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segunda-feira, setembro 29, 2008

Uma questão de moral...

O título foi sacado ao Joel Costa mas é mesmo disso que se trata.

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:: enviado por touaki :: 9/29/2008 08:55:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Fogo!

Um incêndio deflagrou ontem no Eisenhower Executive Office Building que alberga, entre outros, escritórios do vice-presidente Dick Cheney. O porta-voz da Casa Branca jurou que se tratou de um curto-circuito.
Mas, pelos tempos que correm, faz todo o sentido colocarmos a questão se não restariam ainda provas do Waterboarding a queimar...

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:: enviado por JAM :: 12/20/2007 10:51:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, dezembro 04, 2007

Ainda as eleições na Rússia

Fazendo fé nas versões dos observadores estrangeiros e nas oposições locais, as eleições legislativas de Domingo passado foram um claro exemplo de libertinagem antidemocrática.
Por exemplo, Goran Lennmarker, presidente da Assembleia Parlamentar da OSCE, assinalou que na Rússia não existe nenhuma separação real entre os poderes. Pelo contrário, disse que há uma fusão entre o Estado e as forças políticas, o que constitui uma violação inadmissível das normas internacionais. Destacou também que “os meios de comunicação não foram imparciais e deram clara preferência ao partido do governo, Rússia Unida”, liderado por Vladimir Putin. Outro observador europeu, Luc van den Brande, constatou que, no decurso do processo electoral, houve pressão sobre os eleitores para que votassem pelo partido governante.
No próprio dia das eleições, o dirigente do Partido Comunista, Guennadi Ziouganov, cuja organização obteve cerca de 12 por cento dos sufrágios, denunciou que teria havido uma torrente de infracções que superou todos os limites possíveis, e assegurou que lhes teriam sido subtraídos, por métodos fraudulentos, uma décima parte dos votos totais para favorecer outros partidos. Quanto ao antigo campeão mundial de Xadrez, Garry Kasparov, que milita num pequeno partido da oposição, qualificou estas eleições como as mais desonestas e as mais sujas da História moderna da Rússia.
O problema é que, desde há pelo menos quinze anos, quer a Europa Ocidental, quer os Estados Unidos, consideram a Rússia como uma democracia, numa lufa-lufa para vincularem esse enorme país ao mercado mundial (também têm feito a mesma coisa com a China, mas isso é ainda outra história). No meio de toda essa hipocrisia, resolveram elogiar o espírito democrático de Iéltsin e de Putin, não porque eles realmente o tenham, mas sim porque foram eles que converteram a Rússia num conjunto de oportunidades de negócio para os capitais multinacionais.
Agora, é muito difícil para esses mesmos europeus e americanos, convencerem-nos a todos nós de que estão verdadeiramente surpreendidos com a evidente sujeira que caracterizou estas eleições legislativas. Tanto mais que o actual governo dos Estados Unidos não conta com suficiente autoridade moral para reclamar eleições limpas e regulares no território russo, tendo em conta que tanto a eleição do actual presidente Bush, em 2000, como a sua reeleição, em 2004, ficaram marcadas pela suspeita de fraudes cometidas pelos republicanos, em detrimento da oposição democrata.

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:: enviado por JAM :: 12/04/2007 04:00:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Os bounty hunters do século XXI

Afazeres profissionais têm-me mantido afastado deste blog. Não é que alguém tenha dado por isso ou que tenha muita importância. Digo isto apenas para abrir caminho a um pedido.
Durante uma audiência num tribunal londrino sobre a eventual extradição de um cidadão britânico para os EUA, o representante do governo americano declarou que, perante a lei americana, era aceitável o rapto de cidadãos estrangeiros procurados pela justiça do seu país. Explicou ainda que se uma pessoa for raptada pelas autoridades americanas noutro país para ser apresentada à justiça americana, nenhum Tribunal dos EUA pode considerar o rapto ilegal e libertá-la. Parece que a lei vem do tempo dos caçadores de recompensas nos anos de 1860. Perante a perplexidade dos juízes, citou o caso de um cidadão mexicano raptado no México e levado para o Texas para ser julgado e onde o Supremo Tribunal declarou a “captura” legal.
Por isso, meus amigos, aqui fica o pedido: sabendo da tendência litigiosa dos americanos e temendo que algum post meu ofenda o governo americano ou algum dos seus cidadãos, se eu não der sinais de vida durante um ou dois meses, por favor, procurem-me numa prisão americana.
Sabia que os americanos têm alguma dificuldade em sair da infância. Não sabia que ainda brincam aos bounty hunters.

