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sexta-feira, dezembro 28, 2007

Crónica de uma morte anunciada


© Desenho de Bandeira - Diário de Notícias

De nada valeu o enorme aparato de segurança, perante a teimosia dos que pretendiam fazer-lhe pagar com a vida o regresso ao seu país, após anos de exílio. No próprio dia em que regressou, há dois meses, recebeu-a uma dupla explosão que custou a vida a 130 pessoas e da qual saiu milagrosamente ilesa. Ontem porém, a figura mais notável do Paquistão foi assassinada com dois tiros, por um desconhecido que posteriormente se fez explodir, matando assim mais dezasseis pessoas e mergulhando o Paquistão na que será certamente a sua mais grave crise depois da criação do país, em 1947.
Membro de uma dinastia tão célebre como trágica, Benazir Bhutto foi, entre 1988 e 1990, a primeira governante muçulmana eleita no mundo, tendo voltado a repetir a proeza entre 1993 e 1996. O seu pai, Zulfikar Alí Bhutto, governou nos anos 70, foi deposto por um golpe militar e executado em 1979. Benazir passou cinco anos em prisão domiciliária e fugiu do país, onde voltou em 1986 para ser eleita primeira-ministra. Acusada de corrupção, juntamente com o marido, nas duas ocasiões em que governou, voltou a exilar-se em 1999. Os irmãos, Shanawaz e Murtaza, foram assassinados em 1985 e 1996. Educada em Harvard e Oxford, jovem e bonita, quando chegou pela primeira vez ao poder era vista como uma figura refrescante e democrática. Com os escândalos de corrupção — que nunca foram provados e que ela sempre alegou tratarem-se de acusações políticas — caiu em desgraça e tornou-se num símbolo mais controverso.
O seu regresso em Outubro voltou a armar polémica, quando as acusações de corrupção foram levantadas por ordem de Pervez Musharraf, como base de num arranjo para partilhar o poder com ele, que vive há anos sobre a corda bamba de uma aliança com os Estados Unidos. Os mesmos Estados Unidos que pretendiam agora utilizar Benazir Bhutto como peça de substituição perante a intolerável impopularidade de Musharraf e de contenção face a uma militância islâmica radical, cada vez mais agressiva y poderosa.
Agora, o Paquistão vai continuar a desfazer-se num caminho sem retorno, constituindo mais uma das frentes da “guerra contra o terrorismo” de Washington, que, em vez de combater a instabilidade, parece mais predestinada a alimentá-la.

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:: enviado por JAM :: 12/28/2007 11:42:00 a.m. :: 1 comentário(s) início ::

quarta-feira, novembro 07, 2007

Mais um alfobre de democracia que não pega

Há meses que os Estados Unidos trabalhavam num plano para juntar o general-presidente Musharraf e a antiga primeira ministra Benazir Bhutto. Autorizada a regressar do exílio, esta seria facilmente eleita chefe do governo nas eleições de Janeiro. A oposição democrática e o exército passariam então a fazer frente à oposição islamista, contribuindo simultaneamente para a estabilização interna e o reforço da NATO na batalha contra os talibãs afegãos.
Mas a Administração americana já deveria saber que os ditadores não costumam aceitar partilhar o poder. Em vez disso, Musharraf preferiu decretar o estado de emergência, amordaçar a imprensa, adiar as eleições e lançar nas masmorras meio milhar de opositores, entre os quais o presidente do Supremo, o primeiro dos seus adversários.
Pervez Musharraf fê-lo por duas razões. Primeiro porque sabe bem que é de tal modo indispensável aos Estados Unidos que pode dar-se ao luxo de os contrariar sem qualquer risco. Nada fará Bush cortar-lhe os mantimentos sem que a situação afegã se torne ainda mais instável. O Paquistão tem a bomba atómica e 160 milhões de habitantes e é arriscado empurrá-lo ainda mais para a incerteza islamista.
Musharraf sabe disso e sabe também que o compromisso que Washington lhe propunha constitui para ele uma ameaça já que, por um lado, Benazir Bhutto será uma rival de peso após as eleições e, por outro lado, não é certo que o Supremo dê validade ao novo mandato que o Parlamento lhe confiou apesar de ele ser ainda o chefe das forças armadas.
Ou seja, mais uma vez os Estados Unidos — que continuam a arvorar-se em senhores do mundo — tentam cozinhar uma democracia e mais uma vez o resultado é o fortalecimento de uma ditadura.

