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sexta-feira, setembro 19, 2008

É fartar vilanagem...

Já viram esta? Mas, pergunta-se, que justiça é esta?
Se der a "palmada" em 50 euros e for apanhado estou tramado. Estes preparam-se para uma medalha no 25 de Abril ou uma comenda no 10 de Junho!

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:: enviado por touaki :: 9/19/2008 08:58:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Crónica de uma morte anunciada


© Desenho de Bandeira - Diário de Notícias

De nada valeu o enorme aparato de segurança, perante a teimosia dos que pretendiam fazer-lhe pagar com a vida o regresso ao seu país, após anos de exílio. No próprio dia em que regressou, há dois meses, recebeu-a uma dupla explosão que custou a vida a 130 pessoas e da qual saiu milagrosamente ilesa. Ontem porém, a figura mais notável do Paquistão foi assassinada com dois tiros, por um desconhecido que posteriormente se fez explodir, matando assim mais dezasseis pessoas e mergulhando o Paquistão na que será certamente a sua mais grave crise depois da criação do país, em 1947.
Membro de uma dinastia tão célebre como trágica, Benazir Bhutto foi, entre 1988 e 1990, a primeira governante muçulmana eleita no mundo, tendo voltado a repetir a proeza entre 1993 e 1996. O seu pai, Zulfikar Alí Bhutto, governou nos anos 70, foi deposto por um golpe militar e executado em 1979. Benazir passou cinco anos em prisão domiciliária e fugiu do país, onde voltou em 1986 para ser eleita primeira-ministra. Acusada de corrupção, juntamente com o marido, nas duas ocasiões em que governou, voltou a exilar-se em 1999. Os irmãos, Shanawaz e Murtaza, foram assassinados em 1985 e 1996. Educada em Harvard e Oxford, jovem e bonita, quando chegou pela primeira vez ao poder era vista como uma figura refrescante e democrática. Com os escândalos de corrupção — que nunca foram provados e que ela sempre alegou tratarem-se de acusações políticas — caiu em desgraça e tornou-se num símbolo mais controverso.
O seu regresso em Outubro voltou a armar polémica, quando as acusações de corrupção foram levantadas por ordem de Pervez Musharraf, como base de num arranjo para partilhar o poder com ele, que vive há anos sobre a corda bamba de uma aliança com os Estados Unidos. Os mesmos Estados Unidos que pretendiam agora utilizar Benazir Bhutto como peça de substituição perante a intolerável impopularidade de Musharraf e de contenção face a uma militância islâmica radical, cada vez mais agressiva y poderosa.
Agora, o Paquistão vai continuar a desfazer-se num caminho sem retorno, constituindo mais uma das frentes da “guerra contra o terrorismo” de Washington, que, em vez de combater a instabilidade, parece mais predestinada a alimentá-la.

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:: enviado por JAM :: 12/28/2007 11:42:00 a.m. :: 1 comentário(s) início ::

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Fogo!

Um incêndio deflagrou ontem no Eisenhower Executive Office Building que alberga, entre outros, escritórios do vice-presidente Dick Cheney. O porta-voz da Casa Branca jurou que se tratou de um curto-circuito.
Mas, pelos tempos que correm, faz todo o sentido colocarmos a questão se não restariam ainda provas do Waterboarding a queimar...

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:: enviado por JAM :: 12/20/2007 10:51:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Choque de civilizações?

É isto o choque de civilizações? Ontem, em Argel, um duplo atentado fez mais de meia centena de mortos. Na maior parte, muçulmanos. Árabes, na sua enorme maioria. Uma organização argelina — islamista e fanática — composta por argelinos, que não hesitou em semear a morte contra o seu próprio povo, atacando essa gente toda, só porque eles estavam lá e apenas por isso. E para quê? Por que raio, num país muçulmano?
Não foi certamente por essa ideia demente de uma guerra santa capaz de pôr a América de joelhos. Terá sido pela ambição de virem a constituir, para além das fronteiras nacionais, uma única nação muçulmana suficientemente forte para poder rivalizar com o Ocidente e a Ásia? Mas como?
Será que essa gente não percebe que esse islamismo é inimigo dos muçulmanos? Que, quanto mais atacarem os regimes locais, mais eles se viram para o autoritarismo, em detrimento da democracia e do pluralismo político?