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:: enviado por U18 Team :: 12/03/2007 09:14:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, novembro 30, 2007

No exército americano também há suicidas

George W. Bush costuma dizer que só os terroristas se suicidam; que os terroristas suicidas “não são como os nossos; não dão valor à vida como nós damos”. Santa ironia, santa ignorância.
Uma investigação da CBS News revela que, em 2005, se suicidaram 6.256 efectivos que haviam participado nas guerras do Iraque e do Afeganistão. Uma média de 120 por semana, sete em cada dia. E isso num só ano: quase o dobro dos que caíram em mais de quatro anos de conflito.
A investigação da CBS News durou cinco meses. Reuniu informações de várias fontes oficiais, consultou especialistas e comparou as taxas de suicídios dos ex-combatentes com as do resto da população. Padeciam do chamado stress pós-traumático, uma generalidade que pode englobar muitas coisas: horrores do combate, crimes cometidos ou vistos cometer, desilusões da “liberdade e democracia” que era suposto levarem a esses países, angústias, pesadelos, remorsos, ...
Um outro estudo, publicado pela Reuters revela que mais de 25 por cento dos efectivos em actividade e 50 por cento dos reservistas, que regressaram a casa, apresentam sintomas de perturbações mentais.

Penny Coleman, viúva de um veterano do Vietname, escreveu um artigo difundido nesta 2ª Feira pelo Independent Media Institute — um organismo que apoia o jornalismo independente — “Há algo de superioridade, tão arrogante, na maneira como falamos nos atacantes suicidas e nas culturas que os produzem. E assoma um sentimento inquietante: Em 2005, 6.256 veteranos americanos puseram fim à vida. Nesse mesmo ano, houve cerca de 130 mortes documentadas de atacantes suicidas no Iraque. Façam as contas. A proporção é de 50 para 1. Quem são então os mais eficazes na criação de uma cultura do suicídio e do martírio? Se George Bush tem razão quando diz que é o desespero, o desleixo e a pobreza, que impele essa gente a cometer tais actos, não são os americanos quem mais se pode gabar de um melhor desempenho nessa matéria?”.
E neste caso, não são fiéis do Islão nem árabes, que W. tanto despreza, mas sim — à excepção dos psicopatas que sempre existem — pessoas que se alistaram por pobreza ou à procura de oportunidades de carreira... e não porque queriam matar civis.

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:: enviado por JAM :: 11/30/2007 12:49:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, novembro 07, 2007

Mais um alfobre de democracia que não pega

Há meses que os Estados Unidos trabalhavam num plano para juntar o general-presidente Musharraf e a antiga primeira ministra Benazir Bhutto. Autorizada a regressar do exílio, esta seria facilmente eleita chefe do governo nas eleições de Janeiro. A oposição democrática e o exército passariam então a fazer frente à oposição islamista, contribuindo simultaneamente para a estabilização interna e o reforço da NATO na batalha contra os talibãs afegãos.
Mas a Administração americana já deveria saber que os ditadores não costumam aceitar partilhar o poder. Em vez disso, Musharraf preferiu decretar o estado de emergência, amordaçar a imprensa, adiar as eleições e lançar nas masmorras meio milhar de opositores, entre os quais o presidente do Supremo, o primeiro dos seus adversários.
Pervez Musharraf fê-lo por duas razões. Primeiro porque sabe bem que é de tal modo indispensável aos Estados Unidos que pode dar-se ao luxo de os contrariar sem qualquer risco. Nada fará Bush cortar-lhe os mantimentos sem que a situação afegã se torne ainda mais instável. O Paquistão tem a bomba atómica e 160 milhões de habitantes e é arriscado empurrá-lo ainda mais para a incerteza islamista.
Musharraf sabe disso e sabe também que o compromisso que Washington lhe propunha constitui para ele uma ameaça já que, por um lado, Benazir Bhutto será uma rival de peso após as eleições e, por outro lado, não é certo que o Supremo dê validade ao novo mandato que o Parlamento lhe confiou apesar de ele ser ainda o chefe das forças armadas.
Ou seja, mais uma vez os Estados Unidos — que continuam a arvorar-se em senhores do mundo — tentam cozinhar uma democracia e mais uma vez o resultado é o fortalecimento de uma ditadura.