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:: enviado por JAM :: 11/07/2007 12:02:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, setembro 20, 2007

Afinal queremos ou não queremos o nuclear no “Middle West”?

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) adoptou hoje uma resolução visando o estabelecimento de uma zona desnuclearizada no Médio Oriente. Israel e os Estados Unidos votaram contra. A União Europeia absteve-se.

Depois das polémicas declarações do ex-french doctor, não seria agora de agarrar, com unhas e dentes, a oportunidade de poder varrer definitivamente as armas nucleares da região? Não, a União Europeia absteve-se. Afinal em que é que ficamos?

Ler também: Does Anti-Nuke Mean Anti-Israel?

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:: enviado por JAM :: 9/20/2007 08:26:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, julho 31, 2007

Relações internacionais sem vergonha

As relações internacionais são cada vez mais impúdicas. O último exemplo de que temos notícia diz respeito à venda em massa de armas da mais recente tecnologia a Israel e a seis países sunitas do Golfo Pérsico, especialmente a Arábia Saudita. Todos eles, países com um historial de violações dos direitos humanos interminável.
Os vendedores, como não podia deixar de ser, são os Estados Unidos ou, melhor dizendo, as todo-poderosas empresas de armamento que apoiam, entre outros, George Bush. Segundo a porta-voz do Departamento de Defesa, Rebecca Goodrich Hinton, o presidente enviará esta semana ao Congresso uma iniciativa para aprovar a venda de bombas guiadas por satélite, aviões caças-bombardeiros e navios de guerra novinhos em folha, tudo isso num período de dez anos. O plano contempla, para além disso, outros “financiamentos” não detalhados. O objectivo é duplo: por um lado, garantir a Israel que manterá sempre uma “vantagem qualitativa” sobre os países árabes (quer dizer, reforçará a sua superioridade militar na zona) e, por outro lado, enviar um sinal inequívoco ao Irão (dissuadi-lo do seu poder militar) e garantir que a ocupação americana do Iraque continue a contar com o apoio dos governos sunitas em questão (o New York Times, por exemplo, publicava na semana passada que metade dos 60 a 80 combatentes que se infiltram mensalmente no Iraque o fazem através da fronteira com a Arábia Saudita). Bush superou todas as reticências israelitas acerca do rearmamento desses países do Golfo, oferendo mais (e melhores) armas que nunca ao Executivo de Telavive.
Mas, logicamente, esses sinais têm, para além disso, outros destinatários. Aviso à navegação, como se costuma dizer. E muito claro. Washington (e as empresas privadas de armamento) continua a lembrar aos palestinianos (e aos árabes em geral) que a sua “tutelagem” sobre a zona será sempre em benefício de Israel e que qualquer possibilidade de acordo passará sempre por manter o Estado israelita muito mais forte que os restantes países da zona.
Já imaginaram o que seria se todo esse dinheiro fosse melhor investido? Que aconteceria, por exemplo, com os oito milhões de iraquianos que necessitam de ajuda humanitária de emergência, de acordo com o enésimo e devastador relatório sobre o Iraque? Nessas questões, a União Europeia continua muito distraída e nem sequer uma mudança de governo em Washington será garantia de coisa nenhuma.