Por outro lado, os atentados de ontem põem mais uma vez em evidência a inutilidade da chamada “guerra contra o terrorismo”, lançada por George Bush há mais de seis anos. Uma cruzada que já é mais longa do que a Segunda Guerra Mundial. É claro que não é a mesma coisa acabar com um regime como o da Alemanha nazi, que contava com uma economia e uma indústria de armamento desenvolvida, e perseguir pelo mundo um grupo de fanáticos dispersos e na clandestinidade. Os Estados Unidos, não só não conseguiram acabar com a Al Qaeda, mas contribuiram para que ela continue a crescer e a ramificar-se por variadíssimas regiões do Médio Oriente e da África, como demonstraram as explosões de ontem na Argélia.
O mundo não está mais seguro hoje, nem está mais a salvo do terrorismo que antes de 2001. Pelo contrário, o fenómeno tem-se multiplicado e levado a destruição e a morte a países que, antes de se aliarem com Bush na sua ilegal e injustificada guerra, permaneciam imunes ao ímpeto do fundamentalismo islâmico. É difícil de imaginar tamanha falta de capacidade política, diplomática, militar e tecnológica, por parte da maior potência do planeta.
A proliferação de atentados, como os de ontem, demonstra, de maneira contundente, que a “guerra contra o terrorismo” de Bush, das duas uma: ou é um fracasso colossal, ou então é um pretexto para projectar os interesses geoestratégicos e corporativos da máfia político-empresarial à qual serve, e de que faz parte, o presidente dos Estados Unidos.

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:: enviado por JAM :: 12/12/2007 11:35:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, novembro 30, 2007

No exército americano também há suicidas

George W. Bush costuma dizer que só os terroristas se suicidam; que os terroristas suicidas “não são como os nossos; não dão valor à vida como nós damos”. Santa ironia, santa ignorância.
Uma investigação da CBS News revela que, em 2005, se suicidaram 6.256 efectivos que haviam participado nas guerras do Iraque e do Afeganistão. Uma média de 120 por semana, sete em cada dia. E isso num só ano: quase o dobro dos que caíram em mais de quatro anos de conflito.
A investigação da CBS News durou cinco meses. Reuniu informações de várias fontes oficiais, consultou especialistas e comparou as taxas de suicídios dos ex-combatentes com as do resto da população. Padeciam do chamado stress pós-traumático, uma generalidade que pode englobar muitas coisas: horrores do combate, crimes cometidos ou vistos cometer, desilusões da “liberdade e democracia” que era suposto levarem a esses países, angústias, pesadelos, remorsos, ...
Um outro estudo, publicado pela Reuters revela que mais de 25 por cento dos efectivos em actividade e 50 por cento dos reservistas, que regressaram a casa, apresentam sintomas de perturbações mentais.

Penny Coleman, viúva de um veterano do Vietname, escreveu um artigo difundido nesta 2ª Feira pelo Independent Media Institute — um organismo que apoia o jornalismo independente — “Há algo de superioridade, tão arrogante, na maneira como falamos nos atacantes suicidas e nas culturas que os produzem. E assoma um sentimento inquietante: Em 2005, 6.256 veteranos americanos puseram fim à vida. Nesse mesmo ano, houve cerca de 130 mortes documentadas de atacantes suicidas no Iraque. Façam as contas. A proporção é de 50 para 1. Quem são então os mais eficazes na criação de uma cultura do suicídio e do martírio? Se George Bush tem razão quando diz que é o desespero, o desleixo e a pobreza, que impele essa gente a cometer tais actos, não são os americanos quem mais se pode gabar de um melhor desempenho nessa matéria?”.
E neste caso, não são fiéis do Islão nem árabes, que W. tanto despreza, mas sim — à excepção dos psicopatas que sempre existem — pessoas que se alistaram por pobreza ou à procura de oportunidades de carreira... e não porque queriam matar civis.

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:: enviado por JAM :: 11/30/2007 12:49:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, setembro 24, 2007

Bush: “Mato Mandelas todos os dias no Iraque!”

