplicidade faz a força, proíbe o roubo e apregoa que se dê esmola aos mais desfavorecidos? E os Irmãos, não deram eles sempre o exemplo? Em Gaza, no Cairo ou nos subúrbios do Sul de Beirute, onde o Estado não consegue fazer nada pelos mais pobres, são os islamitas que asseguram os serviços sociais.
Paralelamente, a imagem que dá, dele mesmo, o mundo ocidental às massas muçulmanas tem-se esbatido consideravelmente. Os islamitas podem assim facilmente ensinar aos seus correligionários que os ocidentais “já não acreditam em nada”, perdidos como estão no seu hiper consumismo. Que modelo moral poderão oferecer as sociedades europeias, que têm medo de fazer filhos e que abandonam os seus velhos nos lares de terceira idade?

:: enviado por JAM :: 2/04/2006 02:39:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

As caricaturas da ira

O pandemónio está instalado no mundo muçulmano de Rabat a Jacarta. Chamada dos embaixadores. Fecho das missões diplomáticas árabes em Copenhaga. Vandalismo das missões diplomáticas europeias nos países islâmicos. Boicote dos produtos escandinavos. Exigências de castigos severos para os caricaturistas. Pedido de desculpas gorado do director do Jyllands-Posten...
O fanatismo é como um vírus que ataca as religiões. Chega a ser mortal, como no caso do cineasta holandês Theo van Gogh. Quase foi fatal para Salman Rushdie. Mas, não esqueçamos que também outras religiões já fizeram pagar a dissidência com a fogueira.
Ainda no ano passado, uma campanha publicitária para uma marca de vestuário, inspirada na “Última Ceia” de Leonardo Da Vinci, foi considerada ofensiva da moral cristã e retirada por decisão dos tribunais. No caso presente das caricaturas de Maomé, o mais injusto e ofensivo não são as caricaturas em si, mas a mistura explosiva que elas fazem entre islão e terrorismo, na qual a esmagadora maioria dos crentes muçulmanos não se revê.
Acreditar que a intolerância religiosa só existe no mundo islâmico, é ser-se demasiado condescendente e demasiado frívolo. Mas também ignorar que o fanatismo religioso está em vertiginosa expansão, sobretudo entre os crentes muçulmanos, equivaleria a colocar uma venda diante da realidade. Só que, não é com caricaturas estúpidas que se trava essa tendência.

:: enviado por JAM :: 2/03/2006 01:34:00 da tarde :: 1 comentário(s) início ::

Iniciar / Programas / Bill Gates

Em pleno renascimento do Plano Tecnológico, o País foi esta semana honrado com a visita do “self-made man”, genial, riquíssimo, generoso e visionário William Gates III, mais conhecido por Bill Gates e por ser dono da Microsoft. Desembarcou em Lisboa para dar uma aula ao Governo, a deputados, a autarcas e a todos os que têm mais de 100 caracteres no cartão de visita. Aproveitando a presença nas proximidades, Sampaio fez o que costuma fazer com quem passa perto do Palácio de Belém: ofereceu-lhe uma faixa colorida e um diploma com uma condecoração de que não fixei o nome.
Por momentos, também fiquei estarrecido: O “Papa” da informática veio ao meu País abençoar o meu Governo, formar milhares de desempregados e dar um sermão sobre a fome e a doença do mundo. É muito. E dito assim, de repente, esmaga qualquer alma, por muito descrente que seja. Como não tenho grande jeito para missas e conheço outra versão da história, recompus-me e continuei descrente. [...] [continua aqui]

:: enviado por U18 Team :: 2/03/2006 10:13:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

Privilegiado

"No Tribunal do Trabalho de Gondomar, o secretário judicial teve de pagar do seu próprio bolso a conta da luz à EDP, sob pena de a empresa cortar a electricidade no tribunal."

Ficou-lhe bem...

:: enviado por RC :: 2/03/2006 01:23:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Tempo

O conservador da 7ª do registo civil de Lisboa, posto, ontem, perante a vontade inabalável de contrair matrimónio de Teresa e Helena, pediu tempo para estudar o assunto antes de dar uma resposta.
Há dias, li no Publico que, em Itália, um juiz sentenciou que precisava de tempo para decidir se Jesus Cristo existiu ou não. Isto porque um ateu acusou um padre de “abusar da credulidade popular”, crime previsto no art.º 661 do código penal italiano, por apresentar J. C. como figura histórica.
A saúde, já se sabe, é condição sine qua non.
Mas o tempo, esse tempo que a gente tem cada vez menos hoje em dia, é, como se vê, um tesouro inestimável: se não nos servir, quando o podemos desfrutar, para reflectir sobre os nossos/as problemas/questões, grandes ou pequenos/as, actuais ou intemporais, serve, pelo menos, para adiar, para fugir com o rabo à seringa…

:: enviado por Manolo :: 2/02/2006 09:58:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Liberdade de expressão

A polémica do dia é os cartoons de Maomé publicados inicialmente por um jornal dinamarquês (a secreta de Sócrates ainda nem sequer é noticia em Espanha) e que já levou ao despedimento de um director de jornal (France Soir), convocação de embaixadores e as habituais queima de bandeiras e ameaças aos portadores de passaportes dos países com jornais que os reproduziram.

