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segunda-feira, março 13, 2006

A França face aos fantasmas da globalização

Tal como as OPA, as reformas do mercado do trabalho na Europa voltam à actualidade. Em França, a proposta do governo de Dominique de Villepin de instaurar um contrato de primeiro emprego (CPE), de caracter indefinido, para os jovens com menos de 26 anos, com a possibilidade de rescisão nos primeiros dois anos sem qualquer causa, desencadeou a contestação dos sindicatos e dos partidos de esquerda, que culminou com uma maré de manifestações por todo o país e com a ocupação pelos estudantes da mítica Sorbonne, o que acontece pela primeira vez desde Maio de 1968, obrigando à intervenção em força da polícia de choque.
Escreve o Liberation que depois do Estado de urgência nos bairros periféricos, assiste-se agora ao estado de sítio na Sorbonne. A França tem pois razões para estar preocupada com o seu governo detonante. Em cinco meses, conseguiu precipitar duas vezes a juventude nas ruas.

Os efeitos perversos do CPE levam inevitavelmente ao enfraquecimento dos mecanismos de segurança do emprego. Em primeiro lugar, porque a generalização desse tipo de contratos a prazo vai debilitar ainda mais os incentivos à formação contínua dos trabalhadores. E a falta de investimento em formação profissional implica uma redução da competitividade das empresas, com irreversíveis consequências negativas perante os desafios da globalização.
Uma segunda consequência é o impacto que terá sobre as expectativas dos indivíduos e, em especial, sobre a sua capacidade de endividamento, em idades em que o recurso ao crédito é indispensável. A proliferação dos contratos a prazo conduz a uma dualização da sociedade, entre aqueles que dispõe de uma capacidade suficiente para programar a sua existência — bem-estar, consumo, habitação — e aqueles que, por falta de estabilidade laboral, não podem fazê-lo.

A França reflecte neste momento a imagem cansada da Europa, entranhada numa imperturbável leveza intelectual que consiste em cantar o triunfo do liberalismo económico e político, a universalidade da democracia liberal ocidental, como um ponto final do governo humano. Enquanto isso, a Renault, empresa em parte pública, vai passar a produzir os seus novos topo de gama na Coreia do Sul.

:: enviado por JAM :: 3/13/2006 11:33:00 da tarde :: início ::
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