É o que a consciência do presidente americano teria respondido ao jornalista que o interrogou sobre a ausência de um Mandela milagroso no Iraque. Mas, da boca de Bush saiu o contrário: disse que o culpado foi Saddam Hussein. Que foi ele quem eliminou todos os Mandelas iraquianos!
Ficamos siderados perante tanta pobreza de espírito, tanta má fé e tanto cinismo. O presidente da mais poderosa nação do mundo, figura de destaque de todos os jornais escritos, falados e televisivos do planeta, continua, com a insolência tosca que todos lhe conhecemos, a defender a ocupação de um país, onde mata directamente (os seus soldados) e indirectamente (ao atiçar os ódios étnico-religiosos) seres humanos pacíficos. Muitos desses seres humanos teriam aliás sido — cruel paradoxo — poupados precisamente por... Saddam Hussein.
Veja o vídeo na íntegra e... julgue por si mesmo(a). Como escreve o conceituado Dana Milbank, no Washington Post, os Mandelas iraquianos devem estar a rebolar-se nas respectivas tumbas.

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:: enviado por JAM :: 9/24/2007 08:30:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::

terça-feira, setembro 11, 2007

Mas que las hay, las hay

A propósito das teorias da conspiração sobre o 11-S, que invariavelmente ressurgem todos os anos por esta altura, Robert Fisk colocava, há dias, as seguintes questões: como pode alguém acreditar que o governo da parelha Bush-Cheney tivesse sido capaz de organizar um conluio para executar os atentados do 11-S? Essa parelha, que não tem feito mais nada senão arruinar tudo e que está farta de meter a pata na poça, como pode alguém pensar, insiste Fisk, que tivesse podido organizar os crimes contra a humanidade perpetrados nos EU no dia 11 de Setembro de 2001?
Mas, quem foi que disse que eles têm arruinado tudo? A agenda da Administração Bush-Cheney procurava, entre outras coisas, o contínuo desenvolvimento dos arsenais nucleares americanos, a destruição da Convenção de Genebra em matéria de tortura, a limitação severa dos direitos cívicos e das liberdades fundamentais nos Estados Unidos... Quem foi que disse que eles não alcançaram esses objectivos? Além disso, o triunfo mais importante do duo Bush-Cheney é a manipulação da opinião pública americana após o 11-S. É isso que explica a reeleição de Bush, um político que interrompe as suas frases, que não sabe nada e que titubeia ante cada sílaba.
É certo que o ilustre correspondente do Independent para o Médio Oriente se refere ao desastre do Iraque. Mas, mesmo esse imbróglio nunca deixou de estar nos planos nefastos dessas personagens como forma de perpetuar a presença invasora na região. No fim de contas, a noção absurda de que “não podemos sair do Iraque, porque isso provocaria uma guerra civil”, está cimentada precisamente nesse caos e nessa desordem. Mais ainda, hoje o Irão está a ser acusado pela Casa Branca de ser o responsável pelo fiasco no Iraque. Desse modo, o desastre no Iraque serviria para justificar o ataque ao Irão num futuro não muito distante.
O erro de Fisk foi ter caído na armadilha de Bush-Cheney. Vamos por partes...

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:: enviado por JAM :: 9/11/2007 01:37:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, setembro 10, 2007

Se não podemos dar-lhes o homem, damos-lhes o vídeo

Faz agora um ano, um relatório dos serviços secretos franceses, citando os seus homólogos sauditas, anunciavam que Bin Laden teria sucumbido a uma crise de febre tifóide, no Paquistão, embora a própria Arábia Saudita tenha admitido na altura que poderia tratar-se de mera especulação. Agora, o homem cuja cabeça vale 50 milhões de dólares volta a aparecer, na sua indumentária habitual, com a barba bem cuidada, na boa tradição árabe, e aparentando uma saúde razoável apesar das olheiras. Nesta reaparição, que pretende marcar mais um aniversário do 11-S, Ben Laden denuncia Bush e Blair e evoca – para mostrar até que ponto a gravação é actual – o novo presidente francês Sarkozy e o novo primeiro-ministro britânico Gordon Brown.

