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domingo, agosto 12, 2007

Vergonha

Neste lugar (que dizem do pelotão da frente?!!), a falta de vergonha só é vencida ... pela carência da mesma.
Ao que isto chegou!!!

:: enviado por ja :: 8/12/2007 08:50:00 da manhã :: início ::
1 comentário(s):
  • A Batalha real, faz no dia 14 de Agosto 622 anos.

    A Batalha de Aljubarrota de 14 de Agosto de 1385:
    Ensinamentos e reflexões sobre o momento actual

    (Discurso pronunciado na Capela do Fundador,
    no Mosteiro da Batalha, no dia 14 de Agosto de 2001)

    A 14 de Agosto de 1385 – no epílogo de uma das mais graves crises políticas sofridas por Portugal na sua quase milenar existência – travou-se uma das batalhas de maior importância da nossa história: A Batalha Real, hoje comummente chamada de Aljubarrota, de que o Mosteiro de Santa Maria da Vitória constitui sublime memorial. Passam agora 616 anos.
    Aos que a planearam e aos que nela pelejaram devemos, de um modo decisivo, a nossa Independência. Há, pois, que prestar a todos eles, dos simples peões aos garbosos cavaleiros, do mais humilde dos carregadores de bagagens aos comandantes do exército, a nossa mais sentida homenagem pelo muito que lhes devemos, em especial aos que pereceram em combate pela continuidade da Nação portuguesa. Graças a eles, pôde Portugal conservar a sua Liberdade face ao imperialismo castelhano, a quem apenas nós, Portugueses, nesta faixa ocidental da Península Ibérica, conseguimos resistir. Tenhamos consciência do que vale governarmo-nos a nós próprios, sermos o que queremos ser, mandarmos na nossa terra e gerirmos os nossos destinos. Muitos são os que o compreendem do lado de lá das nossas fronteiras; quase tantos são os que, na Catalunha, no País Basco e na Galiza, nos invejam o estatuto que desde Afonso Henriques conservamos à custa de muito suor, de muito sangue e de muitas lágrimas. Mas não poucos são os que entre nós não entendem o seu eminente significado e a sua excelsa relevância, e que a troco de inconfessáveis vantagens vêm questionando as nossas pretéritas opções pela Independência e tanto vêm fazendo para nos colocar os mesmos grilhões a que em 1383-85 nos pretenderam submeter e que em 1580 lograram, por 60 anos, impor-nos.
    Se é lícito e possível da História retirarmos algumas lições, que aprendamos com Aljubarrota e com a Crise Nacional de 1383-85 alguns ensinamentos, que muitos dos homens do presente, mormente aqueles a quem temos entregue o nosso futuro, parecem desconhecer ou querer ignorar.
    Da primeira conclusão a tirar, deixou-nos Camões na descrição que fez daquela peleja n’ O Lusíadas uma tristemente imorredoura verdade, lembrada a propósito de Sertório, personagem que de permeio introduziu numa das estrofes do Canto IV:

    Ó tu Sertório, ó nobre Coriolano,
    Catilina, e vós outros dos antigos
    Que contra vossas pátrias, com profano
    Coração, vos fizeste inimigos:
    Se lá no reino escuro de Sumano
    Receberdes gravíssimos castigos
    Dizei-lhe que também dos Portugueses
    Alguns traidores houve algumas vezes

    Tão bem o sabia Nuno Álvares Pereira a ponto de duvidar da defesa de Lisboa, pelos muitos sediciosos que na capital havia – e parece que ainda há – afectos à causa do rei de Castela, razão que o levou a preferir fazer frente ao exército inimigo antes do invasor chegar à cabeça do Reino, mesmo que para isso tenha tido necessidade de desobedecer ao Mestre de Avis, já aclamado Rei nas Cortes de Coimbra algumas semanas antes em boa parte graças à hábil argumentação de um homem de ímpar lucidez e de extremo patriotismo – qualidades quase sempre indissociáveis –, o Doutor João das Regras.
    Outras mais lições se aprendem com a história deste acontecimento, que os Portugueses a quem competiu definir e executar a nossa política externa ao longo, de pelo menos, seis centúrias, souberam perscrutar e cuja eficácia se revelou na conservação, assaz difícil, da nossa Independência. Daqueles que duvidaram da sua validade ou, por qualquer motivo, as negligenciaram, colhemos fatidicamente os resultados em 1581: os mesmos ou piores que estão prestes a abater-se sobre nós, como tragédia de que pode não haver remissão, nem Aljubarrota nem Restauração...
    Desde Afonso Henriques que se aprendera como não convinha estabelecer alianças, matrimónios régios ou quaisquer submissões com Castela. Nem todos os sucessores cuidaram de seguir tão avisado exemplo. E não tardou muito até que se compreendesse que os apoios externos deveriam chegar-nos de fora da Península e mesmo de fora do continente europeu privilegiando os compromissos com a Inglaterra, numa opção clara por uma política atlântica. As hesitações e tergiversações à volta do casamento de D.ª Beatriz, na base de cujo acontecimento se desencadeou toda a problemática, foram, sobremaneira, eloquentes sobre quem era o aliado e quem era o perigoso inimigo.
    D. João I e sua esposa, D.ª Filipa de Lencastre, e os filhos do casal – a «ínclita geração», como se lhe tem chamado –, são o testemunho mais vivo e mais forte de duas opções, primeiro atlantista, anti-peninsular e anti-continental, e logo a seguir também africana em que se fundaram os dois mais sólidos pilares da sobrevivência de Portugal como Estado Independente. Ambas as escolhas orientadoras da nossa vida internacional estão hoje completamente postergadas no essencial. E os seus resultados estão à vista de todos; de todos os que o querem ver. Demasiado evidentes como são, só aos voluntariamente cegos a sua percepção está vedada. E bem diz o nosso Povo que «o pior cego é aquele que não quer ver».
    O Povo..., ele que foi outra lição em Aljubarrota, em cujo combate a peonagem teve decisivo papel. O Povo... que também no cerco de Lisboa do ano anterior quase pereceu à míngua de víveres para defender a sua terra e que, nas muitas outras pelejas que bem dentro do País ou na raia com Castela se travaram, enfrentou ataques e ripostou contra as pilhagens e depredações. O Povo que – contra quase todas as elites – esteve pela Pátria, com a Nação, ao lado do Mestre e que nos campos de S. Jorge mostrou insofismavelmente que, quando bem governado por homens briosos e competentes, pode enfrentar Castela, mesmo que duas, três, quatro ou cinco vezes mais forte...