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:: enviado por JAM :: 11/07/2007 12:02:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, outubro 25, 2007

Intolerável ingerência

O presidente Bush instou ontem a Comunidade Internacional a trabalhar, conjuntamente com a sua Administração, para obter a “liberdade do povo cubano”. Para isso, apelou aos diversos países para que estabeleçam contactos, através das suas representações diplomáticas na ilha, com os opositores de Fidel Castro, de modo a acelerar aquilo a que chamou a “transição em Cuba para um futuro de liberdade, progresso e promessa”, e exortou a sociedade cubana a “abraçar os fundamentos da democracia” e o “desejo de mudança”. Ao mesmo tempo, pediu ao Congresso do seu país que ratificasse o bloqueio comercial que os Estados Unidos mantêm com Cuba desde 1962 e anunciou a criação de um fundo internacional de auxílio — denominado “fundo de liberdade” — o qual, segundo anunciou, poderá conceder aos empresários cubanos “acesso a doações, empréstimos e reduções de dívidas, para ajudar a reconstruir o país” logo que sejam produzidas “mudanças profundas” no seu modelo político e económico.
Este apelo à Comunidade Internacional é absolutamente intolerável, porque constitui um convite a apoiar o anacrónico intervencionismo americano contra Cuba, baseado num embargo comercial que se tem mantido ao longo de décadas à revelia da legalidade internacional e dos direitos humanos. O bloqueio — por mais que Bush se empenhe em chamar-lhe “o bode expiatório das misérias cubanas” — tem dirigido um sofrimento inútil e abusivo sobre o povo cubano e tem impedido, além do mais, a obtenção de possíveis ganhos legítimos por parte de muitas empresas americanas.
Independentemente da opinião que possa merecer o actual regime cubano, os únicos que podem decidir se o desejam conservar, ou transformar ou deitar abaixo são os habitantes da ilha. É nisso que consiste o respeito pelo princípio da autodeterminação dos povos que, hoje mais do que nunca, deve ser um preceito irrevogável da legalidade internacional.

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:: enviado por JAM :: 10/25/2007 09:12:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::

quarta-feira, outubro 17, 2007

Afronta a Pequim

Mais do que a discreta recepção na Casa Branca, foi esta cerimónia, há momentos, no Capitólio — sede do Congresso americano — que irritou seriamente o regime chinês. O acontecimento dá-se em pleno congresso do partido comunista da China. Ora, se há uma esfera em relação à qual não é de esperar qualquer evolução de posição por parte dos dirigentes de Pequim é certamente a da integridade nacional do país. Não está minimamente em vista qualquer negociação acerca da pertença de Taiwan e do Tibete ao Império do Meio.
Não deixa de ser uma atitude lógica. Os períodos de independência do Tibete ao longo da História não passaram de curtos episódios. De resto, actualmente o Dalai Lama reivindica somente a autonomia para o seu país e não a independência. O que é inadmissível em contrapartida é a pertinácia de Pequim em querer erradicar a cultura tibetana. A religião é extremamente controlada. Nos templos, não só todas as imagens do Dalai Lama foram eliminadas mas, na maior parte dos casos, foram substituídas pelas do presidente chinês. O jovem Panchen Lama está em prisão domiciliária e foi substituído por um fantoche nomeado que passa a maior parte do tempo na capital chinesa. Até os monges habilitados a participar na procura do futuro Dalai Lama devem ser da confiança de Pequim. Existem prisões para monges e freiras onde se pratica a tortura...
O regime chinês, se já nada tem de comunista, continua no entanto a impor o ateísmo militante, porque a religião é um fenómeno que lhe escapa. Faz parte do domínio interior de cada um. E, para um Estado que conserva os vestígios das suas origens totalitárias, isso é insuportável.

P.S.: Ainda a propósito de fantoches, escusado será dizer — antecipando qualquer possível comentário nesse sentido — que a figura que vemos à esquerda na foto não é, de modo algum, quem mais idoneidade tem neste mundo para estimular as liberdades nos países dos outros.

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:: enviado por JAM :: 10/17/2007 11:01:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, outubro 10, 2007

É o que se chama pagarem os justos pelos pecadores

O bispo da diocese de San Diego, Robert Brom, está a pedir aos seus fregueses e sacerdotes que contribuam para ajudar a pagar a dívida da Igreja Católica às vítimas dos abusos sexuais perpetrados por sacerdotes da Diocese. Quase 200 milhões de dólares!... A ideia de proceder a esta colecta extraordinária surgiu depois da Diocese ter tentado declarar-se em situação de falência, mas sem êxito. Para além do considerável número de propriedades que possui, calcula-se que anualmente recebe cerca de 165 milhões de dólares de esmolas e doações.
Perante a evidência, a Diocese decidiu mudar de estratégia e optou por empreender uma campanha de angariação de fundos que está a gerar enorme controvérsia entre os fiéis. Para a Igreja Católica é importante que os sacerdotes dêem o exemplo e que os fiéis contribuam para que se inicie o processo de reconciliação interna.
Em princípio, os sacerdotes da Diocese estariam dispostos a doar um mês de salário. E há paroquianos decididos a cooperar para que ela saia do cepo. Mas há outros que pensam que, em vez de negociar um ajuste monetário com as vítimas, a Igreja deveria ter deixado os sacerdotes pederastas comparecerem ante a justiça e que aqueles que fossem julgados culpados fossem parar à prisão. Houve também quem dissesse que, antes de vir pedir dinheiro aos crentes, a Igreja deveria ter vendido algumas das suas propriedades. E os mais radicais acham mesmo que o assunto deveria ser resolvido pelo Vaticano. “Bastava que vendessem um ou dois quadros e obtinham logo o dinheiro todo para pagar a indemnização”, disse ao LA Times uma beata.
O que é curioso é que este tipo de acusações só vem a lume em muito poucos países do mundo. Noutros, sobretudo na América Latina, altamente católica, a imputação desses crimes é extremamente rara, excepção talvez para o caso do prelado mexicano Marcial Maciel, fundador da ordem dos legionários de Cristo, a quem, em Maio de 2006, o papa Bento XVI ordenou que deixasse o seu cargo, deixando bem claro que só a sua avançada idade o salvava de ser presente a um tribunal eclesiástico.
Ou seja, nuns casos não se chegam a reconhecer os culpados e ninguém paga. Noutros, são os justos que acabam pagando pelos pecadores.

