BRITEIROS: Haverá limites? <$BlogRSDUrl$>








sexta-feira, setembro 17, 2004

Haverá limites?

Discutiu-se a IVG na Assembleia da República e, como é questão de somenos importância, do governo compareceram as segundas linhas. A Assembleia da República, seja ou não legal, foi menosprezada pelo senhor primeiro-ministro que não se dignou comparecer para enfrentar a interpelação do Bloco de Esquerda sobre a proibição da entrada em águas portuguesas do barco da organização Woman on Waves. Fiquem para aí a falar sozinhos, tenho mais que fazer. Não sabemos muito bem o quê.

É um assunto sério. Temos aprendido muito nas últimas semanas.

Lá fomos mais uma vez distraídos das nossas preocupações. Ficámos a saber coisas fantásticas. A nossa Armada é capaz de nos defender de qualquer grupo de mulherzinhas de países estrangeiros que nos queiram invadir com propostas subversivas.
Temos Presidente da República. Quase ninguém dá por isso, mas é o próprio que amiúde nos lembra que é Comandante Supremo das Forças Armadas e Garante da Constituição. Pelos vistos é tão pouco evidente que é preciso lembrar os jornalistas e o povo. De qualquer modo podemos ficar tranquilos pois o Senhor Ministro da Defesa já deu o caso por encerrado. Infelizmente o barquito holandês, de dissimuladamente gigantesco calado, provocou ondas e lá começou outra vez o martírio de discutir o que já está discutido em toda a Europa. Só entre nós é que já vem sendo hábito regular. Não parecendo haver mais nada com que entreter o povo vamos lá ao assunto do costume. E aparecem as cabecitas empolgadas por argumentações extremadas, as quais, são por vezes tão opostas, tão afastadas que se assemelham pelo ridículo de uma clamorosa falta de bom senso. Desde as que gritam alto e bom som que a barriga é delas e fazem como lhes der na realíssima, até às que gritam que um espermatozóide a caminho de um ovo já é vida potencial e se chama criança, todas e todos num circo nada propiciador à serena reflexão que assuntos sérios merecem. Entretanto muitas mulheres sofrem e não serão estas fantochadas que nos levarão às soluções de compromisso e bom senso que deveriam caracterizar uma sociedade civilizada.
Parafraseando Wilde, não acabemos por fazer as coisas certas só depois de esgotarmos todas as outras possibilidades."



:: enviado por RC :: 9/17/2004 04:30:00 da tarde :: início ::
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