52% dos nossos concidadãos europeus são contra a adesão da Turquia, segundo o último Eurobarómetro (80% na Áustria, 74% na Alemanha e 70% em França). Mas os turcos, estão igualmente longe do consenso sobre a adesão à União. Se os eurófilos vêem na adesão a via aberta para a modernização e a democratização do país e uma promessa de prosperidade, os nacionalistas (de direita e de esquerda) cultivam a eurofobia, ofendidos porque a União exige que eles mudem para poderem aspirar à adesão e ainda por cima sobre questões tão simbólicas como o reconhecimento do genocídio arménio, o tratamento da minoria curda e sobretudo o reconhecimento de Chipre. Os eurófobos turcos têm vindo a aumentar a sua cota paralelamente ao aumento dos turcófobos europeus.
Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não. Se a candidatura de Alegre não incomoda por que será que tantos já se empenham em desvalorizá-la? Não é fácil cumprir o pressuposto de independência conotado com o cargo de Presidente da República. Por um lado é uma opção individual e por outro a candidatura não pode ser levada a cabo sem o apoio de estruturas partidárias. Pelo fim de uma certa partidocracia que nos arrasta para um inevitável declínio e degradação de uma vivência republicana ainda bem que Manuel Alegre decidiu candidatar-se.
Força poeta!!!
«Trova do Vento que Passa»
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
[Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.]
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Dos personagens representados nas fotos, quem tem menos condições para ser Presidente da Câmara de Lisboa ?
© Desenho de Bandeira - Diário de Notícias
© Desenho de Sandy Huffaker
Ao centro, o futuro Primeiro Ministro trabalhista, Jens Stoltenberg; à direita, Aslaug Haga, presidente do Partido Centrista; à esquerda, Kristin Halvorsen, presidente da Esquerda Socialista