Lembra o semanário Newsweek que as forças americanas no Afeganistão estiveram tão perto de descobrir Bin Laden no Inverno de 2004-2005 que os seus partidários estiveram quase a abatê-lo só para evitar que ele fosse capturado. O mesmo número da revista acrescenta que os intensos esforços de Washington para o encontrar não produziram resultado em seis anos: “Não houve nenhum indício sério sobre Osama Bin Laden desde 2002”, são palavras de Bruce Reidel, um agente da CIA na reforma.
Vincent Marissal extrai desta análise o falhanço da captura de Bin Laden: a Newsweek narra a reacção de George Bush, em 2005, quando os dirigentes da CIA lhe deram conta dos fracos progressos alcançados na caça a Bin Laden no Afeganistão e no Paquistão. “Mas vocês não dispõem de mais recursos no terreno?”, espantou-se Bush. “Não, senhor presidente, o Iraque está a consumir-nos quase todos os recursos”, terão respondido os esbirros da CIA. Os Americanos, depois de terem carregado em força sobre o Afeganistão, desviaram-se dele, como uma criança que deita fora um brinquedo cujas pilhas se descarregaram, e voltaram-se para o Iraque. E agora, é o pequeno Canadá quem vai ter que conseguir o milagre em pouco tempo? Missão impossível”.

O vídeo legendado em inglês:

O vídeo legendado em francês:

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:: enviado por JAM :: 9/10/2007 10:28:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::

quinta-feira, agosto 30, 2007

A guerra dos sargentos

Sete sargentos do exército americano publicaram, em 19 de Agosto, um artigo colectivo no New York Times, significativamente intitulado “A guerra tal como nós a vimos”.
Não se trata pois de mais um dos muitos textos vindos a público pela mão de altos comandos militares ou políticos com especial responsabilidade e que, uma vez reformados, resolvem criticar Bush e a estratégia por ele seguida no Iraque ou no Afeganistão. Também não se trata de mais um escrito de soldados ou de seus familiares queixando-se das condições em que as tropas operam.
É um artigo que tem um valor especial porque foi escrito por um grupo de sub-oficiais, militares que estão ao mesmo tempo em contacto com a tropa dos escalões inferiores da hierarquia — os soldados na frente de combate — e com as altas patentes e os núcleos de decisão que planeiam as operações. Por isso, as opiniões de um sargento são indispensáveis se se deseja conhecer a realidade militar do momento. É tanta a proximidade com que os autores do artigo estavam a viver a guerra que um deles, ainda o artigo não estava acabado, recebeu um tiro na cabeça no decurso de uma missão e teve que ser evacuado para um hospital nos Estados Unidos. Não são portanto testemunhos longínquos emanados da “zona verde” de Bagdade ou de um qualquer gabinete de quartel-general.
George Bush não aprendeu a mínima lição dos já tradicionais erros políticos do seu país. Basta dizer que foram os Estados Unidos que armaram os que entretanto formaram a Al Qaeda, quando o que estava em causa era expulsar a URSS do Afeganistão. Escrevem agora os signatários que “criar aliados que combatam a nosso favor é essencial para ganhar a guerra, mas era preciso que esses aliados fossem fiéis àqueles que os armam e organizam”. Não é isso que acontece. As chefias do exército iraquiano não têm nenhuma influência sobre os milhares de soldados que teoricamente estão sob o seu comando. O que se passa é que os sunitas, escassamente representados no governo e nas unidades militares, organizam as suas próprias milícias, ás vezes com o apoio dos Estados Unidos, porque acham que é a única maneira de se protegerem contra as milícias xiitas ou face a um governo e uma polícia onde os xiitas estão em maioria e se servem dela para consumar as suas vinganças.
Em suma, os Estados Unidos lutam “num alucinante contexto de inimigos muito decididos e de aliados pouco fiáveis”. Nessas circunstâncias, é evidente que a desejável reconciliação política só poderá produzir-se na contextura iraquiana e não de acordo com as exigências de Washington: “Não haverá soluções que agradem da mesma maneira a todas as partes e haverá forçosamente vencedores e vencidos. A saída que nos resta é decidirmos de que lado estamos. Tentarmos agradar a todas as partes do conflito, como agora fazemos, só garantirá que, ao fim de contas, seremos odiados por todos”.