    Comemorar a Batalha de Aljubarrota é um imperativo moral.
    Homenagear os que nela lutaram em defesa de Portugal é um dever patriótico que amoravelmente cumprimos.
    Mas o actual momento que Portugal vive no âmbito internacional e especialmente nas suas relações com Espanha impõe-nos que, aproveitando a esclarecedora luz que o passado projecta sobre o porvir, utilizemos esta ocasião em que recordamos um acontecimento pretérito para analisarmos a situação presente: a gravíssima situação em que o País se encontra, talvez a mais ameaçadora de toda a sua história de quase nove séculos. Não podemos ficar a contemplar uma glória antiga se nos dias de hoje muitos parecem querer aniquilá-la, para concretizar projectos de dominação que os Portugueses tantas vezes recusaram mas que agora assumem formas dissimuladas e feições aliciantes a que uns passivamente não resistem e de que outros, nossos concidadãos..., se afiguram arautos e fautores. E não podemos cair na ilusão de que Aljubarrota é uma batalha terminada. A luta pela independência nacional é uma tarefa de todos os dias: nas nossas casas como educadores e consumidores, nas nossas fábricas e nos nossos campos como produtores, nas nossas escolas e universidades como alunos e professores, e em todos os círculos da nossa vida cívica onde é imperioso estar vigilante, tanto sobre as acções de expansionismo que vêm de Madrid como sobre as Leonores Teles e os Condes Andeiros que em Lisboa ou noutras povoações tomam reiteradamente voz por Castela ou cavilosamente se prestam a servi-la em repetida e interminável aleivosia...
    A ameaça castelhana de 1385 frustrou-se e a sua agressão em Aljubarrota foi hábil e tenazmente repelida pelos Portugueses. Mas o perigo não se extinguiu. Permanece bem vivo, porque o imperialismo castelhano ou espanhol tem a persistência como timbre e a perfídia como marca indelével do seu carácter.
    Pense-se que, mesmo depois de as tropas invasoras terem sido desbaratadas em Aljubarrota, as hostilidades não cessaram e que várias tréguas e tratados de paz se negociaram e se assinaram até que só em 1431, em Medina del Campo, os membros da Casa de Avis foram reconhecidos por Castela como reis de Portugal. Recordem-se as muitas outras tentativas de anular a dualidade peninsular, alcançada em 1580, tentada em 1801 e em 1807, ou outra vez pretendida depois de 1868 sob o pretexto de uma nova união pessoal na pessoa de D. Fernando ou de D. Luís. Lembrem-se os propósitos anexionistas de Afonso XIII no início do século XX, ou as provas de generalato de Francisco Franco sobre a conquista de Portugal. E leiam-se quase todos os grandes pensadores espanhóis da última centúria, como Menendez y Pelayo, Menendez Pidal, Unamuno, Juan Maragall, Pi y Margall, Sanchez Albornoz, Salvador de Madariaga ou Pedro Sainz-Rodríguez. E observem-se as declarações e posições dos políticos espanhóis do século agora findo, como Alcalá Zamora, Calvo Sotelo, Alejandro Lerroux, José María Gil Robles, Manuel Azaña, Martínez Barrios, Largo Caballero, Indalecio Prieto, Ibañez Martín, José Féliz de Lequerica, Martín Artajo, Fernando María Castiella, López Redó, Serrano Suñer ou José Antonio Primo de Rivera, e de dezenas e dezenas de outros.
    E atente-se no pensamento do homem comum espanhol. Basta-nos uma carta datada de Maio do corrente ano, recebida no secretariado do congresso “O Tratado de Badajoz e Olivença: Dois séculos de relações luso-espanholas”:

    Hispania no está completa sin Portugal

    Es España la que no está completa desde la secesión de 1.640.
    Desde tiempo de los romanos la península ibérica era conocida como Hispania (las dos provincias Citerior y Ulterior). Por tanto lo que hoy conocemos como España no es tal hasta que no se integre Portugal.
    Lo absurdo es que existan fronteras en los ríos Miño, Duero, Tajo, Caya, Guadiana y en cualquier otro río peninsular. Son fronteras inventadas. La única frontera española terrestre real son los Pirineos.
    Portugal es parte de España (Hispania) y la labor de unificación del gran rey Felipe II fue quebrada por el tribalismo y estrechez de miras de una de las regiones (Portugal).
    Todos los reinos peninsulares (hispanos) se integraron: Navarra, Aragón, Castilla, León. Sólo falta Portugal.
    Andres Ferrer

    De Anonymous Zéi, em agosto 13, 2007 12:05 da manhã  
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