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:: enviado por JAM :: 10/10/2007 12:06:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, outubro 09, 2007

Washington queria o Che vivo

Faz hoje 40 anos, Che Guevara foi morto a tiro por um subalterno boliviano às ordens do ditador René Barrientos. Uma série de documentos desclassificados pelo Congresso americano durante o governo de Bill Clinton e encontrados por investigadores italianos nos arquivos nacionais dos Estados Unidos revelam que, ao contrário da versão que corre, a CIA não queria a morte do mítico médico, herói da revolução cubana.
As circunstâncias reais que envolveram a morte de Ernesto Rafael Guevara de la Serna, num remoto lugarejo da selva boliviana, não são tão evidentes como explica a história convencional, que tradicionalmente faz recair nos serviços secretos americanos a última responsabilidade da sua execução.
Após quatro décadas de ensaios, livros e inquéritos dedicados à vida e morte de Che Guevara, a arraigada ideia de que foram os Estados Unidos, ou melhor a Central Intelligence Agency, os impulsionadores do seu assassinato, desvanece-se graças à desclassificação de documentos secretos que apontavam em sentido contrário. Quer dizer, a documentação americana mostra que, longe de ter ordenado que fosse morto, a CIA deu instruções para que os seus homens na Bolívia o capturassem e mantivessem vivo “a todo o custo”, para evitar que a Administração americana fosse acusada da sua morte. “Keep him alive”, foram as ordens de Washington aos seus dois agentes infiltrados no destacamento do exército boliviano que combatia o grupo de guerrilheiros dirigido pelo Che.
O plano americano, segundo os escritos desclassificados, era prendê-lo e levá-lo para o Panamá, para o mostrar ao mundo como um troféu e desmascarar através dele os intentos expansionistas revolucionários de Fidel Castro, induzindo assim a ideia de que tais intentos não visavam mais do que transformar a América Latina num novo Vietname... Enfim... o costume.
Mas a ordem, o desejo do país mais poderoso do mundo, não serviu de nada ante as ideias próprias de René Barrientos, o militar ditador da Bolívia, que ordenou a execução do prisioneiro, em 9 de Outubro de 1967. Fê-lo pela rádio, a partir de La Paz, logo que soube que o Che tinha sido capturado. Uma nuvem de confusão envolve o papel desempenhado por Félix Rodríguez, o agente boliviano da CIA, presente em La Higuera, o lugar onde o mataram. Rodríguez tinha obrigação de conhecer bem as instruções de Washington, mas mesmo assim foi ele quem recebeu a ordem inexorável do General Barrientos. Terá ele pensado que Washington tinha mudado de ideias?
Os documentos que alteram a versão mais conhecida sobre as circunstâncias que rodearam a morte do Che foram encontrados por Mario Cereghino. Conta Cereghino que o achado fortuito se deu quando pesquisava o terminal de busca da CIA e deparou com alguns dados sobre Ernesto Che Guevara. Às tantas descobriu uma série de documentos relativos à Bolívia aparentemente intactos, isto é, sem notas de que tivessem sido consultados. Tratava-se de um autêntico contra-diário da fracassada revolução andina, que contrastava com o famoso diário boliviano de Guevara, publicado com o prólogo de Fidel Castro. Com o material recolhido, Cereghino regressou a Roma onde, juntamente com o jornalista Vincenzo Vasile ampliou a investigação, que culminou com a publicação de um livro. A obra, publicada em Itália, intitula-se Che Guevara top secret.

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:: enviado por JAM :: 10/09/2007 08:03:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, setembro 27, 2007

Quem parte e reparte...