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:: enviado por JAM :: 8/30/2007 09:58:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

terça-feira, julho 31, 2007

Relações internacionais sem vergonha

As relações internacionais são cada vez mais impúdicas. O último exemplo de que temos notícia diz respeito à venda em massa de armas da mais recente tecnologia a Israel e a seis países sunitas do Golfo Pérsico, especialmente a Arábia Saudita. Todos eles, países com um historial de violações dos direitos humanos interminável.
Os vendedores, como não podia deixar de ser, são os Estados Unidos ou, melhor dizendo, as todo-poderosas empresas de armamento que apoiam, entre outros, George Bush. Segundo a porta-voz do Departamento de Defesa, Rebecca Goodrich Hinton, o presidente enviará esta semana ao Congresso uma iniciativa para aprovar a venda de bombas guiadas por satélite, aviões caças-bombardeiros e navios de guerra novinhos em folha, tudo isso num período de dez anos. O plano contempla, para além disso, outros “financiamentos” não detalhados. O objectivo é duplo: por um lado, garantir a Israel que manterá sempre uma “vantagem qualitativa” sobre os países árabes (quer dizer, reforçará a sua superioridade militar na zona) e, por outro lado, enviar um sinal inequívoco ao Irão (dissuadi-lo do seu poder militar) e garantir que a ocupação americana do Iraque continue a contar com o apoio dos governos sunitas em questão (o New York Times, por exemplo, publicava na semana passada que metade dos 60 a 80 combatentes que se infiltram mensalmente no Iraque o fazem através da fronteira com a Arábia Saudita). Bush superou todas as reticências israelitas acerca do rearmamento desses países do Golfo, oferendo mais (e melhores) armas que nunca ao Executivo de Telavive.
Mas, logicamente, esses sinais têm, para além disso, outros destinatários. Aviso à navegação, como se costuma dizer. E muito claro. Washington (e as empresas privadas de armamento) continua a lembrar aos palestinianos (e aos árabes em geral) que a sua “tutelagem” sobre a zona será sempre em benefício de Israel e que qualquer possibilidade de acordo passará sempre por manter o Estado israelita muito mais forte que os restantes países da zona.
Já imaginaram o que seria se todo esse dinheiro fosse melhor investido? Que aconteceria, por exemplo, com os oito milhões de iraquianos que necessitam de ajuda humanitária de emergência, de acordo com o enésimo e devastador relatório sobre o Iraque? Nessas questões, a União Europeia continua muito distraída e nem sequer uma mudança de governo em Washington será garantia de coisa nenhuma.

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:: enviado por JAM :: 7/31/2007 11:10:00 a.m. :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, julho 13, 2007

O fantasma do Vietname

O fantasma do Vietname está a assombrar tanto a Administração Bush-filho como a guarda pretoriana de Bush-pai. Os últimos dados recolhidos pelo Congressional Research Service, instrumento independente dos partidos, que serve de apoio ao parlamento, indicam que o custo das guerras no Iraque e no Afeganistão está já muito próximo do da guerra no Vietname: à volta dos 650.000 milhões de dólares, considerada a inflação no caso do Vietname. E tratam-se apenas de valores que constam das contas do Congresso. Há ainda outras quantias e outros gastos que foram registados noutras contas. Também não estão incluídos os gastos desembolsados pelos aliados de Washington nas duas contendas. São valores que reflectem claramente a magnitude da invasão e da posterior ocupação de ambos os países. Ao longo destes seis anos posteriores aos atentados do 11-S, outros dados se sucederam sobre o número de mortos e feridos, de refugiados e deslocados, de perdas de direitos humanos, do modo como foi arruinado todo um modelo social e económico e como foi esgrimida a mentira para justificar o injustificável.
Por esta via, nas comemorações do 4 de Julho, Bush chegou mesmo a comparar a guerra no Iraque com a independência dos Estados Unidos, premindo a mesma tecla de sempre — “apoiar a guerra é um acto patriótico” — como forma de abafar a crescente resistência às suas políticas. O problema para o presidente — entre muitos — é que a realidade começa a desmentir de forma notória a retórica oficial. Como nos recordava há dias David Brooks, o sistema de justiça está contaminado pela influência política partidarista, foi legalizada a tortura e a espionagem sem autorização judicial, foram suspensos os habeas corpus, existe um campo de concentração em Guantanamo, a corrupção oficial alcança níveis sem precedentes e as desigualdades económicas atingem índices que datam de 1928. Porém, a “guerra contra o terrorismo” continua a ser usada como justificação para isso tudo.
Perante este imbróglio, a única pergunta que continua sem resposta é esta: o que é que irão fazer os republicanos e/ou os democratas para sair do Iraque?