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:: enviado por JAM :: 7/31/2007 11:10:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

sábado, junho 16, 2007

O enviado da ONU acusa Washington

O diplomata peruano Álvaro de Soto, enviado especial do secretário geral das Nações Unidas para o Médio Oriente traçou, num relatório confidencial de fim de missão datado de 5 de Maio e revelado em 13 de Junho pelo The Guardian, uma constatação dramática e sem ilusões sobre o conflito israelo-palestiniano.
De tal modo que esse diplomata internacional que, durante 25 anos, empregou esforços para encontrar soluções para os mais variados conflitos do planeta (El Salvador, Chipre, Sahara Ocidental), se pergunta neste caso se vale a pena substitui-lo no seu posto (o que entretanto já foi feito, na pessoa do britânico Michaël Williams) e continuar com o Quarteto. Em todo o caso, “o papel das Nações Unidas deverá ser seriamente revisto”, salienta ele no relatório de 52 páginas.
Álvaro de Soto foi demitido depois de ter criticado os Estados Unidos (por terem boicotado o extinto governo de unidade palestiniano), Israel (pelas condições inaceitáveis que impôs ao Hamas) e o Hamas (por usar a violência).
O diplomata da ONU argumenta que a Administração Bush fez pressão para que o Hamas e o Fatah se enfrentassem: “fomos informados de que os Estados Unidos estavam contra qualquer tentativa para eliminar a linha divisória que separa o Hamas das forças palestinianas comprometidas com uma solução baseada na criação de dois Estados”. Para Soto, as consequências do boicote económico internacional foram gravíssimas para a economia palestiniana e alimentaram o radicalismo, ao mesmo tempo que conseguiram desviar a atenção internacional da construção de novos colonatos israelitas na Cisjordânia e do muro de separação. Álvaro de Soto denuncia, em conclusão, que o Quarteto foi perdendo gradualmente a sua imparcialidade graças às pressões da Administração Bush.

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:: enviado por JAM :: 6/16/2007 11:24:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, junho 15, 2007

Um território, três Estados

Os combatentes do Hamas entraram esta manhã no complexo presidencial de Gaza e aí celebraram a oração das sextas-feiras. Não podiam ter encontrado melhor símbolo para assinalarem o nascimento de um novo Estado islâmico. Em Ramallah, o presidente Mahmud Abbas decidiu demitir o governo de unidade nacional, penosamente constituído há poucas semanas. Consagrou assim a divisão dos territórios palestinianos em duas entidades distintas, de tal modo que é muito difícil afirmar hoje se num futuro próximo elas serão capazes de se reunificar.
A reacção da chamada “comunidade internacional”, representada pelo Quarteto — Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia — não achou nada mais original do que dar o seu apoio ao presidente daquilo que só por troça se pode continuar a chamar a Autoridade Palestiniana. Os membros do Quarteto apelaram designadamente “a que fosse permitido o acesso da ajuda humanitária, o mais rapidamente possível, a todos os que dela necessitam”, como se não fossem eles mesmos os responsáveis pela situação criada.
As sanções económicas que foram decididas por esse mesmo Quarteto, com o acordo da nossa querida União Europeia, tinham por objectivo, se bem se lembram, obrigar o Hamas a reconhecer Israel ou, caso eles a isso não se resignassem, correr com eles do poder. O resultado está à vista e foi exactamente o oposto.
Ainda há poucos meses o presidente dos Estados Unidos se pronunciava pela existência de dois Estados, um israelita, outro palestiniano, determinados a viver em paz lado a lado. Só podia estar a gozar com os esforços despendidos pelos seus antecessores, sobretudo Bill Clinton, para repor a paz no Médio-Oriente. Hoje, deve estar a esfregar as mãos de contente pelo sucesso da sua estratégia: agora tem diante de si não dois mas três Estados.
Agora vêm com palermices destas dizer que querem reforçar o governo “legal e legítimo” de Abbas, como se a moderação se pagasse com rebuçados. Como se Mahmud Abbas fosse o títere de serviço. E se a “comunidade internacional” se deixasse de merdas?