Ganha cada vez mais forma a ideia da partição do Iraque. Ontem, 75 senadores votaram um documento que recomenda a criação de três províncias semi-autónomas (plano Gelb-Biden: Plan for Iraq). É a primeira vez que uma ideia consegue o apoio generalizado de tantos democratas e republicanos e põe no mesmo barco analistas tão díspares como David Brooks e Charles Krauthammer.

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:: enviado por JAM :: 9/27/2007 10:24:00 p.m. :: 2 comentário(s) início ::

segunda-feira, setembro 24, 2007

Bush: “Mato Mandelas todos os dias no Iraque!”

É o que a consciência do presidente americano teria respondido ao jornalista que o interrogou sobre a ausência de um Mandela milagroso no Iraque. Mas, da boca de Bush saiu o contrário: disse que o culpado foi Saddam Hussein. Que foi ele quem eliminou todos os Mandelas iraquianos!
Ficamos siderados perante tanta pobreza de espírito, tanta má fé e tanto cinismo. O presidente da mais poderosa nação do mundo, figura de destaque de todos os jornais escritos, falados e televisivos do planeta, continua, com a insolência tosca que todos lhe conhecemos, a defender a ocupação de um país, onde mata directamente (os seus soldados) e indirectamente (ao atiçar os ódios étnico-religiosos) seres humanos pacíficos. Muitos desses seres humanos teriam aliás sido — cruel paradoxo — poupados precisamente por... Saddam Hussein.
Veja o vídeo na íntegra e... julgue por si mesmo(a). Como escreve o conceituado Dana Milbank, no Washington Post, os Mandelas iraquianos devem estar a rebolar-se nas respectivas tumbas.

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:: enviado por JAM :: 9/24/2007 08:30:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::

domingo, setembro 23, 2007

Como funciona um embargo internacional

O miúdo na foto chama-se Raysel Sosa Rojas e personificou um dos casos mais paradigmáticos da obsessão que, há 45 anos, alastra nos Estados Unidos. Raysel, um jovem cubano de 13 anos, esteve na Argélia no ano passado para participar, com outras crianças do mundo inteiro, no XV Concurso Internacional Infantil sobre o Meio Ambiente, uma competição artística promovida por um organismo da ONU. Depois de vários dias a exibir os seus desenhos, Raysel foi seleccionado e ganhou um prémio: uma máquina fotográfica Nikkon. Na cerimónia final, o jovem cubano apresentou-se, como os outros vencedores, mas foi o único que não recebeu o seu prémio. No meio da cerimónia, um representante da empresa japonesa veio pedir imensas desculpas e explicar que não podiam entregar-lhe o aparelho porque ele continha componentes americanos e isso violaria o embargo comercial infligido sobre o seu país.
Imposto formalmente em Fevereiro de 1962, o embargo inicialmente só implicava uma suspensão do comércio entre os Estados Unidos e Cuba. Mas nesse mesmo ano começou a parecer-se mais com um bloqueio, com a lei para a “Democracia Cubana”, mais conhecida por Lei Torricelli. Através dela, Washington expandia o “embargo” a todas as filiais das empresas americanas no mundo. Até ao princípio dos anos noventa, o comércio entre a ilha e as empresas relacionadas com companhias americanas ascendia a mais de 700 milhões de dólares anuais, dos quais 90% diziam respeito a alimentos e medicamentos. Quatro anos depois, o “embargo” foi ampliado e deixou de ser apenas americano: a chamada Lei Helms-Burton passou a aplicar sanções a todas as empresas estrangeiras que mantinham negócios nos EUA e em Cuba ao mesmo tempo. A sanção mais comum consiste simplesmente em proibir os dirigentes dessas empresas de entrarem nos Estados Unidos.
Graças ao bloqueio, Cuba tem perdido anualmente centenas de milhões de dólares, com impacto negativo no desenvolvimento do turismo e na situação sanitária e tecnológica, provocado pelos repetidos freios nas importações. Mas a ameaça — quantas vezes ridícula — vai mais longe: por exemplo, em Fevereiro passado uma cadeia nórdica de hotéis, comprada recentemente pelo grupo Hilton, negou-se a hospedar a delegação cubana que se tinha deslocado à Noruega para participar num congresso de turismo. Situação idêntica ocorrera no ano anterior no hotel Sheraton da Cidade do México: 16 empresários do sector energético cubano foram expulsos do átrio do hotel. Foram proibidos de entrar na sala de conferências onde decorria um seminário... ironicamente organizado por empresários americanos.

Agora que percebeu como funciona um embargo internacional... leia esta notícia.