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:: enviado por JAM :: 7/13/2007 03:22:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

segunda-feira, julho 02, 2007

False Flags

Não acredito em bruxas, mas que as há, lá isso há!
É aquela velha máxima símbolo da existência de um poder oculto que a todos (ou quase) se sobrepõe. Esta questão dos atentados deixa imenso a desejar. Pelo caminho que as coisas estão a tomar (redução de direitos, liberdades e garantias dos cidadãos) parece mais ser uma campanha orquestrada “inside” que “outside”. Não acredito (isso sim) que se não existisse o 11 de Setembro os direitos dos cidadãos americanos pudessem sem postos em causa da maneira como foram com o “patriot act”. Londres pós 11/9 e 07/07 tornou-se a cidade mais vigiada do mundo (mais de 4 milhões, leram bem 4 milhões) de câmaras de vídeo vigilância em tudo o que é lugar público. Lá se vai o direito à privacidade (juntamente com outras medidas).
Muito se poderia apontar. Mas da mesma forma como o 11 de Setembro está cheio de falhas e incongruências, o 7 de Julho de Londres também as tem em boa dose, e quiçá o 11 de Março de Madrid também não estará isento (se Rajoy tivesse defendido que o ataque era da Al-quaeda talvez não tivesse perdido as eleições). O que agora aconteceu em Inglaterra parece-me mais uma vez uma peça bastante mal ensaiada. Aconteceram tantos azares juntos aos “terroristas”? Esses azares em simultaneo desafiam as probabilidades. Além disso apenas sabemos o que nos dizem. Não há até ao momento outra comprovação.
O ocidente tem uma pressa demasiado grande a atribuir a extremistas islâmicos eventuais atentados. Mas os islâmicos nunca nos vieram cá buscar nada, nunca invadiram a Europa (excepção ao séc. VIII), nunca a pilharam neste milénio que passou, bem pelo contrário foram quase sempre tolerantes para quem esteve sob o seu domínio.
Já agora e só para lembrar: em temos militares os Estados Unidos são especialistas em “False Flags”! Os exemplos são por demais....
Em rodapé: Georges W. Bush diz que ficou muito satisfeito com a reacção do sr. Brown! Mas o que é que o sr. Brown fez para além de elevar o nível de alerta? Parece que os pseudo-atentados cumpriram o seu objectivo político.

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:: enviado por touaki :: 7/02/2007 05:35:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

Very unlikely

Uma inventona, fm? Possível mas, como diriam os ingleses, “very unlikely”.
Pelo que li e ouvi da imprensa inglesa - com base, sobretudo, em testemunhas oculares - estas tentativas não foram assim tão amadoras quanto isso. O carro foi estacionado à porta de uma discoteca com capacidade para 1700 pessoas e fabricado para explodir com alguma intensidade. Um tipo, com uns copos a mais, sentiu-se mal e a discoteca chamou uma ambulância. Quando estavam a sair repararam que o carro estava cheio de fumo e chamaram a policia.
Como nos países ocidentais não é assim tão simples como isso de obter explosivos, esta gente escolhe produtos de consumo corrente que podem ser explosivos. No caso, garrafas de gás e bidões de gasolina. Para garantirem a ignição, abriram as garrafas de gás no intuito de saturar o ar dentro do carro. Havendo uma diferença de temperatura entre o interior e o exterior, o gás condensou-se e provocou vapor. Foi esse o fumo que o pessoal da ambulância viu. Dentro do carro havia dois telemóveis para servirem de detonador à distância. Por uma razão qualquer, os detonadores não funcionaram. Acontece. - Agora é o ex-aspirante Ramos do SMO a falar: ao contrário do que se pensa, não é (felizmente) assim tão simples fabricar uma bomba. Há que ter alguns conhecimentos técnicos, nomeadamente de detonadores, sob pena que a bomba nos rebente nas ventas ou não funcione. Os esquemas da Internet não chegam. Há que ter alguma formação prática - o polícia que desactivou os detonadores é da brigada de minas e armadilhas e só o fez manualmente porque o robot que utilizam normalmente não tinha visibilidade no interior do carro.
Do segundo carro não há imagens porque foi estacionado numa paragem de autocarro a cerca de 200 metros do primeiro. Como estava mal estacionado, foi rebocado pela polícia par um parque da zona. Só de manhã os empregados do parque estranharam o cheiro e chamaram a policia. Tinha os mesmos ingredientes que o primeiro e o mesmo problema de detonador.
No aeroporto de Glasgow, todas as testemunhas afirmam que a tentativa foi de entrar no hall do aeroporto com o carro. Por sorte, ficou entalado na estrutura das portas. O condutor fez tudo para o fazer explodir e foi impedido, a murro, por um polícia.
Concordo que haverá quem sonhe com estas coisas para poder impor regimes mais ou menos autoritários. Mais uma consequência trágica do terrorismo. Não só nos matam como ainda criam condições para que aceitemos ser controlados nos actos mais ínfimos da nossa vida. Todavia, as opções não são brilhantes: ou somos indiferentes ao número de mortos que causam ou aceitamos que nos vigiem o tempo todo. Em democracia, teremos que encontrar um compromisso. Para isso existem Parlamentos, Comissões de protecção de dados, Tribunais, imprensa.

