BRITEIROS: Um livro pode ser um amigo... ou não (2º capitulo) <$BlogRSDUrl$>








quinta-feira, novembro 09, 2006

Um livro pode ser um amigo... ou não (2º capitulo)

Ontem escrevi sobre os escritores de pechisbeque; hoje apetece-me escrever sobre jornalistas-escritores (e, amanhã ou depois, talvez sobre os escritores-escritores, sobre os escritores em full time).
Como toda a gente sabe, há jornalistas da "imprensa escrita" (para não confundirmos com "imprensa falada") que, paralelamente à sua profissão, também se dedicam à literatura, a escrever romances.
Três casos concretos: o arquitecto Saraiva, muitos anos director do “Expresso" e actual director do “Sol”, Clara Pinto Correia e Miguel Sousa Tavares.
O arquitecto, que definitivamente tem um ego muito inchado (balofo?), escreveu já 3 (três!) romances. A avaliar pela recensão crítica que li no Público àcerca do 3º, critica com o significativo titulo “O triunfo da vulgaridade” e que me pareceu fundamentada (digo isto porque eu próprio não posso opinar, visto que não li nenhum dos 3 – eu até dos editoriais dele fugi sempre a sete pés…), o homem, de facto, nunca terá entendido o sentido da expressão “O silêncio é de ouro” ou daquela outra mais popular “Não vá o sapateiro além da chinela”.
Quanto à Clara Pinto Correia, que já foi jornalista e é bióloga, tem bem mais de 3 livros publicados, romances, divulgação científica e outros géneros. Li alguns deles há alguns anos atrás. Que me lembre, gostei de “Agrião” (1984), de“Adeus, princesa” (1985), e de “Campos de morangos para sempre” (1987). Também me lembro que não consegui passar das 1ªs páginas de “Ponto pé de flor” (1990). Gostava de ler a coluna dela n' “O jornal” e na “Visão”. Fiquei de pé atrás quando se falou, parece que fundamentadamente, de que muitas vezes para redigir essa coluna, ela fazia copy-past de artigos e colunas de revistas e jornais americanos. Como diria o outro: “Não habia nexexidade…”
Last but not the least, o Miguel Sousa Tavares. Também ele foi acusado de plágio, neste caso muito recentemente e na blogsfera. Parece que haverá semelhanças suspeitas entre a estrutura, as personagens e certas passagens de “O equador” e de “Cette nuit la liberté” de Dominique Lapierre e Larry Collins. Não sei se a acusação faz sentido porque li “O equador” mas não li o outro livro (aliás, nem sequer sabia da sua existência) e o blog acusador já desapareceu. Há quem diga que plagiou, há quem diga que não. “O equador” não me parecendo uma obra-prima nem do ponto de vista da escrita nem do ponto de vista romanesco, foi suficientemente interessante para me levar a não o abandonar a meio (como era meu direito de leitor – o 3º, de acordo com Daniel Pennac em "Comme un roman").
Moral da história: Também aqui a vaidade faz das suas - se o arquitecto se limitasse a dirigir jornais, se a bióloga não quisesse estar em todas e sempre coberta de plumas e lantejoulas e se o jornalista não tivesse tido a irresistivel e desmedida pretensão de “pôr Portugal a ler” (como ele próprio alardeou), as coisas correriam melhor – para a literatura, para eles e para nós.

:: enviado por Manolo :: 11/09/2006 10:08:00 da tarde :: início ::
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