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:: enviado por JAM :: 9/23/2007 02:32:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::

terça-feira, setembro 11, 2007

Mas que las hay, las hay

A propósito das teorias da conspiração sobre o 11-S, que invariavelmente ressurgem todos os anos por esta altura, Robert Fisk colocava, há dias, as seguintes questões: como pode alguém acreditar que o governo da parelha Bush-Cheney tivesse sido capaz de organizar um conluio para executar os atentados do 11-S? Essa parelha, que não tem feito mais nada senão arruinar tudo e que está farta de meter a pata na poça, como pode alguém pensar, insiste Fisk, que tivesse podido organizar os crimes contra a humanidade perpetrados nos EU no dia 11 de Setembro de 2001?
Mas, quem foi que disse que eles têm arruinado tudo? A agenda da Administração Bush-Cheney procurava, entre outras coisas, o contínuo desenvolvimento dos arsenais nucleares americanos, a destruição da Convenção de Genebra em matéria de tortura, a limitação severa dos direitos cívicos e das liberdades fundamentais nos Estados Unidos... Quem foi que disse que eles não alcançaram esses objectivos? Além disso, o triunfo mais importante do duo Bush-Cheney é a manipulação da opinião pública americana após o 11-S. É isso que explica a reeleição de Bush, um político que interrompe as suas frases, que não sabe nada e que titubeia ante cada sílaba.
É certo que o ilustre correspondente do Independent para o Médio Oriente se refere ao desastre do Iraque. Mas, mesmo esse imbróglio nunca deixou de estar nos planos nefastos dessas personagens como forma de perpetuar a presença invasora na região. No fim de contas, a noção absurda de que “não podemos sair do Iraque, porque isso provocaria uma guerra civil”, está cimentada precisamente nesse caos e nessa desordem. Mais ainda, hoje o Irão está a ser acusado pela Casa Branca de ser o responsável pelo fiasco no Iraque. Desse modo, o desastre no Iraque serviria para justificar o ataque ao Irão num futuro não muito distante.
O erro de Fisk foi ter caído na armadilha de Bush-Cheney. Vamos por partes...

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:: enviado por JAM :: 9/11/2007 01:37:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, setembro 10, 2007

Se não podemos dar-lhes o homem, damos-lhes o vídeo

Faz agora um ano, um relatório dos serviços secretos franceses, citando os seus homólogos sauditas, anunciavam que Bin Laden teria sucumbido a uma crise de febre tifóide, no Paquistão, embora a própria Arábia Saudita tenha admitido na altura que poderia tratar-se de mera especulação. Agora, o homem cuja cabeça vale 50 milhões de dólares volta a aparecer, na sua indumentária habitual, com a barba bem cuidada, na boa tradição árabe, e aparentando uma saúde razoável apesar das olheiras. Nesta reaparição, que pretende marcar mais um aniversário do 11-S, Ben Laden denuncia Bush e Blair e evoca – para mostrar até que ponto a gravação é actual – o novo presidente francês Sarkozy e o novo primeiro-ministro britânico Gordon Brown.

Lembra o semanário Newsweek que as forças americanas no Afeganistão estiveram tão perto de descobrir Bin Laden no Inverno de 2004-2005 que os seus partidários estiveram quase a abatê-lo só para evitar que ele fosse capturado. O mesmo número da revista acrescenta que os intensos esforços de Washington para o encontrar não produziram resultado em seis anos: “Não houve nenhum indício sério sobre Osama Bin Laden desde 2002”, são palavras de Bruce Reidel, um agente da CIA na reforma.
Vincent Marissal extrai desta análise o falhanço da captura de Bin Laden: a Newsweek narra a reacção de George Bush, em 2005, quando os dirigentes da CIA lhe deram conta dos fracos progressos alcançados na caça a Bin Laden no Afeganistão e no Paquistão. “Mas vocês não dispõem de mais recursos no terreno?”, espantou-se Bush. “Não, senhor presidente, o Iraque está a consumir-nos quase todos os recursos”, terão respondido os esbirros da CIA. Os Americanos, depois de terem carregado em força sobre o Afeganistão, desviaram-se dele, como uma criança que deita fora um brinquedo cujas pilhas se descarregaram, e voltaram-se para o Iraque. E agora, é o pequeno Canadá quem vai ter que conseguir o milagre em pouco tempo? Missão impossível”.