Há muito a criticar nas democracias ocidentais. Apesar de tudo, prefiro viver aqui do que noutras alternativas.

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:: enviado por U18 Team :: 7/02/2007 01:27:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

domingo, julho 01, 2007

Atentados, Intentonas e Inventonas

As últimas semanas, e particularmente a passada, foram pródigas em novidades neste campo.
Falava-se em parangonas na comunicação social que várias cidades europeias estariam na eminência de sofrer um atentado terrorista.
Eis senão quando a comunidade europeia é "surpreendida" por uma tentativa de atentado, abortada a tempo em Londres, com dois carros armadilhados. Os terroristas faziam a vontade aos meios de comunicação e faziam "cumprir" a profecia.
Mas é muito estranho... Deveras muito estranha esta tentativa terrorista. Nem o amador mais amador cometeria erros primários.
Senão veja-se: o carro foi conduzido pelo presumivel terrorista até ao centro de Londres sem qualquer problema ou incidente. Aí chegado desata a bater em tudo quanto era caixote de lixo; estaciona em local óbvio para levantar suspeitas; depois tem a carga letal posta a descoberto (viram-se fotos). Bem um "terrorista" a ser despedido por incompetência.
E nem faltou o polícia "super-herói" para desarmadilhar a bomba na hora!!!
Bem, só faltava por uma bandeirinha a dizer que estava ali a bomba!
Mesmo o IRA não cometia erros tão primários. Do 2º carro não se viu nada!!!
Repare-se que no Iraque não encontram carros armadilhados com facilidade.
Mas há umas coincidências interessantes. O tal "atentado" ocorre a 29 de Junho, um dia depois de Gordon Brown ter tomado posse. São conhecidas as divergências entre Brown e Blair. Este acontecimento poderia ter 2 objectivos: avisar o novo primeiro ministro para não se afastar da linha de Blair ou....; o segundo, colocar o governo britânico de imediato sob "stress terrorista".
Depois surge no aeroporto de Glasgow um carro em chamas contra um dos portões. Mas que diabo de obsessão por aeroportos!!
Bem, depois começou o pânico! Falso alarme em Espanha, Portugal de prevenção, etc... Um "show" enorme em volta do acontecimento da comunicação social. É que já fazia tempo não havia uma animação destas. E é bom recordar ao povo que os terroristas (em especial da Al-qaeda ou outros extremistas islâmicos) existe.
Novos níveis de alerta e mais restrições aos cidadãos.
No mínimo é tudo muito estranho.......

Adenda: Polícia inglesa descobre e faz explodir novo carro armadilhado!
«Não há indicação que o veículo contivesse quaisquer explosivos», apontou um porta-voz policial, citado pela cadeia televisiva, dando conta que o cordão de segurança foi imposto por precaução, não adiantando, porém, quando será levantado.

Mais uma coisa estranha....

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:: enviado por touaki :: 7/01/2007 05:29:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

Se não é uma guerra, parece

Coincidente com o início de período de férias, a Grã-Bretanha está em estado de sítio com as tentativas de ataques terroristas (mais ou menos falhados) dos últimos dias.
Sei que há quem se escandalize por lhe chamar uma guerra mas se não o é, parece-se bastante.
Já não há qualquer “aviso prévio”, reivindicação ou justificação. Os ataques são programados com o único objectivo de matar o maior número possível de pessoas com um mínimo de meios.
Esta gente não quer um Mundo melhor, com menos injustiças sociais, condições de vida decentes e mais igualdade.
Esta gente quer que vivamos em estado de terror permanente para que aceitemos o que quer que seja que nos queiram impor.
Podemos tentar compreende-los da mesma maneira que se pode tentar compreender uma mente criminosa. Não se lhes pode é fazer qualquer concessão.
Seria tão perigoso quanto inútil.

