BRITEIROS <$BlogRSDUrl$>








quarta-feira, outubro 17, 2007

Afronta a Pequim

Mais do que a discreta recepção na Casa Branca, foi esta cerimónia, há momentos, no Capitólio — sede do Congresso americano — que irritou seriamente o regime chinês. O acontecimento dá-se em pleno congresso do partido comunista da China. Ora, se há uma esfera em relação à qual não é de esperar qualquer evolução de posição por parte dos dirigentes de Pequim é certamente a da integridade nacional do país. Não está minimamente em vista qualquer negociação acerca da pertença de Taiwan e do Tibete ao Império do Meio.
Não deixa de ser uma atitude lógica. Os períodos de independência do Tibete ao longo da História não passaram de curtos episódios. De resto, actualmente o Dalai Lama reivindica somente a autonomia para o seu país e não a independência. O que é inadmissível em contrapartida é a pertinácia de Pequim em querer erradicar a cultura tibetana. A religião é extremamente controlada. Nos templos, não só todas as imagens do Dalai Lama foram eliminadas mas, na maior parte dos casos, foram substituídas pelas do presidente chinês. O jovem Panchen Lama está em prisão domiciliária e foi substituído por um fantoche nomeado que passa a maior parte do tempo na capital chinesa. Até os monges habilitados a participar na procura do futuro Dalai Lama devem ser da confiança de Pequim. Existem prisões para monges e freiras onde se pratica a tortura...
O regime chinês, se já nada tem de comunista, continua no entanto a impor o ateísmo militante, porque a religião é um fenómeno que lhe escapa. Faz parte do domínio interior de cada um. E, para um Estado que conserva os vestígios das suas origens totalitárias, isso é insuportável.

P.S.: Ainda a propósito de fantoches, escusado será dizer — antecipando qualquer possível comentário nesse sentido — que a figura que vemos à esquerda na foto não é, de modo algum, quem mais idoneidade tem neste mundo para estimular as liberdades nos países dos outros.

Etiquetas: ,


:: enviado por JAM :: 10/17/2007 11:01:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

sábado, setembro 29, 2007

O choque tecnológico na China

Etiquetas: ,


:: enviado por JAM :: 9/29/2007 03:00:00 p.m. :: 2 comentário(s) início ::

terça-feira, setembro 25, 2007

Quando os monges fazem a revolução

No conforto do terror e dos plenos poderes, os ditadores acabam sempre por cometer os mesmos erros. Os generais birmanes resolveram aumentar 66% o preço da gasolina, 100% o do gasóleo e 54% o do gás. Todos os outros preços subiram rapidamente em flecha, sobretudo os dos transportes públicos, num país que é um dos vinte mais pobres do mundo. Para muita gente, ficou mais caro ir para o trabalho do que parar de trabalhar de vez e ficar em casa.
A junta militar achou que o país, habituado à negação de todas as liberdades, baixaria de novo a cabeça, por receio de uma resposta sangrenta das forças armadas. Mas, inesperadamente, o povo saiu para as ruas.
No dia 6 de Setembro, monges budistas de Pakokku tomaram como reféns os milicianos que os maltrataram na altura em que eles pretendiam juntar-se aos manifestantes. Desde a semana passada, é na própria capital do país que dezenas de milhares de monges, descalços e nos seus hábitos cor de canela e açafrão, desfilam pelas ruas. Cada dia mais numerosos, juntando à sua volta cada vez mais gente. “Marchamos pelo povo!”, gritam eles.
Os ditadores da Birmânia não sabem como reagir a esta vaga. Até a China, que é o único país do mundo que os apoia, multiplica os conselhos de moderação aos militares birmaneses. Por receio de uma condenação por parte da Assembleia-geral das Nações Unidas, a junta militar mantém-se singularmente calma. Até quando... não se sabe. Por enquanto, não ousa atacar os monges, mas nada é mais perigoso para uma ditadura do que deixar aparecer a sua fragilidade.
A liberdade e a democracia poderão marcar alguns pontos neste braço de ferro e a China poderá perder um dos peões do seu dispositivo asiático. Para eles, a Birmânia é, por um lado, um bom fornecedor de matérias-primas e, por outro lado, uma excelente barreira contra a Índia limítrofe. Se os generais caíssem, isso seria uma ameaça para a unidade do país que só a ditadura tem conseguido manter.
Percebe-se agora melhor porque é que o PCP de Jerónimo de Sousa não gosta do Dalai Lama nem de monges revolucionários.

Etiquetas: , ,


:: enviado por JAM :: 9/25/2007 10:20:00 a.m. :: 7 comentário(s) início ::