O vídeo legendado em inglês:

O vídeo legendado em francês:

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:: enviado por JAM :: 9/10/2007 10:28:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::

quinta-feira, agosto 30, 2007

A guerra dos sargentos

Sete sargentos do exército americano publicaram, em 19 de Agosto, um artigo colectivo no New York Times, significativamente intitulado “A guerra tal como nós a vimos”.
Não se trata pois de mais um dos muitos textos vindos a público pela mão de altos comandos militares ou políticos com especial responsabilidade e que, uma vez reformados, resolvem criticar Bush e a estratégia por ele seguida no Iraque ou no Afeganistão. Também não se trata de mais um escrito de soldados ou de seus familiares queixando-se das condições em que as tropas operam.
É um artigo que tem um valor especial porque foi escrito por um grupo de sub-oficiais, militares que estão ao mesmo tempo em contacto com a tropa dos escalões inferiores da hierarquia — os soldados na frente de combate — e com as altas patentes e os núcleos de decisão que planeiam as operações. Por isso, as opiniões de um sargento são indispensáveis se se deseja conhecer a realidade militar do momento. É tanta a proximidade com que os autores do artigo estavam a viver a guerra que um deles, ainda o artigo não estava acabado, recebeu um tiro na cabeça no decurso de uma missão e teve que ser evacuado para um hospital nos Estados Unidos. Não são portanto testemunhos longínquos emanados da “zona verde” de Bagdade ou de um qualquer gabinete de quartel-general.
George Bush não aprendeu a mínima lição dos já tradicionais erros políticos do seu país. Basta dizer que foram os Estados Unidos que armaram os que entretanto formaram a Al Qaeda, quando o que estava em causa era expulsar a URSS do Afeganistão. Escrevem agora os signatários que “criar aliados que combatam a nosso favor é essencial para ganhar a guerra, mas era preciso que esses aliados fossem fiéis àqueles que os armam e organizam”. Não é isso que acontece. As chefias do exército iraquiano não têm nenhuma influência sobre os milhares de soldados que teoricamente estão sob o seu comando. O que se passa é que os sunitas, escassamente representados no governo e nas unidades militares, organizam as suas próprias milícias, ás vezes com o apoio dos Estados Unidos, porque acham que é a única maneira de se protegerem contra as milícias xiitas ou face a um governo e uma polícia onde os xiitas estão em maioria e se servem dela para consumar as suas vinganças.
Em suma, os Estados Unidos lutam “num alucinante contexto de inimigos muito decididos e de aliados pouco fiáveis”. Nessas circunstâncias, é evidente que a desejável reconciliação política só poderá produzir-se na contextura iraquiana e não de acordo com as exigências de Washington: “Não haverá soluções que agradem da mesma maneira a todas as partes e haverá forçosamente vencedores e vencidos. A saída que nos resta é decidirmos de que lado estamos. Tentarmos agradar a todas as partes do conflito, como agora fazemos, só garantirá que, ao fim de contas, seremos odiados por todos”.

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:: enviado por JAM :: 8/30/2007 09:58:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, julho 31, 2007

Relações internacionais sem vergonha

As relações internacionais são cada vez mais impúdicas. O último exemplo de que temos notícia diz respeito à venda em massa de armas da mais recente tecnologia a Israel e a seis países sunitas do Golfo Pérsico, especialmente a Arábia Saudita. Todos eles, países com um historial de violações dos direitos humanos interminável.
Os vendedores, como não podia deixar de ser, são os Estados Unidos ou, melhor dizendo, as todo-poderosas empresas de armamento que apoiam, entre outros, George Bush. Segundo a porta-voz do Departamento de Defesa, Rebecca Goodrich Hinton, o presidente enviará esta semana ao Congresso uma iniciativa para aprovar a venda de bombas guiadas por satélite, aviões caças-bombardeiros e navios de guerra novinhos em folha, tudo isso num período de dez anos. O plano contempla, para além disso, outros “financiamentos” não detalhados. O objectivo é duplo: por um lado, garantir a Israel que manterá sempre uma “vantagem qualitativa” sobre os países árabes (quer dizer, reforçará a sua superioridade militar na zona) e, por outro lado, enviar um sinal inequívoco ao Irão (dissuadi-lo do seu poder militar) e garantir que a ocupação americana do Iraque continue a contar com o apoio dos governos sunitas em questão (o New York Times, por exemplo, publicava na semana passada que metade dos 60 a 80 combatentes que se infiltram mensalmente no Iraque o fazem através da fronteira com a Arábia Saudita). Bush superou todas as reticências israelitas acerca do rearmamento desses países do Golfo, oferendo mais (e melhores) armas que nunca ao Executivo de Telavive.
Mas, logicamente, esses sinais têm, para além disso, outros destinatários. Aviso à navegação, como se costuma dizer. E muito claro. Washington (e as empresas privadas de armamento) continua a lembrar aos palestinianos (e aos árabes em geral) que a sua “tutelagem” sobre a zona será sempre em benefício de Israel e que qualquer possibilidade de acordo passará sempre por manter o Estado israelita muito mais forte que os restantes países da zona.
Já imaginaram o que seria se todo esse dinheiro fosse melhor investido? Que aconteceria, por exemplo, com os oito milhões de iraquianos que necessitam de ajuda humanitária de emergência, de acordo com o enésimo e devastador relatório sobre o Iraque? Nessas questões, a União Europeia continua muito distraída e nem sequer uma mudança de governo em Washington será garantia de coisa nenhuma.