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:: enviado por JAM :: 6/15/2007 08:30:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::

segunda-feira, junho 11, 2007

Seis dias e quarenta anos depois

Não foram precisos seis dias para que o exército de Israel derrotasse as tropas árabes nos campos de batalha do Sinai, da Cisjordânia e dos montes Golan. Bastaram poucas horas do amanhecer de 5 de Junho para que os caças-bombardeiros do Tsahal, voando abaixo do raio de acção dos radares, destruíssem 309 aviões da esquadra egípcia, dos seus 340 aparelhos, e depois atacassem os aviões jordanos, sírios e iraquianos que ainda nem sequer tinham descolado das respectivas bases, conseguindo ao segundo dia a completa destruição de 393 aviões árabes.
A “guerra”, recém começada, foi uma derrota humilhante que, durante dias, o presidente Nasser e a propaganda do Cairo tentaram ocultar. Se a guerra de 1948 constituiu o grande desastre dos palestinianos, o Nakba, esta nova guerra dos “seis dias” provocou um profundo sentimento de derrota, traumatizante para os habitantes do Egipto, da Síria, da Jordânia, a derrota dos povos árabes, que se fundiram numa depressão colectiva e numa meditação angustiada sobre as causas do grande fracasso militar.
No quarto dia da guerra, os soldados israelitas esmagaram centenas, milhares, de tanques na península do Sinai, em cujas dunas o pobre exército egípcio fugia à debandada, abandonando até as botas. A conquista das colinas do Golan foi mais encarniçada devido à resistência dos sírios entrincheirados e às baixas israelitas consideráveis. A queda da velha cidade fortificada de Jerusalém converteu-se numa grande vitória religiosa e histórica do povo judeu.
Seis dias e quarenta anos depois dessas batalhas perdidas, mais pela negligência, pela falta de coordenação e pela pouca capacidade de manobra dos altos comandos árabes — o marechal Amer, companheiro fiel de Nasser, suicidou-se após a derrota — do que pela eficiência ou a agilidade dos chefes militares israelitas, as consequências continuam muito vivas. O Egipto recuperou a península do Sinai, a Síria não conseguiu a devolução dos Golan e a Jordânia teve que renunciar às suas jóias da coroa, Jerusalém e toda a Cisjordânia, na qual a maltratada “Autoridade” Nacional Palestiniana tem tentado estabelecer uma diminuta e trociscada entidade estatal.
A paz de Israel com o Egipto e com a Jordânia é uma paz fria. A famosa resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, adoptada em 22 de Novembro de 1967, fundada no intercâmbio dos territórios ocupados, continua por aplicar. Os palestinianos continuam a combater e a exigir agonicamente as suas terras. O conflito palestiniano é, como tantas vezes se repete, o coração dos pavorosos problemas que se vão agravando e acumulando sobre os povos do Médio Oriente.
A grande maioria dos dirigentes árabes já se esqueceu de uma outra resolução que fez elaborar pouco depois daquela guerra, na cimeira de Cartum, que se vangloriava dos seus três “Nãos”: não às negociações, não ao reconhecimento, não à paz com Israel. Voltaram, depois das derrotas humilhantes, depois de meio século transcorrido, à aspiração de dividir a Palestina em dois Estados, um judeu e outro árabe. Mas mesmo este não deixa de ser um sonho difícil de realizar.
Sobre o cemitério das utopias e dos ideais mortos — como o panarabismo, o “novo homem árabe”, a “revolução palestiniana”, os projectos de modernização popular inspirados em modelos progressistas, laicos e europeus — brotaram poderosos e inquietantes movimentos surgidos da interpretação de um Islão totalitário e beligerante, atiçados por ideologias e comportamentos políticos extremistas de governantes dos Estados Unidos e doutras nações do Ocidente.
O final da guerra-fria entre os Estados Unidos e a União Soviética não apagou o fogo do Médio Oriente. O Estado de Israel continua a consolidar-se à custa da guerra, da destruição, da violência, da frustração, do empobrecimento ameaçador dos povos vizinhos, quer eles sejam palestinianos, libaneses ou iraquianos. Seis dias e quarenta anos depois de ter sido configurado o actual mapa regional, os países do Médio Oriente foram arrojados para uma vida quotidiana arrepiante. Seis dias e quarenta anos depois, já ninguém acredita que o mundo é inocente.

