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segunda-feira, janeiro 17, 2005

Portugueses, eternos ingratos

O costume. Cada vez que surge algum problema por esse mundo fora, onde estejam envolvidos portugueses, temos duas versões da história. Uma, a oficial, em que tudo o que podia ser feito foi feito, outra, a dos directamente interessados, que descascam nos serviços consulares e clamam pela falta de apoio e pelo desinteresse.
Agora foi na Tailândia. O Sr. Embaixador resolveu não se dar à maçada de partir imediatamente para o local da tragédia. Percebe-se. Com os hotéis destruídos e sem estradas onde iria pernoitar e como se iria descolar? Este sábado, no Expresso, tentou justificar o injustificável. Estava em Lisboa em trabalho, a Tailândia é longe e demoraria a chegar e coordenou tudo de Lisboa. Nem sequer lhe ocorreu que nestas situações de desespero, mais do que a papelada, o que as pessoas necessitam é de um apoio próximo, de alguém que tenha a calma dos não directamente envolvidos e ao mesmo tempo o poder da autoridade para tomar decisões que possam minorar a desgraça.
Nada disto me surpreende. Ao fim e ao cabo é a maneira normal como certos funcionários do Estado encaram os problemas de quem lhes paga os ordenados: chatices que agitam o longo rio tranquilo que é a sua vida quotidiana (Aristides Sousa Mendes só houve um ...).
O que já é mais surpreendente e em todo o caso enervante é esta soberba dos nossos dirigentes de nem sequer reconhecer a evidência. Para o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros é tudo normal. Declarou que não haverá qualquer inquérito à Embaixada na Tailândia. Não há motivo. O Sr. Presidente da República apoia.
Se calhar têm razão. Como pudemos ver na TV, os únicos que tinham dificuldades em contactar a embaixada eram os portugueses na Tailândia. O Sr. Ministro telefonava quando queria. Milagres! (Ou será que havia um numero de telefone para os papalvos e outro para o Sr. Ministro?)
O problema é que os portugueses são uns ingratos. Por acaso os serviços do Estado funcionam bem em Portugal? São eficazes? Então porque haviam de o ser no estrangeiro? Já alguém ouviu elogiar os serviços consulares de Londres, ou de Paris ou de qualquer outra cidade? O Sr. Ministro não colocou imediatamente à disposição (por ser uma situação de crise!) a cozinheira e o motorista da embaixada? Que até falam tailandês (o que, presumo, não é o caso do Sr. Embaixador). Não se andou a pedir às famílias e aos amigos que tentassem contactar as pessoas desaparecidas e depois se informasse o Ministério?

Sr. António Monteiro (permita-me que o trate assim, o entendimento do seu calvário aproxima-nos do tu)
Não ligue a estes veraneantes ingratos e a jornalistas sequiosos de trapalhadas. Não reparou que as criticas mais violentas vieram de cidadãos a viver há muitos anos fora de Portugal? Compreensívelmente, estão desfasados da realidade nacional. Continue o seu caminho e coloque o Sr. Embaixador na Tailândia num posto mais de acordo com as suas capacidades. Sugiro as Berlengas.
Só mais uma coisinha. Fica desde já convidado para me acompanhar na próxima vez que eu tiver de me deslocar ao Consulado. Como é hábito, tirarei um dia de férias para lá poder passar o dia. Poderemos cavaquear amenamente nas duas horas de espera antes do primeiro atendimento e discutiremos, calmamente, ao almoço, porque é que não me lembrei de levar o documento que, ao telefone, ninguém me disse ser necessário.

:: enviado por U18 Team :: 1/17/2005 11:37:00 da tarde :: início ::
5 comentário(s):
  • Apesar dos servicos consulares portugueses estarem de facto longe de serem os mais eficases, neste episodio concreto nao esta' a ser justo.

    O facto do embaixador nao ter regressado imediatamente para a Tailandia, nao impedia de o servico do consulado ser prestado aos que precisaram, afinal o ambaixador nao e' o unico funcionario e sim pode-se muito bem coordenar 'a distancia (hoje melhor do que nunca).
    'As vezes gostamos mesmo e' de nos queixarmos!

    De Blogger Nic, em janeiro 18, 2005 3:26 da manhã  
  • Agradeço o seu comentário. Não tenho nenhuma pretensão de ter sempre razão. Tenho a minha verdade, como eu a vejo.
    Injusto? Talvez. Haverá, certamente, funcionários, embaixadores, encarregados de negócio que fazem o seu trabalho com competência e dedicação. Para esses fui injusto.
    Neste caso concreto, e vai-me desculpar a teimosia, mantenho a minha opinião. O Sr. Embaixador devia ter ido imediatamente para a Tailândia e não entrar no “Should I stay or should I go” que só é bom na canção dos Clash. É certo que a coordenação se pode fazer à distância, mas esse não é o papel do Sr. Embaixador. Os serviços do Ministério também o podem fazer. O que as pessoas precisavam era da presença do Estado ao seu lado. Parece que não a tiveram. Ou então o que são os que viveram a situação e criticam? Uns ingratos?

    De Blogger U18 Team, em janeiro 18, 2005 9:34 da manhã  
  • Eu acho que e' um pouco leviano criticar uma situacao que se nao viveu.
    E' evidente que em tal situacao dramatica, todos precisam de um abraco e um apoio directo (coisa que nao me parece viavel ou pratico ser feita pelo proprio embaixador).
    Os procedimentos a accionar em caisos de emergencia nao deverao depender da presenca fisica do embaixador. Um director de uma empresa nao esta npresente em todas as etapas de producao. Ha que delegar e sim ter meios para verificar se tudo esta a ser accionado.