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:: enviado por JAM :: 7/31/2007 11:10:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, julho 24, 2007

Blog antimilitarista desencadeia polémica nos EUA


Manifestação contra a guerra no Iraque, Julho 2007, Palo Alto, Silicon Valley

Corey Mitchel, autor do blog colectivo In Cold Blog, publicou na Sexta-feira passada um longo artigo intitulado “Killitary: How America's Armed Forces Create Serial Killers and Mass Murderers”. Nele estabelece uma lista dum certo número de militares e de ex-militares responsáveis por crimes ou atentados (como Timothy McVeigh, acusado do atentado de Oklahoma City, ou Lee Harvey Oswald, acusado de ter assassinado John Kennedy). O mesmo artigo foi transcrito no blog político anti-Bush Daily Kos, sob o pseudónimo liquidman.
Perante a enorme polémica desencadeada, Corey Mitchel retirou o artigo (que desapareceu ao mesmo tempo do Daily Kos). Depois voltou a publicá-lo, com uma nota prévia que modera o seu conteúdo. Mas o texto não voltaria a aparecer no Daily Kos...

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:: enviado por JAM :: 7/24/2007 05:36:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, julho 23, 2007

Só algumas maçãs podres?

Os media mais importantes dos Estados Unidos, tanto do lado democrata como republicano, não costumam poupar elogios aos soldados que combatem no Iraque. As torturas em Abu Ghraib não passaram do produto de algumas “maçãs podres” que, como dissera a Casa Branca quando rebentou o escândalo, aparecem inevitavelmente em qualquer caixa de fruta.
Agora sabe-se que a contaminação foi muito mais extensa do que isso. Uma ampla investigação dos jornalistas Chris Hedges e Laila Al-Arian, a publicar na edição impressa de 30 de Julho da revista The Nation, permite confirmar que o número de 600.000 civis iraquianos mortos pelos soldados americanos não tem nada de exagero.
Os dois jornalistas fizeram entrevistas, nos últimos meses, a 50 militares, muitos dos quais assistiram à matança de civis iraquianos, incluindo crianças, por soldados americanos. Alguns deles participaram nessas matanças... muitos disseram que esses actos foram perpetrados por uma minoria. No entanto, descreveram-nos como algo corrente e disseram que normalmente nem sequer são registados e muito menos castigados.

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:: enviado por JAM :: 7/23/2007 12:01:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, julho 13, 2007

O fantasma do Vietname

O fantasma do Vietname está a assombrar tanto a Administração Bush-filho como a guarda pretoriana de Bush-pai. Os últimos dados recolhidos pelo Congressional Research Service, instrumento independente dos partidos, que serve de apoio ao parlamento, indicam que o custo das guerras no Iraque e no Afeganistão está já muito próximo do da guerra no Vietname: à volta dos 650.000 milhões de dólares, considerada a inflação no caso do Vietname. E tratam-se apenas de valores que constam das contas do Congresso. Há ainda outras quantias e outros gastos que foram registados noutras contas. Também não estão incluídos os gastos desembolsados pelos aliados de Washington nas duas contendas. São valores que reflectem claramente a magnitude da invasão e da posterior ocupação de ambos os países. Ao longo destes seis anos posteriores aos atentados do 11-S, outros dados se sucederam sobre o número de mortos e feridos, de refugiados e deslocados, de perdas de direitos humanos, do modo como foi arruinado todo um modelo social e económico e como foi esgrimida a mentira para justificar o injustificável.
Por esta via, nas comemorações do 4 de Julho, Bush chegou mesmo a comparar a guerra no Iraque com a independência dos Estados Unidos, premindo a mesma tecla de sempre — “apoiar a guerra é um acto patriótico” — como forma de abafar a crescente resistência às suas políticas. O problema para o presidente — entre muitos — é que a realidade começa a desmentir de forma notória a retórica oficial. Como nos recordava há dias David Brooks, o sistema de justiça está contaminado pela influência política partidarista, foi legalizada a tortura e a espionagem sem autorização judicial, foram suspensos os habeas corpus, existe um campo de concentração em Guantanamo, a corrupção oficial alcança níveis sem precedentes e as desigualdades económicas atingem índices que datam de 1928. Porém, a “guerra contra o terrorismo” continua a ser usada como justificação para isso tudo.
Perante este imbróglio, a única pergunta que continua sem resposta é esta: o que é que irão fazer os republicanos e/ou os democratas para sair do Iraque?

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:: enviado por JAM :: 7/13/2007 03:22:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::