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:: enviado por JAM :: 6/11/2007 12:01:00 a.m. :: 1 comentário(s) início ::

terça-feira, maio 22, 2007

O que é que se passa desta vez no Líbano?

Até há poucos dias, ninguém tinha ainda ouvido falar dessa estranha organização que, sob o nome de Fatah al-Islam, está na origem dos combates sangrentos que, desde Domingo passado, sacodem o Norte do Líbano.
Pois bem: existia na Síria um grupo de palestinianos que tinha cortado relações com Yasser Arafat, em 1982, e que desde logo se pôs às ordens do governo de Damasco. As autoridades sírias serviram-se desse grupo para dar asilo e formação militar aos voluntários árabes recrutados para combater no Iraque. Mas, em finais do ano passado, num gesto de apaziguamento para com Washington, o governo de Bachar al Assad decidiu livrar-se desses islamistas vindos dos quatro cantos do mundo árabe e enviou-os para o campo de refugiados palestinianos de Nahr el-Bared onde, desde então, são eles que ditam as leis. Sobretudo porque estão fortemente armados, enquanto que os refugiados do campo foram desarmados pelas autoridades sírias, todo-poderosas nesta região do Líbano que fica a uns escassos 30 km da fronteira.
Os activistas do Fatah al-Islam foram julgados responsáveis pelo atentado que, em Fevereiro passado, fez dois mortos e vários feridos em território cristão. Quatro desses assassinos foram presos e o quinto foi morto anteontem pelo bombardeamento do campo. Mas só depois de os soldados libaneses terem caído numa emboscada, tendo vários deles sido degolados e decapitados à boa maneira da Al Qaeda.
Mais uma vez, é difícil de provar o envolvimento dos serviços secretos sírios nestes actos de violência. Eles são especialistas em apagar as pegadas. Mas, fora as condições que levaram à criação do Fatah al-Islam, não podem ignorar-se as ameaças proferidas pelo presidente al-Assad aos ouvidos do novo secretário geral da ONU, em relação ao Líbano, caso o Conselho de Segurança ponha em acção o tribunal internacional encarregado de julgar os autores do atentado contra Rafik Hariri. Ora precisamente na semana passada esse projecto avançou e muito.
A Síria nunca reconheceu a criação do Líbano, em 1943, e recusa a troca de embaixadas e o traçado definitivo das fronteiras entre os dois países. Se são de facto eles que estão por trás dos últimos acontecimentos, os dirigentes sírios desta vez terão ido longe demais. Mesmo os seus aliados habituais — o Hezbollah e o general Aoun — condenaram a matança de que o exército libanês foi vítima.
Quanto aos responsáveis palestinianos... estão desesperados, porque os refugiados do campo de Nahr el-Bared são literalmente feitos reféns pelos islamistas.

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:: enviado por JAM :: 5/22/2007 11:38:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, março 29, 2007

