domingo, janeiro 23, 2005
Rafael Bordalo Pinheiro (1846 – 1905)
Estas frases não pertencem à campanha eleitoral de 2005, mas sim à análise afiada de Rafael Bordalo Pinheiro ao regressar a Lisboa em 1879, após uma estadia de quatro anos no Brasil.
O Zé Povinho tomou forma pela primeira vez em 12 de Junho de 1875 no n°.5 da Lanterna Mágica. Nesse primeiro desenho, aludindo aos impostos, Bordalo Pinheiro vestia Fontes Pereira de Melo de Santo António, colocando-lhe o menino D. Luís I ao colo, enquanto o Ministro da Fazenda (Serpa Pimentel) recolhia a esmola de um Zé Povinho boquiaberto, coçando a cabeça intrigado, de chapéu braguês e fato rural coçado e roto. Ao longo dos números seguintes da Lanterna Mágica, o Zé Povinho surge sempre de boca aberta sem nunca intervir, aconteça o que acontecer. O próprio Bordalo refere: Zé Povinho olha para um lado e para o outro e... fica como sempre... na mesma.
Esta falta de iniciativa é uma das características mais evidentes do “Portuguese way of life”. Um Zé Povinho ignorante e indiferente continua hoje a assistir à passagem da procissão da política. De tal modo que, por vezes, nos interrogamos se é o Povo que manda nos políticos, ou se é o contrário. O desejo de enriquecimento fácil e rápido perante a tradicional miséria política, faz não só com que plantem eucaliptos em excesso, joguem freneticamente na Lotaria, Totoloto, Totobola e Raspadinha, mas também com que a maioria da população portuguesa persista em tolerar a corrupção e os tachos, na esperança de um dia lhe calhar também um.
PS: O Briteiros associa-se à iniciativa do Barnabé de “canonizar” Rafael Bordalo Pinheiro como S. Bordalo, padroeiro da blogosfera, pelo milagre da sátira contra o martírio da monotonia.
:: enviado por JAM :: 1/23/2005 01:43:00 da tarde ::
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1 comentário(s):
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Se cá voltasse agora, Rafael Bordalo Pinheiro diria algo como "estes burros continuam a comer palha!!!"De pindérico, em janeiro 23, 2005 6:32 da tarde