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:: enviado por U18 Team :: 7/01/2007 04:02:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::

sexta-feira, junho 29, 2007

A Europa volta a baixar as calças

Esta é mais uma prova da subserviência europeia aos interesses norte-americanos, sem qualquer espécie de contrapartidas ou reciprocidade do lado de lá do Atlântico. Têm por hábito as administrações norte-americanas fazer uma série de exigências sem nada retribuir. Por exemplo, foram bastante rápidos a instar a criação do TPI, e mais rápidos ainda foram a isentar os cidadãos norte-americanos de nele sentarem o dignissimo traseiro no banco dos réus.
Imagine-se o que poderão os americas fazer com as enormes e poderosissimas bases de dados que entretanto ficarão na sua posse.
Continua é sem se compreender esta iníqua subserviência europeia face ao Tio Sam.... ou se calhar talvez não.....

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:: enviado por touaki :: 6/29/2007 07:02:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

sexta-feira, abril 20, 2007

Amok

A quase totalidade das opiniões acerca da tragédia de Virginia Tech oscila, por um lado, entre a crítica da liberalização da posse de armas nos EUA, que favorece o respectivo uso discricionário, e, por outro lado, a lógica daqueles que pensam que, se todos os estudantes da universidade andassem armados, a tragédia teria tido um alcance muito menor. No primeiro grupo encontramos, sem surpresa, Michael Moore que explica o sucedido numa simples frase: America is a violent country. Também não surpreende que a lógica da relação entre a posse de armas e os frequentes usos assassinos das mesmas seja a que mais transborda nos comentários a uma matança desta amplitude.
Contudo, a discussão não se esgota na problemática da regulação do uso e posse de armas. Acima de tudo, tratou-se da reacção assassina de um sujeito que, tomado por uma fúria insuportável, decidiu matar, num curto lapso de tempo, todos aqueles que tivesse à mão de semear. Os psiquiatras chamam a isso violência catatímica. Mais exoticamente, os malaios chamam-lhe “amok”, que significa qualquer coisa como “enlouquecer com descontrolada fúria”. O termo Amok foi popularizado no título de uma das novelas de Stefan Sweig.
De facto, não se pode dizer que o infeliz Cho Seung-Hui tenha tido uma ideia muito original: este tipo de arrebates emocionais tem vindo a aumentar nas últimas décadas em todas as sociedades. Há muito que a imprensa faz eco de mortes massivas com maior quantidade de cadáveres: os que diariamente morrem no Iraque, também eles vítimas de atentados suicidas, os genocídios no Ruanda e mais recentemente no Darfur. Mas, é claro, a barbaridade de Virginia Tech aconteceu mais perto de casa. Já Estaline — grande conhecedor — dizia que uma só morte é uma tragédia, um milhão é uma estatística. Em todo o caso, o suicida assassino da Virgínia conseguiu ultrapassar todos os recordes do género nos States, muito embora devesse saber que o Guiness Book não regista estas depravações.
Note-se que escrevi suicida assassino em lugar de assassino suicida. Este último é o que tem por objectivo prioritário matar os demais, como os homens bomba do Iraque ou da Palestina ou os fanáticos que estatelaram os aviões contra o WTC. Ao invés, a prioridade do suicida assassino é acabar com a sua própria vida. Ou porque acha que a mesma não tem sentido, ou porque odeia este mundo em que nasceu. O que acontece é que é tão estupidamente gregário que não quer ir sozinho para o outro mundo e então leva consigo outra gente que talvez encontre sentido à vida e que... não tem nada a ver com os seus problemas.
A propósito, pareceu-me — por ter vivido os acontecimentos por perto na semana passada — que também os rapazes-bomba de Casablanca são mais tipicamente suicidas-assassinos do que os assassinos-suicidas do Iraque ou até mesmo os de Argel.
Mas isso ficará para desenvolver noutra ocasião.

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:: enviado por JAM :: 4/20/2007 12:55:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::

domingo, março 25, 2007

Os mais velhos...

...ainda se lembram desta mulher.

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:: enviado por RC :: 3/25/2007 03:39:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::