A bem do petróleo

Para a esmagadora maioria dos actores e observadores da cena política médio-oriental, a captura dos fuzileiros britânicos não é, de modo nenhum, um acto isolado. Pelo contrário, era previsível que, face à inquietante proximidade da marinha de guerra americana, o Irão tentasse utilizar qualquer pretexto para retocar a relação de forças que evolui em crescendo, num cenário que tem a Guerra do Iraque como pano de fundo.
Há alguns meses que os americanos levam a cabo um exercício militar de grande envergadura, a escassas braças do litoral iraniano do Golfo Persa. Uma manobra que mobiliza dois porta-aviões e uma dezena de navios arvorando as cores americanas. Se pensarmos que, comparativamente ao Atlântico ou até mesmo ao Mediterrâneo, a superfície do Golfo é do tamanho de um lenço de assoar, imagina-se facilmente a que ponto a presença desses mastodontes marinhos deve estar a aguçar o nervosismo dos iranianos.
Quais serão as cenas dos próximos capítulos? Será muito surpreendente se as coisas evoluírem para um apaziguamento a curto prazo. Tanto menos que os irmãos inimigos dos iranianos — os sunitas — participam actualmente numa cimeira organizada pela Arábia Saudita. E isso traz-nos à memória que este país, juntamente com outros — entre os quais o Egipto — se tem mostrado bastante inquieto perante a perspectiva da ascensão do Irão xiita.
Só que, enquanto esperamos pelos próximos episódios, o preço do petróleo aumenta, aumenta, aumenta...
E isso... para grande satisfação do Irão.

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:: enviado por JAM :: 3/29/2007 12:04:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, março 27, 2007

Irão estica a corda

"O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, advertiu hoje o Irão, relativamente aos 15 marinheiros britânicos detidos em Teerão, de que o processo entrará numa «nova fase» caso fracassem os esforços diplomáticos para a sua libertação."

Todos sabemos o que este tipo de "coisas" pode originar. Depois do Iraque só o que faltava era uma guerra com o Irão...

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:: enviado por RC :: 3/27/2007 10:35:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, março 20, 2007

Mais uma vez « não »

Como era de esperar, a resposta foi “não”. Mais um “não”, sem apelo nem agravo. E a razão desse novo “não” foi porque “infelizmente, o programa deste governo não inclui, nem explicita nem implicitamente, os três princípios internacionais do reconhecimento de Israel, da aceitação dos acordos passados e da renúncia ao terrorismo.
O programa do novo governo de unidade confirma que “a resistência é um direito legítimo do povo palestiniano” e que “a sua suspensão depende do fim da ocupação e da obtenção da liberdade, do direito ao regresso (dos refugiados) e da independência”. Se considerarmos que os actos terroristas do Hamas podem ser assimilados a actos de resistência, torna-se claro que os propósitos do novo governo de unidade significam, pelo menos implicitamente, a renúncia do terrorismo. Aí cai por terra a primeira razão deste “não” de Israel.
Ao mesmo tempo, o governo de unidade declara-se disposto a “trabalhar, não só para manter a trégua, mas também a alargá-la para que ela possa vir a ser completa, mútua e sincronizada, em troca do empenho de Israel em pôr fim às suas medidas de ocupação”. Em relação aos acordos passados, o programa garante que “o governo trabalhará, juntamente com a comunidade internacional, para pôr fim à ocupação e a restabelecer os direitos legítimos do povo palestiniano”. E não diz — contrariamente ao discurso do Hamas — que é preciso destruir Israel e criar um Estado palestiniano dentro das fronteiras do tempo do mandato britânico. Quando diz querer “trabalhar com a comunidade internacional para pôr fim à ocupação”, é à ocupação dos territórios ocupados após 1967 que deseja pôr fim e não à existência do Estado de Israel.
Ou seja, se o reconhecimento de Israel não é explícito, é claramente implícito, sobretudo se lhe juntarmos a vontade do novo governo palestiniano de “respeitar as resoluções internacionais e os acordos firmados pela OLP”. Há pois uma dupla ruptura com a posição tradicional dos islamistas, uma vez que tanto as resoluções internacionais como os acordos assinados pela OLP — assinados com Israel — reconhecem evidentemente o Estado de Israel.
Mas Israel mais uma vez diz “não”. À semelhança deste nosso patrício que acha que “se os árabes baixarem as armas, acaba-se a guerra. Se Israel baixar as armas, acaba-se Israel”.
Porque será?

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:: enviado por JAM :: 3/20/2007 11:40:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::