Como no Briteiros acreditamos na liberdade de expressão, acreditamos que o risco de ferir susceptibilidades não se pode sobrepor à liberdade de expressão e acreditamos que a censura será sempre pior que o incómodo causado por um desenho, aqui fica uma caricatura do Salvador:

(com a devida vénia ao Nelson Santos no http://karikamania.no.sapo.pt )

:: enviado por U18 Team :: 2/02/2006 08:38:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Um direito ou uma provocação?

A ideia não é nova. O juízo que considera que privar os casais homossexuais do direito ao casamento é contrário à Constituição foi pronunciado em 2003 pelo Supremo Tribunal do Massachusetts. No ano passado, a Espanha de Zapatero fez orelhas moucas à igreja católica e legalizou os casamentos homossexuais. Mas, como de costume, os pioneiros vieram do Norte. A Dinamarca (1989), a Noruega (1993), a Suécia (1994), a Islândia (1996), a Alemanha (2001), a Finlândia (2002), abriram sucessivamente aos homossexuais o casamento ou um direito equivalente. O debate faz pois todo o sentido e poderá mesmo tornar-se aliciante de tal modo ele interroga uma das pedras basilares da nossa sociedade, em permanente mutação nos últimos cinquenta anos: a família.
Os franceses criaram em 1999 uma espécie de contrato de união social entre pessoas do mesmo sexo que deu origem a um incontestável progresso social. Mas, uma coisa é o progresso social, outra é a ordem social. Quando se reivindica um certificado de vida em comum, pede-se à sociedade que constate uma situação: dois concubinos, homossexuais ou heterossexuais, que vivem juntos. Trata-se de uma situação de facto, que pode produzir efeitos jurídicos, mas que não é um acto jurídico. A ideia generosa do contrato de união social é irrepreensível pois permite que duas pessoas assinem um compromisso, troquem mútuos consentimentos, promessas de apoio moral e material, e obtenham o mesmo estatuto dos casais em termos de direitos sociais e fiscais. Reconheço no entanto que me choca a ideia de acordar aos dois “pais” (ou “mães”), do mesmo sexo, o direito de reconhecerem em conjunto uma criança, de a adoptarem ou de recorrerem aos métodos de procriação medicamente assistida.
Com essa ideia dos casamentos homossexuais, no seu sentido mais duro de projecto jurídico, Oscar Wilde dará, sem dúvida, muitas reviravoltas no túmulo. Os candidatos ao casamento gay deveriam talvez meditar numa frase célebre desse seu ídolo: “Os homens casam-se por cansaço e as mulheres por curiosidade. Ambos se desiludem”.
Uma coisa é certa: o reconhecimento das uniões homossexuais não pode ser tratado na precipitação e na polémica. Pelo contrário, deve fazer-se na esfera de num amplo debate de sociedade.

:: enviado por JAM :: 2/02/2006 12:38:00 da manhã :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

As intermitências de Saramago

O livro mais recente de José Saramago, “As intermitências da morte” é, em minha opinião, um misto de sátira social divertida, a 1ª parte, e de melodrama, a 2ª parte, tudo à custa da morte e simultaneamente em sua homenagem, o que, bem ponderadas as coisas, acaba por ser um louvor, um hino, à vida.
Pode não ser o melhor livro dele (pessoalmente, prefiro os 2 "Ensaio"s, por ex.), mas acho que vale a pena lê-lo. Acrescenta-nos qualquer coisa: se não o gosto pela vida e a sua valorização, apesar dos pesares, pelo menos o prazer de ler aquela escrita, aquele português escorreito que, às vezes, me lembra o do padre António Vieira.

:: enviado por Manolo :: 2/01/2006 09:41:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::

Quem dá o que tem...

Parece uma brincadeira de muito mau gosto e já suscitou a indignação do governo de Nairobi, mas trata-se de uma oferta verdadeira e bem intencionada, feita por uma cidadã neozelandesa, que se propôs enviar 42 toneladas da comida para cães para o Quénia, para encher a barriga das crianças esfomeadas.
Uma campanha em larga escala de ajuda alimentar está em curso em toda a região do Corno de África e da África Ocidental e Oriental, com o objectivo de reduzir a fome que, só no Quénia, afecta mais de dois milhões e meio de pessoas.

:: enviado por JAM :: 2/01/2006 06:01:00 da tarde :: 0 comentário(s) início ::