sexta-feira, setembro 23, 2005
Uma política activa pode salvar vidas (2)
Depois tudo se complicou rapidamente: uma parte dos diques de protecção cedeu, a cidade foi invadida pelas águas e a ordem social desintegrou-se porque os habitantes mais pobres e desfavorecidos (os negros), não tiveram meios para fugir a tempo e foram abandonados sem comida e sem assistência.
De uma certa maneira, a catástrofe natural funcionou como um “revelador social”. Independentemente de se saber se o aquecimento do planeta tem ou não tem influência no aumento da potência e da frequência dos ciclones (essa questão tem sido sobejamente debatida), os efeitos catastróficos imediatos do Katrina ficaram a dever-se, em grande parte, a negligências humanas: as autoridades não estavam preparadas para responder às necessidades facilmente previsíveis. Mas o verdadeiro choque da desintegração da ordem social (selvajaria, pilhagens, assassínios, violações) veio mais tarde. Por uma espécie de acção diferida, a catástrofe natural repetiu-se na forma de uma catástrofe social.
Há quase um ano, muito antes portanto deste debate acalorado, escrevemos aqui que uma política activa pode salvar vidas. Demos exemplos para nos referirmos ao que pode e deve ser feito no sentido de proteger eficazmente as populações, como forma de minimizar as consequências das catástrofes naturais. Se os cubanos o sabem e podem fazer, os americanos tinham obrigação de saber fazê-lo muito melhor ainda. Por isso repetimos mais uma vez a frase final de então: Também em política, mais vale prevenir que remediar.
:: enviado por JAM :: 9/23/2005 03:52:00 da tarde ::