    Durante os dias que se seguiram a este desastre natural, estive em 5 paises. Os media destes 5 paises apresentaram caracteristicas muioto semelhantes:

    - Criticas fortes aos proprios governos por resposta lenta;
    - Punham em enfase os seus proprios cidadaos

    E' assim, em situacoes tristes e de desespero, nao deixamos de nos sentirmos vitimas e necessitamos de culpar alguem.
    Para terminar nao conheco caso de nenhum portugues que foi afectado pela ida tardia do embaixador, para Bangkok.

    De Blogger Nic, em janeiro 19, 2005 4:17 da manhã  
  • Não conheço a representação diplomática de Portugal em Taiwan, talvez seja a excepção que confirma a regra, talvez não tenha ainda, por fortuna, sido chamada, em circunstâncias dramáticas, a mostrar o que vale.
    Mas os portugueses que vivem no estrangeiro, habituaram-se, até à resignação, a lidar com serviços consulares que são a imagem da mediocridade burocrática do nosso país lá dentro, mas para pior.
    Parece-me pois que não é preciso ter estado na Tailândia, nem ter vivido os momentos excepcionalmente catastróficos por que alguns dos nossos compatriotas passaram, para acreditar nesta notícia, e sobretudo nesta, de alguém que esteve lá.

    Se, ao menos, este triste exemplo servisse para repensar a organização dos consulados e das embaixadas, já haveria algo de positivo nesta história. É que, a única coisa positiva dos erros é que servem para aprender.

    De Blogger JAM, em janeiro 19, 2005 11:52 da manhã  
  • A presenca de servicos consulares portugueses em Taiwan e' nao existente. Portugal nao reconhece Taiwan como pais.

    Eu concordo consigo quanto 'a critica dos servicos consulares portugueses. eles em geral sao muito pobres.

    O ponto que discordo e' pensar que a presenca fisica do Consul iria melhorar em alguma coisa a situacao.

    Continuo a achar que se tratam de desabafos de vitimas que necessitam deseperadamente de um apoio para uma situacao inconsolavel.

    A situacao era caotica, deseperante, muita gente requeria ou/e pedia ajuda.
    Nao havia descriminacao em ajudar quem quer que fosse. Nao se ajudavam apenas os da propria cidadania. Qual e' o mal ter assistencia de um candiano se era ele que estava ali e quando se precisava.

    Nenhum pais estava preparado para tal catastrofe.
    Por isso acho que, apesar de querer tocar num assunto com razao (o mau funcionamento dos servicos consulares portgueses) a critica esta' mal colocada. O problema nao e' a presenca fisica no momento do consul mas sim o funcionamento do consulado.

    Ja agora, deixo-lhe aqui um comentario meu escrito ha' uns dias noutro blogue, que expressa a mnha tristeza quanto aos servicos consulares portgueses:

    "Nao e' so' a embaixada de Portugal em Berlim, eu acho que sao todos os servicos consulares de Portugal no mundo sao assim.
    Alias da-me a impressao que para trabalhar num consulado / embaixada de Portugal, tem que se ter as seguintes caracteristicas:
    - ser mal formado e de preferencia arrogante.
    - nunca dar informacoes a 100% para obrigar a pessoa a voltar mais vezes;
    - mostrar que esta' a ser incomodado quando aparece alguem para um esclarecimento.
    - demorar imenso, 'a procura de registos perdidos nos calhamcaos de registo ja dignos de museus, de modo a fazer aumentar o numero de pessoas 'a espera e o tempo de espera.
    - nunca abrir o expediente em horas convenientes;
    - tratar sempre o cliente como se ele soubesse tudo mas tudo 'a cerca de quaquer assunto.
    - nunca sorrir, nunca mostrar empatia, lembrar-se sempre que e' um ser superior pois representa o governo da nacao e esta' a lidar apenas com emigras.
    Dois casos que conheco a evitar seriamente:
    - Montreal, Canada
    - Hong Kong
    com a vantagem desta ultima ter ido 'a falencia.
    ate' agora so' nunca tive problemas foi com o consulado/embaixada de Portugal em Taiwan... pois nao existe.

    o "ir 'a falencia" foi uma metafora que usei.
    Enquanto que o consulado espanhol em hong kong viu a oportunidade de investir em Hong Kong como porta para um mercado imenso (China) e trouxe jovens recem licenciados de cada provincia de Espanha, para promover os produtos e empresas das suas regioes e establecerem contractos comericias de bilioes, o consulado Portugues deixou-se adormecer na sua inercia.
    Digo que foi 'a falencia, porque se situava numa zona de Hong Kong super cara, com metade dum piso, ocupado com a fotografia do consul e duas bandeiras. esta enorme area estava vedada ao acesso publico, apenas se podia espreitar atraves da porta de vidro. do ouro lado um minusculo escritorio (apinhado de pessoas chinesas, pois muitas teem passaporte portugues devido a macau) com um atendimento totalmente virado para um publico que fala cantones apenas. para portugueses como eu, bem... era um desepero so me fazer entender. o pessoal que la trabalhava telvez nem tivessem ideia onde e' que ficava portugal.
    par nao dizer que funcionava tudo como talvez funcionou ha' 30 anos. Nao havia qualquer nocao de promocao de Portugal nem havia ninguem que atendesse um telfone e se me queixava diziam-me para me ir queixar a Portugal que nao mandavam dinheiro.
    era isto a imagem de Portugal 'as portas do maior mercado mundial!"

    De Blogger Nic, em janeiro 20, 2005 3:50 da manhã  
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