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terça-feira, novembro 06, 2007

Os novos missionários

Existem causas nobres e causas célebres. Estas têm para além do mais a particularidade de estarem na moda. É o caso das comoventes preocupações com a miséria africana, sobretudo quando têm a ver directamente com as crianças.
Hoje em dia, quase não se fala de estrelas de cinema sem falar ao mesmo tempo de adopções de crianças do terceiro mundo. Brad Pitt e Angelina Jolie são, nesse capítulo, indiscutivelmente os mais expeditos. Para além de um pequeno cambojano, adoptaram uma pequena etíope e fizeram nascer o seu próprio filho biológico na Namíbia. E prometem não ficar por aqui: a seguir, querem adoptar um pequeno birmanês,... uma escolha bem oportuna.
Faz agora um ano, contámos aqui a história de Madonna que fez a mesma coisa ao adoptar — à margem das leis do país — uma criança do Malawi, que de órfão nada tinha, já que tem um pai que não se sabe bem se deu ou não o seu consentimento à adopção. É o que se passa também agora com a epopeia da Arca de Zoe.
Adoptar uma criança do terceiro mundo não deixa de ser uma causa nobre — para além de ser célebre. Mas este triste caso da Arca de Zoe não vos faz lembrar a obra dos missionários que acompanhavam os militares e os comerciantes na África do século XIX ?

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:: enviado por JAM :: 11/06/2007 04:31:00 p.m. :: 0 comentário(s) início ::

quinta-feira, julho 05, 2007

A visita do psicopata político

O clima moral em Portugal é cada vez mais de triste resignação. As estatísticas retratam um país onde a depressão económica e as desigualdades se agravam: em dois anos o país perdeu cerca de cinquenta mil micro e pequenas empresas e desaparecerem mais de vinte mil empresários em nome individual. Perderam-se setenta mil negócios capazes de gerar emprego e dinamizar a economia. Os números são do Banco de Portugal.
Como se isso não bastasse, assistimos a um pestilento clima de intimidação que serve de incubadora a todo o tipo de subserviências, oportunismos e tráficos de influências. Em 1974 havia em Portugal cerca de trinta mil informadores da PIDE. Hoje, 33 anos depois da instauração da democracia e 18 anos após a queda do Muro de Berlim, temos um governo de um partido socialista que, em vez de promover, como lhe incumbe, a tolerância, protege e estimula a bufaria. Nem no tempo da ditadura se chegou ao cúmulo de acusar e sanear funcionários públicos por fazerem em privado humor e comentários jocosos sobre Salazar, Caetano ou Tomaz. Existia até um género teatral que servia para isso mesmo.
No aviltante ambiente reinante, Pedro Lomba mostra-se preocupado com o mais que provável convite que José Sócrates se prepara para endereçar ao “incomparável psicopata político”, Robert Mugabe, para a cimeira União Europeia-África. Conclui Pedro Lomba: “Receber convidados não significa estender-lhes um tapete vermelho. Por isso, Sr. primeiro-ministro, convide lá o sinistro Mugabe e depois trate-o como ele merece”.
Ora aí é que está o problema: alguém está a imaginar José Sócrates a tratar um psicopata político como ele merece?

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:: enviado por JAM :: 7/05/2007 05:43:00 p.m. :: 1 comentário(s) início ::